Compass é bom de vendas não por acaso

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 27/10/2017)

Segundo utilitário mais emplacado do País, modelo da Jeep tem qualidades que vão além da marca

Vei10 - Amintas VidalTer uma marca que é sinônimo de um produto é o sonho de qualquer empresa. Normalmente, esse patrimônio é conquistado pela qualidade do produto, mas principalmente por ele ter sido pioneiro, inventor de um novo segmento de mercado.

Marcas como Gilette, Xerox e Coca-Cola, por exemplo, são normalmente usadas por consumidores para nominar produtos que nada tem a ver com esses fabricantes. E isso acontece com a Jeep também.

A empresa Willys Overland criou o Jeep, em 1941, para o exército americano. Em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial, foi lançado o modelo civil, praticamente igual ao modelo militar. Ele fez a marca virar um substantivo, um nome genérico aplicado para quase todo carro que tivesse características off-road  de verdade.

Hoje, a Jeep pertença ao grupo FCA (Fiat Chrysler Automobiles), após a montadora italiana ter adquirido a americana que, por sua vez, detinha a marca desde 1987. A aquisição não poderia ser mais acertada, já que o segmento que mais cresce no mundo atualmente é o de utilitários esportivos, ou SUV, como são conhecidos os veículos com, pelo menos, algumas habilidades para o fora de estrada.

A Fiat nunca teve tradição neste segmento de mercado e, ao adquirir a Chrysler, soube usar a marca em produtos que resgataram o espírito Jeep e, ao mesmo tempo, entregaram o que o consumidor esperava.

Vei11 - Amintas VidalMercado – No Brasil, esse resultado está na lista de veículos emplacados. De janeiro a setembro deste ano, o Jeep Compass é o segundo SUV mais vendido, com 34.526 emplacamentos, ficando atrás do Honda HRV por apenas 400 unidades.

O Jeep Renegade, modelo menor que o Jeep Compass, fecha esse pódio com 28.549. Eles são o 8º, 11º e 15º colocados da lista que inclui todos os segmentos. Não podemos esquecer que na fábrica da Jeep também é produzida a picape Fiat Toro que, neste mesmo período, emplacou 38.425 unidades.

Este número a coloca como a líder da categoria de comerciais leves e a expressiva posição de 12º veículo mais vendido do Brasil no acumulado desses nove meses. Os dados acima foram divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Os números de mercado do Jeep Compass são mais impressionantes ainda se considerarmos que ele é um modelo de tamanho médio, tem preço inicial acima dos R$ 107 mil e está deixando para trás pelo menos oito utilitários compactos nacionais, além do já mencionado “irmão”, o Renegade.

DC Auto recebeu o Jeep Compass para avaliação na versão Longitude Flex. Ela é equipada com motor 2.0, câmbio automático, tração 4×2 e tem uma boa lista de equipamentos de série. Rodamos aproximadamente 350 km em rodovias e na cidade. Foram 40 km em estrada de terra. Nossa experiência foi suficiente para entendermos o motivo do seu sucesso.

Vei12 - Amintas VidalO Jeep Compass tem um pouco mais de espaço para os passageiros da frente e ainda mais para os do banco de trás, quando comparado ao Renegade. Para a bagagem, a diferença também é grande, são 280 litros de capacidade contra 410 litros do Compass.

Em acabamento eles nem distanciam muito, pois as peças são bem fabricadas e montadas e ambos têm superfícies macias ao toque. Detalhes cromados e outros pintados são encontrados nos dois modelos que compartilham diversas peças como o volante, alavancas e alguns botões.

O que mais difere é o estilo do painel, mais “Jeep” no Renagade e mais “SUV” no Compass. Essa última diferença eles também apresentam no design exterior: o Renegade foi inspirado no Jeep Wrangler, o verdadeiro herdeiro do lendário Jeep 41 e o, Compass, foi inspirado no Grand Cherokke, considerado o primeiro “utilitário moderno” do mundo.

Um estilo mais desejado, e o maior espaço interno, podem explicar, em parte, porque o Compass vende mais que o Renegade. Mas o que ele entrega a na comparação com tantos outros concorrentes, mais baratos, e que justifique as suas vendas serem melhores, é o que veremos a seguir.

Estabilidade, silêncio interno e ergonomia se destacam

Ao volante a sensação é que o Compass é mais estável, mais no chão que os outros utilitários. O acerto das suspensões, independentes nos dois eixos, não deixa a carroceria inclinar muito em curvas, dando a impressão de estarmos em um veículo mais baixo, como em um sedan.

Vei13 - Amintas Vidal

Fotos: Amintas Vidal

Outra característica comum aos carros de luxo é o silêncio interno. Nem o motor nem os pneus produzem muito ruído, tornando o rodar muito confortável acusticamente. Essa versão vem com bancos revestidos em couro de série e, na unidade que avaliamos, a padronagem do revestimento era cinza claro, tornando o interior muito agradável visualmente, mas difícil de ser conservado.

