Família Delivery passa a ter onze modelos

José Oswaldo Costa*    (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 15/09/2017)

de Resende (RJ)

Volkswagen Caminhões e Ônibus mira no segmento de até 3,5 ton. com a opção Express

Vei1 - Malagrine - Volkswagen - DivulgaçãoAtravessamos um momento único no que diz respeito ao transporte de cargas urbano. Muitas cidades já proíbem, ou restringem ao máximo, a circulação de grandes caminhões em ruas e avenidas mais centralizadas e movimentadas.

É nesse cenário que os caminhões leves e semileves, com capacidade de carga entre 3,5 e 11 toneladas, ganham importância. Principalmente os primeiros.

Além de ter a circulação permitida (se enquadram entre os chamados VUC – Veículo Urbano de Carga), veículos com até 3,5 toneladas de capacidade de carga podem ser dirigidos por condutores que possuem, apenas, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) da categoria B. Não há exigência pelas categorias C ou D.

Hoje, o segmento de leves e semileves é responsável por 31% da vendas totais de caminhões no Brasil. Os extrapesados respondem por idênticos 31% enquanto, os médios e pesados (capacidade de carga entre 13 e 31 toneladas), são donos de 38% da fatia do bolo.

As projeções mostram que, até 2030, os leves e semileves responderão por 39% das vendas totais. Por esses motivos apresentados, a Volkswagen Caminhões e Ônibus acaba de lançar seis novos modelos para integrar a família Delivery.

A linha Delivery já contava com cinco opções: 5.150 (5 ton.), 8.160 (8 ton.), 9.160 (9 ton.), 10.160 (10 ton.) e 13.160 (13 ton.). Agora, recebe os seguintes modelos: Express (3,5 ton.), 4.150 (4 ton.), 6.160 (6 ton.), 9.170 (9 ton.), 11.180 (11 ton.) e 13.180 (13 ton.).

Com esses lançamentos, a linha completa abrangerá o mercado de caminhões desde os que partem de 3,5 toneladas chegando, até, aos que possuem capacidade para 13 toneladas.

Vei2 - Malagrine - Volkswagen - DivulgaçãoDe acordo com a VW Caminhões e Ônibus, o investimento total para o desenvolvimento dos novos modelos foi da ordem de R$ 1 bilhão. O tempo necessário para chegar ao produto final foi de 5 anos e foram rodados mais de 4 milhões de quilômetros em testes.

A nova linha será lançada mundialmente, mas o Brasil será o primeiro mercado a recebê-la. Produzido na planta de Resende, no interior do Rio de Janeiro, conta com três versões de acabamento: City, Trend e Prime (topo de linha).

A nova linha Delivery teve sua engenharia desenvolvida no Brasil enquanto, o design, ficou aos cuidados dos alemães. É um caminhão desenvolvido totalmente do zero.

Apesar do lançamento de seis novos caminhões, pode-se dizer que a grande estrela do evento de apresentação à imprensa especializada foi o Delivery Express.

Ele é o principal modelo a se encaixar nos parâmetros que apresentamos no início dessa matéria: capacidade para até 3,5 toneladas, permissão para rodar em locais de circulação restrita e pode ser conduzido por quem possui, apenas, a CNH da categoria B. Além disso, em pedágios, paga o mesmo valor de um automóvel.

IMG_2349A VW Caminhões e Ônibus apresentou soluções interessantes para esse modelo. Um bom exemplo é o fato de, pela primeira vez na história da montadora, ele contar com suspensa dianteira independente.

Outro detalhe importante é que ele pode sair da fábrica já encarroçado, seja para carga seca, seja com baú. Sua capacidade de carga líquida é de 1 tonelada. Caso não queira dessa forma, o cliente pode optar para que o veículo seja entregue, apenas, no chassi.

De acordo com a Volkswagen, seus concorrentes ou são veículos derivados de picapes ou são caminhões com cabine semiavançada. O Delivery Express é o único com cabine avançada (posicionada acima do motor) e que oferece 2 metros de largura dentro da cabine.

Os concorrentes não passam de 1,80 metro de largura. Dentre eles, podemos citar o Iveco Daily, o Mercedes-Benz Sprinter, o Hyundai HR e o Ford F350.

IMG_0873Interior – A cabine do novo Delivery foi desenvolvida com o foco na ergonomia, no conforto e na robustez.

