Novo VW Jetta chega ao mercado em duas versões, com preços de R$109,99 mil e R$119,99 mil

Amintas Vidal*

de São Paulo (SP)

Versões Comfortline e R-Line justificam os preços acima da concorrência  pelo pacote tecnológico e o comportamento dinâmico

Novo Jetta Comfortline 250 TSI (1)Firme na empreitada em retomar a liderança do mercado nacional, a montadora alemã apresentou seu 11º lançamento, de um total de vinte, todos prometidos até 2020. Oferecer uma ampla linha de modelos, assim como fez a Fiat ao liderar as vendas no Brasil, pode ser uma receita de sucesso, mas posicionar tantos produtos em um mesmo portfólio não é tarefa fácil.

Para distanciar o Jetta, sedan médio, do Virtus, sedan compacto premium, e ainda deixar espaço para encaixar o SUV compacto T-Cross, que será lançado em novembro e começa a ser vendido em 2019, a Volkswagen optou em oferecer a 7ª geração do sedan bem equipada, entretanto, cara.

A versão de entrada, Comfortline, ficou com preço acima do Toyota Corolla XEI, do Honda Civic ELX e do Chevrolet Cruse LTZ, os principais concorrentes e suas respectivas versões mais vendidas.

Novo Jetta Comfortline 250 TSI (3)Já a versão de topo da gama, a R-Line, ficou com preço acima da versão Altis do Corolla e abaixo da versão Touring do Civic. Se não será pelo bolso, a Volkswagen vai tentar fisgar os fieis consumidores das outras marcas pelos equipamentos oferecidos, pelo moderno conjunto mecânico e pelo comportamento dinâmico exemplar.

Na matéria anterior sobre o Jetta, publicada no Diário do Comércio na última sexta-feira (21/09), apresentamos o novo produto e listamos os principais equipamentos das duas versões.

Nessa, vamos falar da estrutura e do design do modelo, explicar as funções dos principais equipamentos tecnológicos disponíveis e contar nossas primeiras impressões em breve test-drive com a versão Comfortline, realizado entre São Paulo, capital, e Cabreúva, no interior do estado.

Novo Jetta Comfortline 250 TSI (29)Apesar do novo Jetta crescer em todas as direções, as diferenças foram pequenas, mas foram importantes. A distância entre-eixos é 37mm maior, mais espaço para as pernas dos ocupantes do banco de trás.

Na largura interna, o ganho foi de 21 mm, ombros mais folgados também. Essas diferenças resultaram em um aumento de 43mm no comprimento total, porém, a frente e a traseira estão menos simétricas, pois o balanço dianteiro recuou 10mm e o traseiro cresceu 16mm, algo que, segundo os engenheiros da marca, garantiu um desenho mais dinâmico à carroceria.

Mesma base dos modelos Polo, Virtus, Golf e Tiguan Allspace, a matriz modular MQB permitiu essas mudanças, assim como a construção de uma estrutura com quatro tipos de aços: carbono comum, de alta resistência, de extra-alta resistência e de ultra-alta resistência, o que garantirá muitas estrelas no teste de colisão.

Outra tecnologia está na laminação variável desses aços. Espessuras diferentes na chapa usada em uma única peça permite aplicar apenas a massa necessária em cada ponto da estrutura e, assim, diminuir o peso total do modelo.

Além dos ganhos estruturais e da diferença de medidas, o Jetta teve seu novo design inspirado no irmão maior, o Passat, e em alguns elementos encontrados nos carros da Audi, divisão de veículos premium do grupo Volkswagen.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (2)Destacam-se a grade frontal trapezoidal com um largo friso cromado na parte superior e os pronunciados vincos laterais que partem das caixas de rodas, passam pelas maçanetas e contornam a traseira sobre as lanternas.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (73)As janelas tiveram a área ampliada horizontalmente, incluindo uma terceira abertura na coluna “C”. Mas, o que mais chama a atenção, e vêm de série em ambas as versões, sãos os faróis, lanternas e, logicamente, as luzes de posicionamento diurno, todas em LED. Muitas vezes, as únicas a receberem essa tecnologia nos modelos da concorrência são as diurnas (DRL).

Novo Jetta R-Line 250 TSI (76)Internamente, o Jetta ganhou em design e em qualidade dos materiais. O painel, agora assimétrico, passou a ser organizado na horizontal, ligando os marcadores com o sistema multimídia em uma única linha voltada para o condutor.

As demais peças também apresentam desenho alongado e angulado, como o do painel, tornando o interior mais dinâmico, assim como aconteceu no exterior. Os materiais de acabamento são emborrachados nos painéis, macios nas portas dianteiras, mas quase inexistentes na parte traseira.

Exceto nos apoios dos braços, os painéis das portas traseiras são em plástico rígido mesmo. O mais estranho é que, nem o aplique que simula material metálico, existente no painel e nas portas dianteiras, está presente nas portas traseiras.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (33)Parece até que a frente é de uma versão e a traseira é de outra, inferior. Novamente, o grande diferencial em relação aos concorrentes está na iluminação.

