Citroën Cactus vai encarar o mercado

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 31/08/2018)

de Mogi das Cruzes (SP)

Novo utilitário esportivo compacto chega ao Brasil com a missão de recuperar o prestígio da marca

Novo SUV Citroën C4 Cactus_19Para concorrer na faixa de mercado mais disputada do momento, a Citroën acaba de lançar o SUV compacto C4 Cactus. Ele é uma reestilização do modelo europeu, mas desenvolvida pela equipe de designers da Citroën do Brasil.

Inicialmente projetado para a América Latina, acabou estreando no velho continente, tamanho o acerto das suas linhas. Agora, produzido na fábrica da PSA em Porto Real (RJ), ele é o produto que pretende resgatar a Citroën que enchia os olhos do consumidor brasileiro.

Como não poderia deixar de ser, foi no design que montadora apostou todas as suas fichas. A carroceria em dois volumes bem destacados, a frente alta e agressiva, laterais bem definidas por diferenças cromáticas e uma traseira robusta seguem a cartilha dos aventureiros mais desejados.

Novo SUV Citroën C4 Cactus_20Além de fazer o dever de casa, a Citroën caprichou nos detalhes para diferenciar o seu modelo. O conjunto de iluminação dianteiro é dividido em três patamares: luzes de posicionamento diurno acima, faróis ao centro e faróis de neblina abaixo.

Os mais desavisados poderão dizer que essa solução foi copiada da Fiat Touro mas, provavelmente, ocorreu o oposto, pois o Citroën C4 Cactus original já apresentava esse recurso de estilo e foi projetado antes da picape da marca italiana.

As laterais se diferenciam pelas molduras plásticas que cobrem toda a base das portas (elas substituíram as “almofadas” existentes no Cactus original). Também se destacam a coluna “C” em formato de barbatana de tubarão e a possibilidade de escolher as cores do teto, das capas dos retrovisores, das peças de acabamento dos faróis de neblina e dos detalhes decorativos inseridos nas proteções das portas mencionadas acima.

Novo SUV Citroën C4 Cactus_2Por falar em cores, o modelo terá, apenas, seis opções (preta e branca sólidas, prata, cinza, azul e branca metálicas). Mas essa possibilidade de customização, realizada na linha de pintura da fábrica, amplia a oferta para 14 combinações possíveis.

O mais interessante desse recurso é que uma cor pode ser aplicada ao teto e outra às colunas, deixando o primeiro com um “aspecto flutuante”, nas palavras dos engenheiros da marca.

Na traseira, a assinatura luminosa em 3D das lanternas é o elemento marcante, talvez o que mais irá  destacar o C4 cactos em meio a tantos SUVs que invadiram as ruas brasileiras.

Se o exterior desenvolvido no Brasil ganhou a Europa, o interior feito aqui, também para a América Latina, é uma simplificação em relação ao europeu original.  Mais monocromático e com materiais mais rígidos nos painéis, ele está na média da categoria nacional, mas bem distante da qualidade dos acabamentos e da ousadia do design interno apresentado em seu continente de origem.

NOVO_SUV_CITROËN_C4_CACTUS_1_bxPorém, o espaço é o mesmo. Com 2,60 metros de entre-eixos, existe boa área para as pernas de quatro ocupantes. O túnel central elevado compromete o conforto do quinto passageiro. O desenho quadrado da carroceria garante bom espaço para os ombros de todos.

Para as cabeças, também há espaço suficiente, apesar da pequena área envidraçada dar uma impressão contrária. Como não existe mágica, se o piso é alto e o teto baixo, as pernas ficam levemente flexionadas, sem apoiar totalmente nos bancos.

Todas as peças internas apresentam um desenho horizontal com formas arredondadas nas extremidades. O padrão se repete nos detalhes, alguns em baixo e, outros, em alto-relevo. O conjunto cria um ambiente dinâmico e moderno, mas a falta de cores e matérias mais nobres dão uma impressão de simplicidade ao interior.

NOVO_SUV_CITROËN_C4_CACTUS_3_bxSão três padrões de revestimento: em tecido simples, na versão de entrada, em tecido canelado, na intermediária e um revestimento em material sintético que imita o couro, na versão de topo de linha.

O painel de instrumentos é 100% digital, muito bem definido, mas não é configurável. Ele destaca a velocidade, a marcha engatada e o giro do motor. A temperatura da água e o modo de condução aparecem em segundo plano.

Informações do computador de bordo ficam em terceiro. Seguindo nessa linha, até os controles de ventilação e do ar-condicionado são feitos através da tela de sete polegadas do sistema multimídia. Contudo, são poucos os botões físicos no painel central. Dependendo da versão, menos botões que no volante.

