Avaliamos a Frontier Attack, que retorna ao portfólio da picape da Nissan

Amintas Vidal*

Essa versão substitui a antiga SE e chega ao mercado com o preço sugerido de R$153,59 mil

_MG_6538Os anos 90 foram decisivos para as novas marcas de automóveis que chegaram ao Brasil após a liberação das importações pelo governo Collor. Neste período, o mercado formou sua opinião sobre cada montadora. Além desta imagem individual, elas consolidaram conceitos coletivos, atribuídos a determinadas marcas originadas de um mesmo país.

Capitaneadas por Honda e Toyota, as japonesas se notabilizaram por produzirem carros com acabamentos de qualidade, mecânica durável e, consequentemente, bom valor de revenda. Outra percepção atribuída às nipônicas é sua vocação para o fora de estrada.

Exceto a Honda, todas oferecem, ou ofereceram, mais de um modelo 4×4 em suas linhas. Nissan, Toyota e Mitsubishi sempre tiveram picapes e SUVs em seus showrooms. A Suzuki tornou-se referência off-road com seus “jeeps” compactos e, a Subaru, além de utilitários vende versões esportivas de seus carros, equipadas com tração integral.

_MG_6595A Nissan ofereceu alguns SUVs e crossovers que fizeram companhia à picape Frontier, o seu modelo mais longevo no Brasil. Pathfinder, XTerra e X-Trail ajudaram na imagem aventureira que a marca desfrutou no mercado nacional, principalmente nos anos 2000.

Atualmente, apenas a Frontier e o SUV compacto Kicks defendem essa bandeira, oferta insuficiente para sustentar esse status.

Se o legado de outrora, quase esquecido pela Nissan, não tem ajudado nas vendas da Frontier, com certeza influenciou no ótimo projeto desta 12ª geração da picape e foi determinante para reedição da versão Attack, variante que fez muito sucesso nas duas gerações anteriores.

A geração atual foi lançada em março de 2017, importada do México na versão de topo da gama, LE. Em novembro do mesmo ano, chegou a versão intermediária, SE, de mesma origem. No fim de 2018, ela passou a ser produzida na nova planta da Nissan localizada em Córdoba, Argentina, como modelo 2019.

_MG_6428Além de detalhes estéticos, e algumas mudanças técnicas, houve ampliação no número de versões, de duas para quatro. Nesta fábrica, e sobre a mesma base mecânica da Frontier, a Nissan monta as picapes Renault Alaskan e Mercedes-Benz Classe X, mais um atestado da qualidade da picape da marca japonesa.

Frontier Attack – DC Auto recebeu a Frontier Attack 4×4 automática para avaliação. Substituta da versão intermediária SE, a Attack manteve seu preço, tabelado em R$153,59 mil. Ela traz mudanças estéticas (como adesivos laterais com o nome da versão e a inscrição “4×4” na cor prata) e alguns equipamentos a mais.

Também foram adotados adesivos sobre o capô, grade frontal, protetor do para-choque dianteiro, para-choque traseiro, estribos laterais, “santantônio” e rack de teto, tudo na cor preta.

Farol com máscara negra, rodas escurecidas calçadas com pneus 225/70 R16 todo terreno, câmera de marcha à ré, central multimídia com tela de 8 polegadas e  possibilidade de espelhamento através dos aplicativos Android e iOS e controle de áudio no volante completam a lista de diferenciais em relação à antiga Frontier SE.

_MG_6601Ar-condicionado, direção hidráulica, duplo airbag, ABS, controle eletrônico de tração e estabilidade, controle automático de descida e sistema de auxílio de partida em rampa são alguns dos principais equipamentos presentes que já faziam parte da versão anterior.

Todas as versões da Frontier têm cabine dupla e tração 4×4. A básica, S, é a única com câmbio manual de 6 marchas e motor diesel 2.3 16V com apenas um turbo e 160cv de potência. As versões LE, XE e Attack são equipadas com o mesmo motor, porém biturbo, que desenvolve 190cv e 45,9 kgfm de torque entre 1.500 e 2.500 rpm.

Nesta configuração de motor, o câmbio é automático de 7 velocidades com possibilidade de trocas manuais sequenciais através da alavanca de comutação das marchas. O sistema de tração integral permite circular em 4×2 traseira, 4×4 e 4×4 reduzida.

_MG_6604Segundo os engenheiros da marca, apesar de não haver bloqueio de diferencial, uma nova programação do ABS permite identificar e bloquear uma roda sem tração para transferir a força para outra roda que tenha aderência, fazendo a função que seria daquele recurso, ausente na Frontier.

Destaques – Circulamos por mais de 600 km, em vias de asfalto e terra, suficiente para uma boa avaliação dentro e fora de estrada. Nesse vermelho sólido, a Frontier Attack chamou atenção por onde passou, atraindo olhares admirados.

O belo, mas discreto design desta geração, ganhou realce com o contraste dos adesivos nas cores prata e preto, bem como os equipamentos externos, também pintados em preto. As pessoas acreditavam se tratar de uma versão superior.

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_MG_6584Mas ao verem por dentro, entendiam que era uma intermediária. O revestimento dos bancos em tecido, o painel, portas e consoles em plástico duro, além do ar condicionado manual, entregavam sua origem “classe média”.

