Renault Sandero GT Line é esportivo somente na aparência

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 05/04/2019)

Avaliamos a versão com motor 1.0 12V feita para quem valoriza o visual diferenciado

DSCN5601Ser esportivo, ou mesmo, parecer esportivo vende. Se tratando de carros, vende mais ainda, pois essa associação remete às competições automotivas em que as estrelas são os modelos mais velozes e admirados. Por esse motivo, as montadoras sempre lançam versões com essa temática, batizando as mesmas com nomes e siglas que permeiam o universo das competições.

Entre tantas, a sigla GT é a mais popular. Inicialmente, ela denominava modelos de alto desempenho que disputavam corridas em estradas e por longos percursos. Vem daí o nome em italiano Gran Turismo.

Numa tradução livre para o português, “grande viagem”. Outras diversas letras foram anexadas à sigla para diferenciar características mecânicas ou de estilo, como GTI (Gran Turismo Iniezione), modelo GT com injeção de combustível, ou GTB (Gran Turismo Berlinetta), modelo GT com estilo coupé, sempre do original em italiano.

Posteriormente, essa sigla passou a denominar categorias de carros esportivos produzidos para circular em vias e preparados para competir em pistas, como o Porsche 911 e inúmeros outros modelos, aumentando ainda mais a aura associada a essas duas letrinhas.

DSCN5626Valendo-se deste poder, quase todas as montadoras já usaram o “GT” em uma versão especial de um modelo, adotando mecânica e visual esportivo ou, na maioria das vezes, apenas a aparência.

Sandero GT Line – Há quatro meses nós avaliamos o Sandero RS 2.0 16V Racing Spirit, série especial da versão realmente esportiva do modelo. Agora, DC Auto recebeu a GT Line 1.0 12V, da linha 2020, variante esportiva apenas no visual.

Existente desde a primeira geração do Sandero, a versão era equipada com o motor 1.6 16V mas, a partir do modelo 2019/2020, ela recebeu este motor de três cilindros que tem como prioridade o baixo consumo de combustível.

No site da montadora seu preço sugerido é R$ 48,85 mil. Estranhamente, a este valor, é necessário acrescentar R$700 para a cor branca, que é única sólida disponível, e R$ 1,50 mil para as demais, que são metálicas. Dessa forma, o real preço do Sandero GT Line é R$ 49,55 mil.

DSCN5589Também chama atenção o fato de haver opção por dois modelos de rodas, um de 15 e outro de 16 polegadas, mas ao optar pela roda maior, não se paga nada por isso.

Pode até ser uma compensação pela cobrança por uma cor sólida, mas isso não está explícito no site da Renault.

Equipamentos – Os principais itens de série da versão são: alarme perimétrico, duplo airbag, freios ABS, Isofix, volante com regulagem em altura, travas elétricas, ar-condicionando, direção eletro-hidráulica, comando do som satélite atrás do volante, vidros dianteiros com função one touch e sistema antiesmagamento, computador de bordo, farol de neblina, sensor de estacionamento traseiro, retrovisores elétricos com repetidores e capa pintada na cor dark metal, ESM – sistema de regeneração de energia, sistema multimídia, volante e manopla do câmbio revestido em material que imita couro costurado com linha na cor azul.

DSCN5642Opcionais, só as rodas mencionadas acima, sem acréscimo, e a câmera de ré, por R$ 300.

Seu motor é o mesmo das versões de entrada do modelo, o 1.0 12V, bicombustível, de três cilindros. Ele é aspirado e tem injeção indireta multiponto, duplo comando de válvulas tracionado por corrente com variação de abertura das mesmas, tanto na admissão quanto no escape.

DSCN5702Desenvolve um torque de 10,5/10,2 kgfm às 3.500 rpm e potência de 82/79 cv às 6.300 rpm, com etanol e gasolina, respectivamente. Sua taxa de compressão é 12:1. O câmbio é manual de cinco marchas com acoplamento por embreagem monodisco.

Visual – Para compor o visual esportivo da versão GT Line, a Renault usou algumas peças externas da versão RS, simplificando os detalhes das mesmas e trocando as cores. No para-choque frontal toda a parte externa é a mesma, mas as molduras que envolvem os faróis de neblina são menores e pintadas na cor dark metal, a mesma aplicada aos retrovisores.

