Jeep Renegade começa 2019 com o pé direito

Amintas Vidal*

Avaliamos a versão Longitude do utilitário esportivo mais vendido em janeiro

_MG_6130Atualmente, não dá para falar de Jeep sem mencionar a Fiat. A montadora italiana nunca teve tradição no fora-de-estrada e, mesmo na Europa, não oferecia muitas opções de veículos 4×4. Apenas alguns modelos compactos, como o Panda e o Sedici e a picape média Fullback, ofereciam este recurso.

Na verdade, o Sedici era um Suzuki SX4 e, a Fullback, uma Mitsubishi L200. Da Fiat, só tinham o nome.

No Brasil, a Fiat foi a precursora dos modelos com aparência off-road quando lançou a grife Adventure, primeiramente na Palio Weekend, depois estendida à outros modelos. Além da aparência diferenciada, eles ganharam suspensões elevadas, pneus de uso misto e até um sistema de bloqueio da tração dianteira que ajudava transpor trechos de terra e lama, mas nada suficiente para construir uma forte imagem aventureira associada à marca.

É difícil precisar a origem desse desejo coletivo por veículos “não urbanos”, mas temos nosso palpite: com o excesso da industrialização pelo planeta, principalmente após a Segunda Grande Guerra, o ser humano se afastou do natural, passou a viver em grandes cidades e de forma muito artificial, longe da terra, das suas origens.

_MG_6103Querer um carro com aptidão para o fora de estrada representa a possibilidade de que a pessoa retorne à naturalidade perdida. Mesmo que ela jamais tome essa rota para o campo, saber que seu carro pode levá-la, ou aparentar poder, conforta.

Divagações à parte, o certo é que nunca foram vendidos tantos utilitários esportivos e picapes na história da indústria automotiva. Tanto que a Fiat comprou a Chrysler, dona da marca mais off-road do mundo, a Jeep.

Da união das duas empresas surgiu a FCA (Fiat Chrysler Automobiles). E a montadora italiana acertou o alvo: ao lançar produtos mais apropriados ao grande mercado, como o Renegade e o Compass, ela o fez resgatando toda a história e o DNA da Jeep em cada detalhe de estilo, além de manter a sua conhecida aptidão para superar obstáculos.

Mercado – Essa receita agradou em cheio o consumidor brasileiro que transformou o Renegade em um sucesso de vendas, disputando mês a mês a liderança do mercado de SUVs compactos com o Honda HRV, deste que foram lançados em 2015.

Em 2016 foi a vez do Jeep Compass, SUV médio com acabamento e conforto de carro de luxo e preço próximo aos SUVs compactos. Não deu outra: em pouco tempo ele superou os números do irmão menor e de todos os outros concorrentes, fechando os anos de 2017 e 2018 como o mais vendido entre todos os SUVs oferecidos no Brasil.

_MG_6093Neste começo de ano o compacto surpreendeu o médio. Segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em janeiro foram emplacados 4.783 unidades do Jeep Renegade contra 4.109 do Jeep Compass. Fechando o pódio, o Honda HRV, com 3.667 emplacamentos.

Protagonistas tradicionais do mercado de SUVs, os três foram os primeiros do segmento a figurarem na lista dos 10 automóveis mais vendidos, façanha que também ocorreu com outros concorrentes lançados posteriormente. Todos estes dados mostram a força desta categoria que deverá representar 30% das vendas totais de veículos até 2022 na América do Sul.

Reestilização – A linha 2019 do Renegade recebeu a primeira reestilização desde seu lançamento, em 2015. As mudanças foram poucas. O conjunto grade e faróis ficou mais estreito, recortado e posicionado mais para cima, ao ponto do capô esconder uma parte maior dos faróis, conferindo um “olhar” mais invocado ao modelo.

_MG_6115O para-choque dianteiro foi redesenhado na parte inferior, ampliando o ângulo de ataque para 30°, pois o anterior raspava até em entradas de garagens. A tampa do porta-malas ganhou maçaneta exposta no lugar da antiga que era escondida no vão entre a peça e o para-choque.

O refletor lateral agora é branco, antes era laranja. Incrivelmente, observar este detalhe é a forma mais fácil de identificar o modelo 2019 do Renegade, de tão sutis as diferenças promovidas. No mais, todas as rodas ganharam novos desenhos.

Internamente, a grande mudança foi a adoção do sistema multimídia de 8,4 polegadas, o mesmo do Jeep Compass. O painel que agrupa os botões de comandos do som e do ar-condicionado também ficou com lay-out parecido ao do irmão maior. Alguns novos nichos e pequenos detalhes de acabamento completam as novidades.