Um sistema de ambientação luminosa, também em LED, permite configurar até 10 cores que são projetadas nos painéis frontal e central e nas portas. As luzes dos instrumentos e central multimídia também seguem essa programação, tornando o ambiente mais integrado visualmente.

Um recurso eletrônico que utiliza essas luzes é o seletor do perfil de condução: branca para normal, vermelho para esportivo, azul para econômico e qualquer uma das dez disponíveis para o individual.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (18)

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Novo Jetta R-Line 250 TSI (20)Esse recurso altera a peso da direção elétrica, as respostas do motor e do câmbio, a interferência eletrônica dos auxiliares de condução e os parâmetros do ar-condicionado visando atingir o melhor rendimento dinâmico, seguindo as prioridades do condutor.

Tanto este recurso, quanto o ar-condicionado digital de duas zonas, podem ser controlados pela central multimídia que vem de série nas duas versões.

O Discover Media, com tela de 8 polegadas, permite conectividade avançada com os smartphones por meio do App-Connect (Android Auto, Apple CarPlay e Mirrorlink) e oferece navegação por GPS nativo.

Todo este sistema pode ser controlado de qualquer smartphone ou tablet através do aplicativo Volkswagen Media Control. Por conexão wi-fi é possível acessar diversas funções da central e controlá-la de qualquer lugar do carro usando os dispositivos móveis.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (59)

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Novo Jetta R-Line 250 TSI (56)Ainda de série nas duas versões, e com funções diferenciadas em relação à concorrência, podemos destacar o sistema Start/Stop 2.0 e o sistema de auxílio ao estacionamento dianteiro e traseiro.

O primeiro, além de desligar o motor quando o carro está parado e o pedal de freio acionado, liga o mesmo quando o freio é liberado e poder ser desativado.A sua nova programação desliga o motor uma fração de segundo antes do carro parar totalmente, algo que, mesmo imperceptível ao condutor, aumenta ainda mais a economia de combustível.

A outra função interessante está associada aos sensores de estacionamento traseiros. Em manobras de saída de vagas, se o condutor ignorar os avisos de aproximação dos obstáculos, o freio é acionado eletronicamente, sem a intervenção do motorista, para evitar a colisão com os mesmos. Essa função atua apenas em velocidades entre 1,5 km/h e 10 km/h.

Como publicamos na matéria anterior, a versão R-Line  tem  todos os equipamentos da versão Comfortline e alguns exclusivos: o Active Info Display (painel digital programável), controlador automático de velocidade (ACC), Front Assist com função City Emergency Brake, Sistema de Frenagem Pós-Colisão, Detector de Fadiga e regulagem automática do farol alto (FLA).

Novo Jetta R-Line 250 TSI (38)O Active Info Display, o mesmo disponível para o Polo, o Virtus e o Tiguan Allspace, permite inúmeras configurações que podem privilegiar os dados de condução ou os de navegação ou os de assistência ao motorista.

O ACC, uma evolução dos controladores de velocidade (conhecidos como piloto automático), usa um radar localizado na grade frontal do modelo para manter uma distância pré-programada em relação aos veículos à frente, acelerando e freando conforme a necessidade.

Este sistema ainda para o carro e acelera em situações de engarrafamento, além de poder ser programado para os perfis de condução normal, esporte e econômico.

O Front Assist (sistema de monitoramento frontal), com City Emergency Braking, ajuda o motorista em situações de pré-colisão em velocidades acima de 65 km/h, alertando o condutor por meio de sinais (visual ou sonoro) no primeiro estágio.

Já no segundo estágio, por meio de um breve solavanco. Caso o motorista não freie forte o suficiente, o sistema automaticamente gera força de frenagem para tentar evitar uma colisão. Se ainda assim o motorista não reagir, o Front Assist freia o carro automaticamente para proporcionar mais tempo para reação.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (74)O sistema também auxilia o motorista dando um sinal caso o carro se aproxime demais do veículo à frente. A função City Emergency Braking é uma extensão do Front Assist. Ela monitora a área à frente do carro e só funciona abaixo de 30 km/h. Se houver perigo de colisão com um veículo, andando ou parado, à frente do carro e o motorista não reagir, o sistema de freios é pré-condicionado da mesma forma que com o Front Assist.

Se necessário, o City Emergency Braking começa a frear com força para reduzir a severidade do impacto.

O Sistema de Frenagem Automática Pós-Colisão (Automatic Post-Collision Braking System) aciona automaticamente os freios do veículo quando ele se envolve em uma batida, para reduzir a energia cinética residual.

O acionamento do sistema de frenagem pós-colisão se baseia na detecção da colisão inicial pelos sensores dos airbags. Segundo pesquisas realizadas nos EUA, 22% dos acidentes fatais ocorrem em colisões sequenciais.

O Detector de Fadiga reconhece a perda de concentração do motorista e o alerta por meio de um sinal sonoro durante cinco segundos. Uma mensagem visual também aparece no painel de instrumentos, recomendando uma parada para descanso.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (14)Se o motorista não parar dentro dos próximos 15 minutos, o aviso é repetido. Logo no início de cada viagem, o sistema analisa vários fatores, inclusive o comportamento individual do motorista ao volante. Durante a viagem, o sistema de detecção de fadiga avalia continuamente os vários sinais, como o ângulo de esterço do volante. Se os dados do monitoramento indicarem um desvio do comportamento registrado no início da viagem, são acionados os sinais sonoro e visual.