Por outro lado, a central multimídia com tela de 8 polegadas e os controles no volante (este revestido em material que imita couro, assim como as alavancas de marcha e de freio de mão) foram equipamentos acrescidos em relação à antiga SE que agradaram à todos.

Os apoios de braço nas portas, revestidos em tecido acolchoados, o apoio de braço central do banco traseiro, agora com porta copos e as saídas do ar-condicionado para parte de trás da cabine receberam elogios dos passageiros.

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IMG_20190128_163356Vale lembrar que o modelo 2019 também ganhou os importantes ganchos Isofix para ancoragem de assentos infantis, cinto de três pontos e encosto de cabeça na posição central do banco traseiro.

IMG_20190128_164339Suspensão traseira é digna de elogios

Motivo de discórdia na imprensa especializada, a suspensão traseira da Frontier merece elogios. Realmente, ela não deveria ser chamada de multilink, pois este nome caracteriza sistemas independentes que utilizam múltiplos braços.

Ainda dependente e com eixo rígido, o projeto da Nissan é inovador, pois usa quatro braços, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores. Unir este tipo de mola com amortecedores, quando se utiliza eixo rígido, não é novidade, mas em um veículo de transporte de carga, sim.

Contudo, a Frontier tem a melhor suspensão traseira do mercado. Ao contrário da maioria das picapes médias, que pulam muito quando estão leves, este sistema da Nissan oscila em frequência mais baixa e com maior amplitude.

_MG_6227Não transforma o modelo em um sedan, mas melhora muito o conforto de marcha. Além disso, ela garante estabilidade condizente com o peso e altura do veículo e mantém o eixo traseiro mais tempo em contato com o solo, garantindo mais segurança direcional.

Já o conjunto suspensão dianteira e direção hidráulica está na média do mercado, nem muito pesada, nem muito leve, calibração suficiente para ser confortável, sem sobras.

Motor e câmbio – O conforto acústico na Frontier é muito bom. Diversos materiais isolantes e os vidros especiais tornam a cabine bem silenciosa. Aos 110 km/h, e em sétima marcha, o motor gira a pouco mais de 2000 rpm.

_MG_6257Nesta situação praticamente só se ouve o vento contra a carroceria e quase nada do motor e dos pneus. Rodando de forma econômica atingimos até 14 km/l em estradas, nos trechos mais planos, uma boa média para o tamanho e peso do veículo.

Quando exigido, o conjunto motor e câmbio deu conta do recado, com boas acelerações e retomadas. O câmbio é suave nas trocas, mas as primeiras três marchas são bem reduzidas, bom para quando a picape está carregada, mas um tanto travado para rodar sem peso na caçamba.

Trocar as marchas manualmente ajudou no freio-motor e nas reduções para ultrapassagens, apesar do sistema ser muito conservador e só permitir usar marchas que não elevassem muito o giro do motor.

_MG_6224Como em todos os câmbios automáticos comandáveis através da alavanca de câmbio, era preciso deslocar a mesma para acionar o modo manual.

Seu tanque comporta 80 litros e garantiu ótima autonomia. Já suas dimensões não ajudaram achar vagas na rua ou conseguir garagem que a coubesse. Ela mede 5,26 metros de comprimento e 1,85 metro de largura. Tem capacidade de 1.064 kg de carga. Já sua caçamba tem 1,50 metro, 1,56 metro e 0,47 metro (comprimento, largura e altura, respectivamente).

Com 30,3°de ângulo de ataque , 27,4° de ângulo de saída e 230 mm de altura livre do solo, rodamos por 100 km em estradas de terra e em algumas trilhas fáceis sem problemas. Como de costume, o conforto foi maior na terra que nas estradas de asfalto mal conservadas.

_MG_6589O que chamou a atenção foi o rodar sobre calçamento de pedras com a calibragem dos pneus para asfalto. Mesmo nessa condição, o conforto a bordo foi mantido, algo incomum em picapes.

O espelhamento do smartphone ajudou ao usarmos a navegação por GPS, mas um sistema nativo fez falta em regiões sem sinal de celular. O ar-condicionado é muito bom, mesmo não sendo automático.

_MG_6591Falhas – Algumas economias promovidas pela Nissan são imperdoáveis. O sistema de áudio só conta com alto-falantes na parte da frente da cabine, deixando a desejar na qualidade sonora.

Mas a pior mancada mesmo foi oferecer câmera de marcha à ré sem sensor de estacionamento. Em um veículo tão grande e pesado eles são imprescindíveis e este equipamento, relativamente barato, não poderia estar de fora de um veículo com este valor.

IMG_20190128_163317Como sempre opinamos sobre as picapes médias, elas só fazem sentido para quem realmente precisa transportar cargas. Viajando com apenas três pessoas, tivemos que usar o espaço restante da cabine para as bagagens, pois com as chuvas, não podíamos usar a caçamba.

Já para quem circula por estradas, precisa carregar grandes volumes e pesos maiores, a Frontier cumpre essas tarefas oferecendo mais conforto que suas principais concorrentes. No caso dessa versão Attack, ela irá agradar aos que valorizam um visual diferenciado, não fazem questão do ar-condicionado automático digital e também não querem gastar tanto para ter um modelo topo de linha.

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Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

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