As grades são as das versões de entrada, com filetes horizontais, e não em forma de colmeia. O para-choque traseiro é igual ao da versão RS, mas o extrator também é pintado na cor mencionada acima e o corte inferior é menor, para receber apenas uma saída simples do escapamento, e não dupla, como na RS.

As “saias” laterais também são as mesmas, mas não recebem adesivos alusivos à versão, como o “Renault Sport” afixado na versão esportiva de verdade.

DSCN5576Mesmo sendo moderno, motor deveria ser mais econômico e eficiente

No interior as semelhanças são poucas. O revestimento do teto e colunas em preto e a manopla do câmbio são as mesmas. No mais, a versão GT Line é simples: ar-condicionado convencional e, não, automático digital, volante básico e sem comandos, apenas com a inscrição GT Line na base.

Os bancos têm revestimento diferenciado, mas são os mesmos das versões de entrada e não os esportivos com grandes apoios laterais. Por fim, os aros das saídas de ar em azul combinam coma as costuras dos revestimentos do volante e da manopla do câmbio.

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DSCN5667Mecanicamente a versão GT Line é igual às outras com este motor e câmbio. Ela não recebeu as alterações nas suspensões como ocorreu na RS. Contudo, o conforto de marcha é melhor, pois seu conjunto filtra mais as imperfeições do solo e oscila em menor frequência e em maior amplitude que o sistema do esportivo.

Já o câmbio, também tem as relações curtas, garantindo muita agilidade no trânsito com arrancadas e retomadas ligeiras. Entretanto, o barulho do motor invade a cabine com frequência. Em quinta marcha, e aos 110 km/h, o motor já está às 3.250 rpm.

Seu ruído atrapalha conversar a bordo, mas não incomoda tanto quanto o dos antigos motores de quatro cilindros, pois estes novos modelos emitem um som mais grave e não estridente.

A direção ainda é pesada, quando comparada aos veículos que contam com sistema totalmente elétrico. Ruim para manobras de estacionamento, mas firme em velocidades maiores.

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DSCN5679Consumo – Apesar do moderno motor, o Sandero GT Line ficou com avaliação “B” no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Em sua etiquetagem, a versão obteve, na cidade, 8,9/12,9 km/l e, na estrada, 9,1/13,1 km/l, com etanol e gasolina respectivamente.

Nossa avaliação foi feita apenas com etanol. Em estradas conseguimos médias um pouco melhores, pois atingimos até 15 km/l, dirigindo de forma econômica e dentro das velocidades máximas das vias. Já circulando em cidade, a diferença foi pequena, pois não passamos de 9 km/l. O tanque comporta 50 litros, o que garante uma boa autonomia.

Espaço interno é um dos grandes trunfos do modelo. Quatro pessoas andam com folga e uma quinta com relativo conforto, pois sua largura é maior que da maioria dos seus concorrentes. Seu porta-malas de 320 litros também é dos mais amplos na categoria, comportando muita bagagem para um hatch.

O encosto do banco traseiro não é bipartido e isto é um problema, pois não permite levar pessoas quando a bagagem exigir bascular o mesmo.

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DSCN5664Mercado – Depois do Kwid, o Sandero é o modelo mais vendido da Renault. Pelos dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em 2018 foram emplacadas 67.320 unidades do Kwid contra 52.401 do Sandero, sétima e décima primeira posições entre os comerciais leves.

Nos primeiro trimestre deste ano, o Kwid ocupa a 6ª posição, com 16.662 emplacamentos, e o Sandero está em 14º, com 11.588 unidades vendidas.

O Sandero GT Line 1.0 12V cumpre o papel de esportivo apenas no visual, mas pode agradar em cheio quem quer comprar um carro de entrada e não passar despercebido. Ele tem todos os equipamentos de série que as pessoas mais procuram nesta categoria.

Ele traz, por exemplo, o sistema multimídia que, na unidade avaliada ainda não espelhava smartphones mas, segundo comunicado feito pela Renault na semana passada, o sistema recebeu atualização e já conta com esse recurso nos carros montados a partir daquela data.

DSCN5695Para quem quer um carro com bom espaço interno, desempenho e economia de um motor 1.0 de três cilindros e ainda chamar atenção por onde passa, o GT Line é uma opção diferenciada no segmento.

*Colaborador

DSCN5582Fotos: Amintas Vidal

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