Avaliamos o Renault Logan reestilizado em sua versão topo de linha

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 20/09/2019)

Sedan com câmbio automático CVT teve a suspensão elevada por necessidade técnica

DSCN6284Com a abertura do mercado para os carros importados, no início dos anos de 1990, diversas montadoras estrangeiras investiram no Brasil, primeiramente como importadoras e, em seguida, como produtoras. Das marcas francesas, a Renault foi a que melhor se adaptou ao nosso mercado.

Assim como a Citroën e a Peugeot, a Renault também tinha carros mais sofisticados que os nacionais, mas pouco adaptados às nossas ruas esburacadas. Falta de “tropicalização” adequada, ou mesmo, impossibilidade para tal, fizeram seus modelos amargarem fama de frágeis e de darem muita manutenção.

Se a PSA Group, associação das marcas Peugeot, Citroën e DS, insistiu nesses produtos, perdendo participação em nosso mercado a cada ano, a Renault virou a chave em 2007 e apostou em modelos mais simples e mais robustos, chegando este ano à quarta posição em vendas no Brasil.

No fechamento de 2018 a Renault registrou 8,70% do total de emplacamentos, a quinta marca em nosso mercado, considerando todos os automóveis e comerciais leves juntos. Agora, em 2019, até o encerramento de agosto, ela está em quarto lugar, com 8,86% de participação, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Quando dissemos que a Renault optou por modelos mais simples e robustos para ganhar mercado no Brasil, estamos falando da família Sandero. Sobre sua plataforma estão quase todos os modelos que a Renault vende no País atualmente, exceto o sub-compacto Kwid.

DSCN6328Logan, Stepway, Duster e Captur são filhos legítimos deste hatch desenvolvido pela Dacia, subsidiária romena da Renault.

Espaço interno, preço e robustez destes modelos atenderam melhor aos anseios do consumidor brasileiro, assim como acontece com os compradores do Leste Europeu e Ásia, regiões para qual eles foram desenvolvidos originalmente.

No fim de julho deste ano, Logan e Sandero receberam sua terceira reestilização. Na ocasião, a variante aventureira do Sandero, a Stepway, passou a ser um modelo à parte e ganhou três versões.

Lançada há 12 anos, essa nova reestilização da família Sandero, provavelmente, chega ao seu ápice evolutivo e ganhará uma nova geração na próxima mudança. Algo que sinaliza este limite é a adoção do câmbio CVT.

Entre todas as caixas de marchas que já equiparam esses modelos, essa é a mais atual e sofisticada, mas a plataforma não foi projetada prevendo seu uso, tanto que, o Logan e o Sandero com essa transmissão, tiveram suas suspensões elevadas em 40 mm para acomodar essa caixa sem que a mesma ficasse muito próxima ao chão.

DSCN6300Em tempos de transformação de tudo em SUV, agora temos até um sedan elevado, não por demanda de mercado, mas sim para viabilizar o uso deste câmbio.

DC Auto recebeu o Logan Iconic 1.6 CVT X-Tronic para avaliação, versão de topo da gama. Agora, todas as versões dos três modelos da família são oferecidas completas e sem opcionais, ficando a escolha da cor como a única variação no preço final.

No site da montadora essa versão é ofertada por R$ 71,09 mil. A unidade avaliada tem pintura metálica na cor cinza Cassiopée, que eleva a etiqueta para R$ 72,59 mil.

Equipamentos – Os principais equipamentos desta versão, todos de série, como já dissemos, são: ABS, quatro airbags (dois frontais e dois laterais), Isofix, controle eletrônico de estabilidade (ESC), assistente de partida em rampas (HSA), direção eletro-hidráulica, ar-condicionado automático, câmera de marcha à ré, faróis de neblina, vidros elétricos com “one touch”, retrovisores elétricos e piloto automático (controlador e limitador de velocidade).

Também estão presentes central multimídia, comando satélite no volante, sensor de estacionamento, ajustes de altura do banco e volante, computador de bordo, alarme, rodas de liga leve de 16 polegadas diamantadas, revestimento dos bancos em material sintético que imita o couro, sensor de chuva, sensor de luminosidade, entre outros.