A ergonomia acertada deixa todos os comandos à mão. A direção elétrica é leve em manobras, firme ao rodar e direta o suficiente para dar prazer ao dirigir. O câmbio está bem escalonado para o motor e passa as marchas com suavidade.

Na sexta marcha, e aos 110 km/h, o motor trabalha aos 2.300 giros, garantindo conforto em viagens. Quando exigido, ele responde com prontidão, seu som invade a cabine, mas é agradável, sem aspereza.

Apesar dessas características, ele é apenas suficiente para os mais de 1.500 kg do Compass. Dá conta do recado, mas sem sobras. Tamanho esforço resulta em pouca economia de combustível. Ele registrou médias de 7 km/l na cidade e 11 km/l na estrada, sempre com gasolina.

O controle automático de velocidade é ativado e regulado facilmente. Já as trocas de marchas pelas “borboletas” do volante tem pouca utilidade. O sistema é pouquíssimo permissivo e só deixa as trocas ocorrerem em uma faixa restrita de giro do motor.

Pelo menos, neste caso, o sistema não emite nenhum sinal sonoro avisando operação irregular, como acontecia no antigo sistema Dualogic usado pela Fiat.

Para rodar na cidade o Jeep Compass é mais ágil do que aparenta. Já na hora de estacionar, você lembra que não está em um compacto. Essa versão tem sensor de estacionamento e câmera de ré com guias gráficas visualizadas na central multimídia que ajudam na missão.

Este sistema, com tela 8,4 polegadas, é muito completo, inclusive com GPS e, além das demais funções comuns aos seus pares, ele controla o ar-condicionado digital de duas zonas. Graficamente é bem resolvido, permite fácil visualização, mas não responde tão rápido aos comandos.

Se o usuário optar por usar o espelhamento do celular pelos aplicativos Android Auto ou Apple CarPlay a situação piora, pois um programa rodando sobre o outro prejudica mais ainda a velocidade de processamento do equipamento.

Tanta desenvoltura no asfalto nos fez acreditar que na terra ele não se sairia muito bem. Ledo engano. Mesmo com difusores sob os para-choques, que passam uma impressão que o Compass tem menos vão livre que o divulgado, ele surpreendeu.

Manteve, dentro do possível, o conforto de marcha que apresentou no asfalto. Não bateu o fundo por todo o trajeto, nem mesmo os mencionados difusores. Manteve-se estável em velocidade sem escorregar muito em curvas.

Apenas em um trecho com muito cascalho, e em subida, faltou aderência. Seus pneus não são de uso misto e exigiram mais embalo na base do morro para superar o aclive.

Equipamentos – Sua lista de equipamentos de série é boa mas, com apenas 2 airbags,  não é tão completa. Controles de tração e estabilidade, sistema anticapotamento e travas isofix para ancorar cadeiras infantis resumem os itens de segurança.

Computador de bordo com tela de alta resolução de 3,5 polegadas, os já mencionados ar-condicionado de duas zonas e a central multimídia, comando elétrico do freio de estacionamento, chave presencial, entre outros, completam a oferta.

Para ter mais 4 airbags, sensores de chuva e crepuscular, som da marca Beats e faróis em LED, só comprando à parte em pacotes de opcionais.  O preço sugerido dessa versão Longitude Flex do Compass, no site da Jeep, é R$115,99 mil. O pacote de segurança soma R$3,25 mil e, o Premium, mais R$ 2,54 mil. Já o teto solar, a bagatela de R$ 7,10 mil.

O motor é o moderno Tiguershark 2.0 Flex de 4 cilindros. Ele tem bloco e cabeçote em alumínio e comando acionado por corrente com abertura variável de válvulas, tanto na admissão quanto no escape.

A aspiração é natural, sem turbo, mas seus números são bons: desenvolve 166/159 cv aos 6.200 rpm e tem torque de 20,5/19,9 kgmf aos 4.000 rpm com etanol e gasolina, respectivamente. O câmbio é automático de 6 velocidades. Nessa configuração de motor a tração é sempre 4×2.

Os modelos a diesel tem tração 4×4, motor mais potente, com melhor torque e menor consumo, mas preços 23% mais altos. Existe uma expectativa de a Jeep lançar, em breve, um Compass bicombustível 4×4 com câmbio automático de 9 marchas. A mesma transmissão que acompanha o motor a diesel. Só não se sabe ainda se será este motor 2.0 ou o 2.4 que equipa algumas versões da picape Fiat Toro.

Uma marca icônica, considerada quase Premium no Brasil, um SUV muito bom de dirigir e, também, um preço não muito maior que o dos concorrentes compactos, para nós, é o que explica vendas tão expressivas do Jeep Compass.

*Colaborador

 

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