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Inalterados, motor e câmbio mostram eficiência

DC Auto recebeu o Jeep Renegade na versão Longitude 2.0 turbodiesel 4×4, automática, para avaliação. No site da Jeep ele é tabelado em R$127,99 mil.

Seus principais itens de série são: ABS, airbags dianteiros, aletas para troca de marcha atrás do volante, ar-condicionado automático de duas zonas, bancos revestidos parcialmente em material que imita couro com costura cinza, controles de estabilidade, tração e anti capotamento, câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro, direção elétrica, HDC (controle eletrônico de velocidade em descidas) e assistente de saída em rampas, rodas em liga de 18 polegadas calçadas com pneus 225/55, sistema multimídia com tela touch de 8.4 polegadas e conexões USB e bluetooth com possibilidade de espelhamento por Apple Carplay e Android Auto, entre outros.

A unidade avaliada contava com o opcional Pack Safety, de R$3,88 mil, que inclui os airbags laterais, de cortina e de joelho.

Motor e câmbio – O conjunto mecânico não passou por alteração, e nem precisava. É eficiente dinamicamente e muito econômico. O motor de 4 cilindros é o Multijet 2.0 turbodiesel com injeção direta e duplo comando acionado por correia dentada. Ele desenvolve 170cv de potência às 3.750 rpm e torque de 35,69 kgfm às 1.750 rpm.

_MG_6158O câmbio é automático com conversor de torque e 9 marchas. A tração é integral e permanente e conta com programação para areia, neve, lama ou automática, além de funcionar em reduzida e com bloqueio do diferencial, tudo comutável por botão localizado no console central.

Por ser mais alto e ter menor distância entre-eixos, o Renegade não chega ser tão confortável quanto o Compass. Sua pegada é mais de Jeep e menos de sedan. Não que seja desconfortável, pelo contrário, mas a posição elevada dos ocupantes, e a forma quadrada da carroceria, são típicas de um fora-de-estrada “raiz”.

A visibilidade é boa para todos os lados e a ergonomia é acertada. Exceção, a visão cruzada, pois as colunas C são muito largas.  Os retrovisores externos são grandes, ampliando a visibilidade para trás. Porém, eles demandam cuidado, pois costumam esconder pessoas e até mesmo veículos menores, quando se olha para os lados.

_MG_6176Desempenho – O “jipinho” circula com desenvoltura na cidade, uma vez que o motor é esperto, principalmente acima das 2.000 rpm. Na estrada, é ainda melhor. Ele atinge os 110 km/h com apenas 1.750 rpm, garantindo silêncio e muita economia.

Não é regra, e nem serve de parâmetro para o consumidor comum, mas buscando tirar o máximo de economia deste motor, atingimos 22 km/l em dois trechos curtos de 50 km. Andando normalmente é possível fazer 14 km/l, mantendo as velocidades máximas permitidas nas vias. Na cidade a média foi muito boa, 10 km/l pois, com as férias, o trânsito estava bem mais fluído.

Circulamos no fora de estrada por apenas 30 km, o suficiente para abrirmos aquele sorriso. É muito bom o comportamento do Renegade na terra, melhor ainda que o do Compass.

Mesmo com rodas de 18 polegadas, e os pneus para asfalto, o pequeno entregou um nível de conforto acima da média para este tipo de piso. Não bateu o fundo e os para-choques em entradas e saídas de aclives e compensou a falta de aderência dos pneus com o uso do sistema de tração.

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_MG_6215A central multimídia é bem completa e responde satisfatoriamente, tanto em sensibilidade ao toque quanto em velocidade de operação, mas não é a melhor que já avaliamos. O ar-condicionado permite regulagem individual em duas zonas e é eficiente.

O bacana do conjunto é a possibilidade de comando por botões físicos ou por toque na tela, para ambos os sistemas. Em nossa opinião, esse é o tipo de projeto ideal e deveria equipar todos os modelos que dispõe destes recursos.

Conclusão – O Renegade Longitude se mostrou ideal para o uso que fizemos, quase todo sobre asfalto, mas também entregou conforto sobre estrada de terra em boas condições. Para quem quiser se aventurar por trilhas, e levar o Jeep ao seu habitat natural, a versão Trailhawk é a mais indicada, principalmente por garantir maior aderência em pisos precários.

_MG_6184Porta-malas com apenas 320 litros de capacidade, alto preço das versões à diesel e motor flex pouco  eficiente em consumo são os poucos defeitos do Renegade. Renovado nessa safra 2019, mesmo que discretamente, ele mostrou em janeiro que tem força para disputar o pódio do segmento. Se depender das suas qualidades, deverá figurar mais vezes nesta lista durante este ano.

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Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

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