Jeep Compass prova que não se mexe em time que está ganhando

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 28/12/2018)

SUV continua imbatível na categoria

_MG_5807Lançado em 2016, o Jepp Compass arrancou aplausos dos jornalistas presentes ao evento, não por seu equilibrado design ou outra de suas diversas virtudes, mas sim, por seu preço inicial de R$100 mil reais.

Realmente, este valor estava mais próximo ao pedido por utilitários compactos da concorrência que por médios, uma precificação agressiva da Jeep. Mas a montadora também acertou ao colocar no mercado um produto adequado ao consumidor que ainda mantinha seu poder de compra, uma parcela da população que continuava a investir em um carro 0Km, apesar da crise econômica.

Em 2017, seu primeiro ano de venda cheia, o Compass surpreendeu o mercado tornando-se o SUV mais vendido do Brasil entre todos os tamanhos existentes. Uma façanha, deixando para trás pelo menos nove modelos mais baratos e um número ainda maior de opções mais caras.

Segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), no ano passado foram emplacados 49.187 unidades do modelo contra 47.775 do Honda HRV, o segundo colocado. Estes números foram tão expressivos que deixaram os dois modelos na 9ª e 10ª posições, respectivamente, entre todos os automóveis vendidos em nosso País.

Este ano a história se repetirá. Dados da mesma entidade indicam que, de janeiro a novembro, 55.522 Compass foram emplacados, garantindo novamente a liderança e a mesma posição no ranking (9ª). O Honda HRV continua atrás, um pouco mais distante, com 44.240 unidades, na 13ª colocação e seriamente ameaçado pelo Hyundai Creta que, com apenas 183 unidades a menos, deverá superá-lo no último mês do ano, considerando seu forte crescimento em vendas.

Contudo, os principais oponentes do Compass estão brigando pela vice-liderança, mas sem chances de acenderem ao topo do pódio.

_MG_5850Compass 2019 – Há exato um ano e dois meses, nós avaliamos o Compass Longitude Flex 2018. DC Auto recebeu o modelo 2019 na mesma versão para uma nova avaliação e constatamos que suas mudanças foram poucas.

Ele ganhou novas rodas, pequenos detalhes de acabamento e um remanejamento na lista de itens de série e opcionais. Também sofreu aumento no preço, mas, segundo a Jeep, comparado ao modelo 2018 equipado com os mesmos itens, o 2019 ficou mais em conta.

Itens de série – O Jeep Compass Longitude automático 2.0 flex (2019) está com preço sugerido, no site da montadora, de R$ 124,99 mil. Seus principais itens de série são: ar-condicionado automático dual zone, ABS, airbags dianteiros, aletas para trocas de marcha atrás do volante, bancos revestidos parcialmente em material que imita couro, chave de presença com telecomando para abertura de portas e vidros “Keyless Enter ‘n Go”, comandos do sistema de áudio e bluetooth no volante, controle de estabilidade (ESC), controle de tração, controle de estabilidade para trailler e controle eletrônico anti-capotamento.

Também estão presentes: câmera de estacionamento traseira, direção elétrica, espelhos retrovisores externos com rebatimento elétrico, faróis e lanternas com assinatura em LED, freio de estacionamento eletrônico, hill start assist, Isofix, luzes diurna (DRL), novas rodas em liga leve aro 18 polegadas e pneus 225/55, piloto automático, quadro de instrumentos com tela de 7 polegadas em TFT, sensor de estacionamento traseiro, sistema Start&Stop e de monitoramento de pressão dos pneus, sistema de áudio com 6 alto falantes , USB e bluetooth, tela touchscreen de 8,4 polegadas, espelhamento através do Apple Carplay e Android Auto com comando por voz, entre outros.

Pacotes opcionais – A unidade avaliada estava equipada com apenas dois pacotes de equipamentos opcionais. O Pack Premium (R$ 3,2 mil), que acrescenta o acendimento automático dos faróis, faróis em xênon, sensor de chuva, retrovisor interno eletrocrômico e o sistema de som premium Beats, de 506 W.

O segundo conjunto opcional, Pack Safety (R$ 3,5 mil) agrega segurança com airbag de joelho para o motorista, airbags laterais e airbags de cortina. Ainda estão disponíveis mais dois pacotes, o Protection (R$ 900,00) que contempla um conjunto de para-barros nas quatro rodas.