DSCN6331Desenvolvido pelo Renault Design Center São Paulo, Sandero, Logan e Stepway têm novos para-choques dianteiros e uma nova assinatura luminosa com luzes diurnas de LED, no formato de “C” ao redor dos faróis.  Essas mudanças estão alinhadas com a atual identidade mundial da marca. A traseira do Logan manteve-se a mesma.

A diferença desta para as outras versões do Logan que trazem o câmbio automático CVT são as molduras plásticas nas caixas de rodas, sobre as caixas de ar e nas bases dos para-choques.

Elas são semelhantes às usadas no Stepway e visam dar mais sentido estético a um sedan com as suspensões elevadas. Em conjunto com as rodas de 16 polegadas, estes apliques conferiram mais robustez à carroceria e harmonia ao modelo, algo pouco esperado para um três volumes com altura de um hatch aventureiro.

Interior – O interior de todas as versões da família passou a ser escuro, inclusive o revestimento do teto e os apliques plásticos das colunas. O volante tem um novo design e detalhes metálicos, assim como a alavanca do câmbio, até então, inédito para estes modelos. No mais, o interior é igual, ganhando apenas novos tipos de acabamentos em algumas peças de painéis e portas.

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DSCN6405Nessa versão, única com bancos em material que imita o couro, a aparência é bem melhor que nas que usam tecido, apesar de o interior ficar muito monocromático. Mas são os detalhes que nos fazem lembrar da escolha que a Renault fez em 2007. Rebarbas em peças plásticas e parafusos aparentes são heranças de berço que o Logan carrega e somente uma nova geração poderá resolver.

 

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DSCN6387O Logan Iconic vem equipado com o motor 1.6 SCe (115/118 cv) acoplado ao câmbio automático CVT X-Tronic, mesmo conjunto oferecido no Duster e no Captur. Seu bloco tem 4 cilindros em linha, o cabeçote conta com 16 válvulas e o sistema de injeção é multiponto. O torque é de 16 kgfm, com gasolina ou etanol.

A caixa de marchas CVT X-Tronic tem uma programação que simula seis velocidades que podem ser acionadas através da alavanca de comando. Seu acoplamento é feito por conversor de torque.

Modelo se destaca ao rodar em nossas ruas e estradas esburacadas

O conjunto, motor e câmbio, agradou em uma condução suave. As trocas são imperceptíveis e o escalonamento das marchas é apropriado para um sedan familiar. Somente nas arrancadas, o motor demora um pouco para acordar, obrigando o motorista pisar de forma mais vigorosa no acelerador.

Comutar o câmbio para manual, através da alavanca de marchas, também ajuda, pois o Logan muda de temperamento, ficando bem mais esperto. Mas este sistema não é o ideal, pois não tem aletas (“borboletas”) para as trocas no volante e só funciona com essa mudança de posição da alavanca.

DSCN6425Ao menos deveria haver um botão “Sport” para que o motor respondesse mais rapidamente aos comandos do acelerador e as marchas fossem trocadas em rotações mais elevadas.

Este motor garante um desempenho satisfatório e silencioso, mais pelas longas relações das marchas do que pelo isolamento acústico do modelo. Aos 110 km/h, de sexta marcha, ele trabalha em baixas 2.000 rpm.

Nesta situação ouve-se mais os pneus sobre o asfalto e a intensa briga do ar contra a carroceria, efeito colateral causado pela elevação das suspensões. Em altas rotações o barulho invade a cabine.

As suspensões alteraram muito o comportamento de marcha do carro. Em relação ao Logan “normal”, este está mais estável, mas menos confortável. O acerto é mais rígido e a carroceria quase não aderna em curvas.

Para as nossas vias mal conservadas, isso é muito bom. As grandes rodas passam sobre remendos, buracos e lombadas sem aparentarem castigar a estrutura do sedan, mas transferem as vibrações para a cabine.

DSCN6320No trabalho de amortecimento o conjunto mecânico se mostrou eficiente e não deixou o fundo do carro tocar o chão e nem mesmo os para-choques em entradas e saídas de garagens. Mas no momento de retorno, este mesmo conjunto não é tão eficaz, pelo menos acusticamente.

