No farol, o jeitinho italiano?

Chico Lelis*

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Corria o ano de 2011 e lá estávamos, eu e meu querido amigo Vicente Alessi, viajando pela Itália, num poderoso Alfa Romeo, cedido pela Fiat.

Nem precisava tanta potência, pois só viajamos pelas estradinhas vicinais onde, além de não pagar pedágio, é possível conhecer melhor o País e as pessoas.

Eu dirigia, pois o Vic, alegando preguiça, se recusava a pegar no volante. Pra mim, tudo bem.

Depois de vários quilômetros e visitas, entre outras, a Prato (onde tem um maravilhoso Museu, o do Tecido), à Torre de Piza, menos torta que muitos prédios aqui da orla da minha amada Santos (SP).

E temos uma vantagem, além do Santos FC, claro! Enquanto a torre italiana não pode receber visitas, os prédios tortos de Santos são habitados.

Bem, seguindo por uma dessa estradinhas, passando por pequenos vilarejos, nos deparamos com um semáforo/sinaleira/sinal na entrada de uma delas. E estava vermelho. Ou seja, não podíamos seguir adiante.

Parei e fiquei aguardando o verde.

Com razão, Vic ficou mais impaciente que de costume e dizia: Vamos embora, isso tá quebrado.

Usando minha vantagem de estar dirigindo, disse que não!

De repente, um Fiat 500, modelo antigo, passa reto e entra na cidade. Vic enfureceu, alegando que estávamos ali que nem bobos esperando abrir um semáforo que não tinha nenhuma serventia.

SEMÁFORO

– Vamos logo, isso ai tá quebrado.

Mas não obedeci suas ordens.

Segundos depois veio o verde e seguimos adiante.

Nestas pequenas localidades, há sempre uma área para se parar, naquela que é a única e estreita via dos lugares.

Resolvemos parar e fomos elucidar o enigma do semáforo.

A resposta foi muito simples.

– Nossa rua é muito estreita, temos crianças e idosos andando por ai e não queremos que corram risco, com carros vindos de um lado pro outro.

Quanto ao Cinqüecento que desobedeceu ao sinal: “era um morador da terra. E nós podemos. Simples assim”.

Como era hora do almoço, fomos comer num pequeno e encantador restaurante, debruçado sobre um vale, com uma comida dos deuses.

O único desentendimento entre nós na viagem, foi que o Vic se recusou a ir até Pistoia, onde poderíamos conhecer o cemitério onde estavam enterrados os corpos dos nossos heróis da II Guerra Mundial.

Ah, ia esquecendo. Como fumava o meu amigo Vic!

foto - chico lelis

*chicolelis – chicolelis@gmail.com – Jornalista com passagens pelos jornais A Tribuna  (Santos), O Globo e Diário do Comércio. Foi assessor de Imprensa na Ford, Goodyear e, durante 18 anos, gerenciou o Departamento de Imprensa da General Motors do Brasil. Assina a coluna “Além do Carro”, na revista Carro, onde mostra ações do setor automotivo nos campos social e ambiental.

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