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Três versões de acabamento e duas opções de motorização

A versão de entrada é a Live, oferecida somente com motor 1.6 aspirado e câmbio manual de cinco marchas. Direção elétrica, ar-condicionado integrado à central multimídia, luzes de posicionamento diurno em LED, rodas em aço de 16 polegadas com pneus 205/60 R16 e calota, volante com comandos integrados e regulagem em altura e profundidade, Citroën Connect Radio com tela touch de 7 polegadas, bluetooth e 6 alto-falantes, vidros, retrovisores e travas elétricas,  assentos dianteiros reguláveis em altura, banco traseiro com três apoios de cabeça, cintos de três pontos e sistema Isofix,  airbags frontais duplos e ABS são os principais equipamentos de série.

A versão intermediária é a Feel. Ela pode ser configurada com o câmbio manual ou com o automático de seis marchas que permite trocas na alavanca, mas não tem aletas atrás do volante. O motor também é o 1.6 aspirado.

A mais que a Live, ela traz faróis de neblina, câmera de ré, rodas em alumínio de 17 polegadas, alarme perimétrico, comando de um toque para todos os vidros e piloto automático.  A configuração automática acrescenta controle de estabilidade, assistência de saída em rampas e detector de pressão dos pneus.

Novo SUV Citroën C4 Cactus_29A variante Feel Pack ainda acrescenta abertura das portas sem chaves, dois airbags laterais, rodas diamantadas, barras do teto elevadas, volante revestido em material bicolor, sensor de chuva e acionamento automático dos faróis.

A versão de topo de linha é a Shine. Seu motor é o 1.6 turbo e o câmbio é o automático. Além do motor, ela se difere da Feel Pack pelos bancos em material que imita couro e por trazer um sistema de programação do controle de estabilidade que melhora a aderência na neve, na areia e no barro.

Essa versão pode contar com o opcional Shine Pack que equipa o modelo com mais dois airbags de cortina e diversos sistemas de auxílio ao condutor: frenagem automática, alerta de colisão, alerta de saída de faixa, alerta de atenção do condutor e indicação de descanso.

NOVO_SUV_CITROËN_C4 Cactus_Interior_4Motores – O motor 1.6 aspirado gera com etanol 122 cv e um torque de 16,4 kgfm a 4.000 rpm nas versões manuais. Quando associado ao câmbio automático, rende 118 cv e um torque máximo de 16,1kgfm a 4.750 rpm.

Suas principais características são: não ter reservatório de gasolina para partida a frio, comando variável de abertura das válvulas, bomba de óleo com pressão variável e coletor de admissão confeccionado em plástico.

O motor turbo THP 1.6 16V bicombustível é capaz de acelerar o C4 Cactus  de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos (com etanol) e atingir uma velocidade máxima de 212 km/h. Ele oferece potência máxima de 173 cv (etanol) ou 166 cv (gasolina) e um torque máximo de 24,5 kgfm.

O torque máximo já aparece a 1.400 rpm, permanecendo constante até 4.000 rpm. Suas principais tecnologias são: injeção direta sequencial, turbo compressor do tipo Twin-scroll, cabeçote com dois eixos de comando e 16 válvulas com comando variável, bomba eletrônica de alta pressão, cárter duplo, entre outras.

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Fotos: Pedro Bicudo / Citroën / Divulgação

Rodando – Avaliamos a versão mais equipada, a Shine Pack 1.6 THP. O modelo mostrou ótimo desempenho, entregou muito conforto de marcha, mesmo sendo bem estável. O isolamento acústico é bastante eficiente.

Apenas nas acelerações máximas o barulho do motor invade a cabine. Se no asfalto o C4 Cactus agradou, na estrada de terra e em pequenas trilhas, ele surpreendeu. Mesmo nas partes mais críticas, manteve a tração e em nenhum momento bateu o fundo em lombadas.

Com 22º de anglo de ataque, 32º de ângulo de saída e 225mm de altura livre do solo, ajudado pela programação do controle de estabilidade, seu desempenho no fora de estrada foi além do esperado.

O C4 Cactus é o produto certo para a Citroën recuperar o prestígio perdido e melhorar sua participação no mercado. Para ajudar ainda mais, a marca lançou diversas ações de venda e pós-venda que vão do bônus no carro usado, passando por descontos no seguro e nas manutenções e finalizando na recompra do modelo na ocasião da troca por outro 0 km da própria Citroën.

Preços e Versões:

Live 1.6 (manual) – R$ 68,99 mil

Feel 1.6 (manual) – R$ 73,49 mil

Feel 1.6 (automático) – R$ 79,99 mil

Feel Bussiness PcD 1.6 (automático) – R$ 69,99 mil

Feel Pack 1.6 (automático) – R$ 84,99 mil

Shine 1.6 THP (automático) – R$ 94,99 mil

Shine Pack 1.6 THP (automático) – R$ 98,99 mil

* O colaborador viajou a convite da Citroën

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