Ao passar por lombadas maiores, no trabalho de retorno das rodas, ouvem-se alguns barulhos metálicos que caracterizam simplicidade dos dispositivos de limitação destes movimentos. Mesmo com estas características, preferimos este acerto ao antigo, pois ele passa uma percepção de qualidade que o conjunto mais baixo e menos rígido do Logan não passava anteriormente.

A direção ainda é eletro-hidráulica. Funciona bem, sendo até mais direta que muitos sistemas elétricos, mas é pesada, principalmente em manobras de estacionamento. Até o tamanho do volante, grande, entrega que este sistema não é o ideal para o peso do carro e, provavelmente, deverá ser aposentado na próxima geração, dando lugar a uma direção elétrica.

O ar-condicionado automático tem dois botões giratórios de fácil uso e identificação, além de informarem na tela do multimídia todas as regulagens feitas, algo muito útil quando se está dirigindo. Seu funcionamento é eficiente, pouco ruidoso, esfriando o ambiente rapidamente.

Multimídia – A central multimídia Media Evolution passou a contar com as tecnologias Android Auto e Apple Carplay, permitindo usar Spotify, Waze e Google Maps (Android Auto).

DSCN6416A tela de 7 polegadas touchscreen evoluiu, agora é capacitiva, antes era resistiva. Seu funcionamento já era bom e ficou melhor. Conectado ao Android Auto ela permitiu fácil acesso a todos os recursos do smart phone, com destaque para o Spotify.

O sistema nativo tem um aplicativo para medir e orientar a condução visando um menor consumo de combustível, algo que pode ajudar aos motoristas mais gastões.

O aparelho possui botões para ligar e regular o volume do som, mas não são giratórios, como seria o ideal. A entrada USB fica na parte de cima, deixando o cabo à frente da tela, algo que deveria ser corrigido. Dependendo a luminosidade ambiente, a tela fica um pouco escura.  Mas o comando do áudio é satélite, atrás do volante e de uso cego. Em nossa opinião, o melhor que tem, pois não desvia a atenção do motorista.

O espaço interno, grande trunfo do modelo, continua o mesmo. Ele é mais largo que a maioria dos seus concorrentes e tem um desenho mais quadrado da carroceria que garante bom espaço para ombros, pernas e cabeças de quatro adultos.

Até um quinto passageiro pode se acomodar no centro do banco traseiro com conforto, se todos ali não forem muito grandes. A ergonomia também é boa, com quase tudo ao alcance das mãos. A visibilidade é boa, menos para trás, pois a altura da carroceria prejudica enxergar os carros mais próximos à traseira.

Em marcha à ré, em ruas acidentadas, não se vê nada pelo retrovisor interno, tornando obrigatório o uso da câmera para realizar essa manobra. Este sistema apresenta linhas auxiliares, mas elas não são esterçáveis.

DSCN6413Consumo – O primeiro teste padronizado de consumo que fizemos na ultima avaliação, a do Argo GSR, repetimos com Logan. Resumindo, circulamos em um mesmo trecho rodoviário de exatos 38,4 km, duas vezes, rodando de forma econômica e de forma usual.

Na volta econômica, mantivemos a velocidade em 90 km/h e, na usual, 110 km/h, respeitando as velocidades máximas em cada trecho. Ar-condicionado ligado e regulado na refrigeração média, os vidros fechados e somente o motorista a bordo completam os parâmetros.

Em ambos os casos, aceleramos de forma progressiva e antecipamos as desacelerações usando o freio motor, isto é, mesmo buscando manter as velocidades determinadas, dirigimos sempre de forma econômica.  Apenas com etanol no tanque, na volta econômica, registramos 13 km/l. Já na volta usual o consumo foi de 11,7 km/l.

A solução encontrada pela Renault para usar o câmbio CVT no Logan criou o primeiro sedan aventureiro do nosso mercado, pelo menos na altura da carroceria. Como o vão livre não atinge o valor mínimo para homologar um SUV no Brasil, nem ele e nem mesmo o Stepway CVT receberam essa comenda.

Mesmo assim, essa versão tem um comportamento mais apropriado nas nossas vias ruins e mesmo nas não pavimentadas. Para quem quer levar a família e bagagem para circular por nossas estradas precárias, o Logan CVT é uma boa opção.

DSCN6281Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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