O teto solar panorâmico é um opcional com preço de um carro velho, R$ 7,7 mil, mas já vem com os protetores do pacote anterior, o que não transforma a cobertura de vidro em uma pechincha, definitivamente.

_DSC2468Motor e câmbio – Todas as versões bicombustível do Compass contam com o motor Tiguershark 2.0 Flex de 4 cilindros. Ele tem bloco e cabeçote em alumínio e comando acionado por corrente com abertura variável de válvulas, tanto na admissão quanto no escape.

A aspiração é natural, sem turbo, mas seus números são bons: desenvolve 166/159 cv às 6.200 rpm e tem torque de 20,5/19,9 kgmf às 4.000 rpm com etanol e gasolina, respectivamente. O câmbio é automático de 6 velocidades. Nessa configuração de motor a tração é sempre 4×2, dianteira.

Dirigindo – Como esperado, nesta nova avaliação com o Compass, tivemos experiência quase idêntica à anterior, uma vez que não ocorreram mudanças mecânicas. Mesmo já acostumados, seu comportamento dinâmico ainda nos impressiona, pois ele inclina pouco, é estável em curvas e entrega mais conforto que a maioria dos veículos com essas mesmas características dinâmicas.

Suas suspensões são independentes nos dois eixos e absorvem bem as imperfeições do asfalto e da terra. A prova deste bom trabalho pode ser ouvida nos pneus que, por serem de perfil baixo, sofrem sobre o piso ruim emitindo ruídos das “pancadas”, mas sem que o impacto chegue à cabine. Por sinal, circulando em boas estradas aos 110 km/h e na sexta marcha, o motor gira às baixas 2.300 rpm, imperando o silêncio no interior do Compass.

A direção elétrica é bem calibrada e se adequa corretamente às diversas situações. O câmbio tem trocas suaves e responde bem aos comandos do acelerador. Na outra avaliação nós criticamos a pouca permissividade do câmbio ao comandá-lo pelas aletas, e como não houve mudanças mecânicas, ele ainda continua conservador, impedindo trocas que elevem o giro próximo ao limite de segurança.

_DSC2507

_DSC2511Mas é bom dizer que continua um equipamento muito útil, tanto para estradas como para cidades, principalmente para comutar reduções em ultrapassagens, mas também para o uso do freio motor. Isso, além de gerar conforto à condução, aumenta a segurança, a economia de combustível e diminui drasticamente o desgaste das pastilhas e discos de freio.

O motor garante um bom desempenho ao Compass, até com alguma sobra, já que SUVs não foram feitos para altas velocidades. Considerando seu peso, 1.500 kg, ele acelera e retoma muito bem, mesmo sendo um modelo sem injeção direta e turbo.

Consumo – Contudo, o Tiguershark não é tão econômico quanto os motores sobrealimentados que entregam potência e torque semelhantes aos dele. O consumo foi de 7 km/l na cidade e 13 km/l na estrada, sempre com gasolina e ar-condicionado ligado.

Em relação à avaliação do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), 8,8 km/l na cidade e 10,8 km/l na estrada, obtivemos média urbana pior e rodoviária melhor. Acontece que no mês de dezembro o trânsito de Belo Horizonte é muito congestionado devido às chuvas e às festas de fim de ano. Já em estradas, conseguimos andar de forma bem econômica.

O tanque de combustível comporta 60 litros e, o porta-malas, 410 litros. Medindo 4,42 metros de comprimento e 1,82 metro de largura, ele é mais ágil que suas dimensões sugerem, mas não há mágica na hora de estacionar, mesmo com boa visibilidade para todos os lados e usando a eficiente câmera de marcha à ré com traços gráficos de posição e esterço e os sensores de estacionamento.

_MG_5804

Fotos: Amintas Vidal

Ele dá trabalho em vagas e garagem. Já seus 2,64 metros de entre-eixos garantem um bom espaço para todos, assim como o cinto de três pontos e o encosto de cabeça presentes em todos os assentos completam a segurança a bordo.

O Compass é 2,0 cm mais baixo que seu irmão menor, o Renagade, apesar de ser 18,4 cm mais longo e 2,1 cm mais largo. Por isso, seu comportamento dinâmico se aproxima mais de um carro de luxo que de um fora de estrada.

Para um Jeep, isso pode soar como desvantagem, mas não é. A grande maioria dos seus felizes proprietários jamais o levará para uma voltinha na terra, por isso, esse “cordeiro em pele de lobo” tem feito tanto sucesso em nossas selvas urbanas.

*Colaborador

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s