Posição de dirigir, empunhadura do volante, regulagem de altura do banco, painel de instrumentos, porta-objetos e espaço suficiente para transitar no interior, indo do banco do motorista até o do passageiro de forma rápida, foram as premissas iniciais.

Vei3 - Malagrine - Volkswagen - DivulgaçãoA concepção dos bancos, ainda de acordo com a Volkswagen, contou com a colaboração de dezenas de pessoas de diferentes estaturas e portes físicos, de modo que a condução seja confortável para todos.

Os assentos são feitos com tecidos de alta resistência e hidrorrepelentes, que não mancham. Em cores escuras, também são ideais para o dia a dia. A posição dos pedais foi adequada ao anda e para das entregas urbanas, sem exigir grande esforço de acionamento ao motorista, o que reduz os riscos de lesão por esforço repetitivo (LER).

A cabine vem, ainda, com novo sistema de basculamento por meio de uma alavanca localizada em seu interior. De fácil acionamento, proporciona mais segurança e conforto em manutenções.

No quadro de instrumentos destaca-se o conceito modular, que permite ao operador organizar dispositivos como rádio, tacógrafo e equipamentos próprios de cada operação. É o caso da temperatura do baú frigorífico, por exemplo, que deve ser monitorada sem que o motorista tire os olhos da via.

Vei4 - Malagrine - Volkswagen - Divulgação

Motores Cummins e transmissão manual

Os modelos Express e 4.150 são equipados com o motor Cummins ISF de 2.8 litros. Ele alcança 150 cv e um torque máximo de 360 Nm numa ampla faixa de rotações para garantir retomadas rápidas, agilidade e menor consumo possível de combustível nas entregas urbanas. O dois caminhões são os únicos da nova linha dotados com tecnologia EGR

Para o Delivery 6.160, o motor também é o Cummins ISF, 2.8 litros, mas desta vez, com solução SCR para o pós-tratamento. Sua potência chega a 160 cv e o torque máximo fica em 430 Nm.

Os veículos de 9, 11 e 13 toneladas, por sua vez, utilizam o Cummins ISF, de 3.8 litros e tecnologia SCR. Os três registram o torque máximo em 600 Nm, variando a potência entre 165 e 175 cv.

O novo Delivery estreia quatro versões de transmissão manual de seis velocidades totalmente novas, além da opção automatizada.

O Delivery Express e o 4.150 estão equipados com uma caixa ESO-4106, enquanto o de 6 toneladas vem com a ESO-4206. Já os novos modelos de 9 e 11 toneladas contam com a transmissão ESO-6106, e o 13.180 tem a caixa ESO-6206.

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Fotos: Malagrine / VW Caminhões e Ônibus / Divulgação

Haverá, também, a opção de transmissão automatizada para os veículos de 9, 11 e 13 toneladas, baseada na versão manual, mais confortável ao motorista. O item está em fase final de desenvolvimento.

Algumas características do novo VW Delivery (de série e opcionais): ar-condicionado; conector de ar para limpeza da cabine; acionamento elétrico dos vidros; retrovisores com ajuste elétrico; trava elétrica das portas; preparação para climatizador;  faróis de neblina; proteção dos degraus; preparação para PTO; cruise control e alarme sonoro para cinto de segurança do motorista.

A VW Caminhões e Ônibus ainda não divulgou os preços dos novos integrantes da família Delivery. Porém, informou que eles devem ser superiores entre 7% e 10% na comparação com os demais (e antigos) modelos da linha.

Os executivos disseram que, mundialmente, a nova linha tem potencial para vender 100 mil unidades anualmente. Para o Brasil, a expectativa, disseram, é de comercializar 30 mil unidades nos próximos anos (sem especificar em quantos).

O desafio é grande no atual momento econômico que o País atravessa. Para que se tenha uma ideia, no melhor ano da planta de Resende, 2011, foram produzidas pouco mais de 80 mil unidades (entre caminhões e ônibus). Ano passado, com a recessão econômica, esse número total foi um pouco superior à marca de 20 mil unidades.

As vendas da nova linha respeitarão o seguinte cronograma: setembro de 2017 – Delivery 11.180 e 9.170; entre dezembro de 2017 e janeiro de 2018 – Delivery 6.160; fevereiro de 2018 – Delivery Express; entre fevereiro e março de 2018 – Delivery 4.150 e entre março e abril de 2018 – Delivery 13.180.

*o jornalista viajou a convite da Volkswagen Caminhões e Ônibus

**as fotos dessa matéria (caminhão branco, interior e motor) são da versão Express

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