O Assistente de luz para farol alto (FLA – Front Light Assist) opera ativando ou desativando automaticamente o facho alto do farol. O FLA analisa o tráfego à frente ou em sentido contrário por meio de uma câmera instalada no para-brisa e, automaticamente, controla a ativação do farol alto. O sistema opera a partir da velocidade de 60 km/h.

O único opcional disponível para as duas versões é o teto solar. Ele custa R$4,99 mil e é chamado de “panorâmico” pela montadora. Entretanto, ele é formado por duas grandes lâminas de vidro na parte externa, o que dá uma aparência de teto inteiriço mas, por dentro, a abertura não é das maiores e abrange um pouco mais que a parte da frente do carro, não se sobrepondo à parte traseira, como acontece com os tetos considerados panorâmicos.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (16)Apesar de muito bem equipado em ambas as versões, o novo Jetta não conta com dois equipamentos bem comuns para essa categoria e mesmo para modelos mais simples. Ambos não dispõem de aletas no volante para as trocas de marchas sequenciais e também não tem saídas do ar-condicionado e tomadas USB para os ocupantes do banco de trás.

Considerando que Gol e Voyage já podem ter as aletas, como opcionais, e Polo e Virtus, além das aletas, oferecem também as saídas de ar e as tomadas USB, seria de se esperar que o Jetta tivesse esses itens em sua lista de itens de série. Mas não estão disponíveis nem como opcionais.

Costuma-se dizer que um carro é tão bom quanto é a plataforma sobre a qual ele é construído. No caso do Jetta, ele está sobre uma das melhores plataformas existentes no mundo, a modular MQB. Também observamos que todos os modelos que estão sobre uma mesma plataforma apresentam comportamento dinâmico semelhante, apenas diferenciado pelas características físicas de cada carroceria.

Temos como referência todos os modelos que já utilizavam essa base (Golf e Golf Variant, Polo, Virtus e Tiguan Allspace). Apesar de semelhantes dinamicamente, cada um tem altura, peso e distribuição de massa diferentes. Contudo, o acerto das suspensões também pode variar.

No caso do Jetta, ele se assemelha mais ao Golf Variant, pois o balanço traseiro (medida do centro da roda traseira até o limite do para-choque traseiro) de ambos é maior que dos dois hatches.

Motor 1.4 TSI Total FlexTambém são mais pesados que o Virtus e mais baixo que o Tiguan Allspace.  Essas características deixaram o Jetta mais confortável para todos os ocupantes, tanto dos bancos da frente como dos bancos traseiros. O carro ficou muito macio e silencioso, mas também muito estável, ajudado por muita eletrônica.

Com o peso extra da porção traseira, sua suspensão trabalha em frequência mais baixa que nos outros modelos, garantindo conforto, mesmo no banco traseiro. Neste mesmo banco sobra espaço para as pernas e ombros de dois adultos, mas não existe área para os pés do quinto ocupante, pois o túnel central é desnecessariamente alto. No máximo uma criança pode ocupar essa posição.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (68)Câmbio e motor trabalham em harmonia com trocas suaves e boas respostas às trocas manuais feitas na alavanca do câmbio ou em comandos no acelerador. No perfil Sport, as respostas ficam mais imediatas, mas o conjunto se mostrou apenas adequado ao modelo, garantindo bom desempenho com relativa economia de combustível.

Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), o Jetta rende 10,9 km/l na cidade e 14 km/l na estrada com gasolina. Já com etanol, 7,4 km/l na cidade e 9,6 na estrada. Consumo bem melhor que os modelos com motor 2.0 da concorrência.

Novo Jetta R-Line 250 TSI (35)

Fotos: Pedro Danthas / Volkswagen / Divulgação

Seu isolamento acústico também é elogiável. Circulando nas boas estradas paulistas, e em velocidades entre 80 e 120 km/h, o silêncio interno era quebrado apenas pelo vento contra os retrovisores.

De outras partes da carroceria e dos pneus não chegavam ruídos à cabine. O motor só se fazia presente nas acelerações mais vigorosas mas, mesmo assim, não chegava incomodar, pois não era estridente.

Acreditamos que a Volkswagen tem um ótimo produto para disputar esse segmento de mercado que, apesar de estar perdendo espaço para os SUVs, ainda é muito expressivo no Brasil. O tempo irá dizer se os consumidores pagarão o preço para ter um carro bem mais equipado que seus concorrentes ou se manterão fieis aos líderes Toyota Corolla e Honda Civic.

De qualquer forma, ele deve disputar um lugar ao pódio com o Chevrolet Cruze e alcançar um volume de vendas compatível às cotas de importação a que estará sujeito, pois será trazido do México, tal como o sedan da GM, que é produzido na Argentina.

*o colaborador viajou a convite da Volkswagen

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