Honda HR-V ajudou a alavancar o seu segmento no País

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 25/10/2019)

Avaliamos a versão ELX do modelo, equipada com motor 1.8 16V e câmbio CVT

DSCN6872Alguns modelos pavimentaram a moda dos veículos utilitários esportivos (SUVs) no Brasil. Os importados, a partir dos anos de 1990, o Ford Ecosport, primeiro SUV nacional, lançado em 2003, e o Renault Duster, apresentado em 2011.

A partir de 2015, Honda HR-V e Jeep Renegade começaram a transformar a categoria em uma verdadeira febre. O segmento deixou de ser apenas mais um e consolidou-se como o terceiro maior em nosso mercado, atrás dos hatches e muito próximo a superar os sedans.

Atualmente, entre os 50 automóveis mais vendidos no Brasil, existem 16 SUVs concorrendo contra 18 sedans, 14 hatchs e 2 monovolumes, números que mostram a grande expansão dos utilitários esportivos nos últimos quatro anos.

Considerando estes modelos, seus emplacamentos somados em 2019, até o fechamento de setembro, registram 679.848 hatches, 397.656 sedans, 356.068 SUVs e 39.977 monovolumes, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Dc Auto recebeu o Honda HR-V EXL para avaliação. No site da montadora ele tem o preço sugerido de R$ 111,90 mil. Este é o valor da versão na cor branca, única opção de pintura sólida. As cores metálicas, como a da unidade avaliada, e as especiais elevam seu preço em R$ 1,35 mil e R$ 1,50 mil, respectivamente.

DSCN6876Equipamentos – As versões do HR-V são vendidas em configuração única, com todos os equipamentos de série, e sem opcionais. Os principais itens da EXL são: ar-condicionado digital, direção com assistência elétrica, volante com comandos do áudio e do piloto automático, travas e vidros elétricos com função um toque e multimídia com tela de 7 polegadas e espelhamento por Android Auto e Apple CarPlay.

No quesito segurança, o modelo conta com seis airbags, controles de tração e estabilidade, freios ABS com EBD, assistente de partidas em rampas, sensor crepuscular, luz de rodagem diurna (DRL), fixação Isofix para cadeirinha infantil e alerta de frenagem emergencial.

Completam o pacote: freio de estacionamento eletrônico com bloqueio em paradas, alarme, computador de bordo, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros e câmera de marcha à ré multivisão, rebatimento elétrico dos retrovisores, função de regulagem automática para execução de baliza, entre outros.

No interior, o revestimento dos bancos é feito com material sintético que imita couro, o console central traz acabamento na área superior em blackpiano e as maçanetas internas são cromadas.

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DSCN6973Motor e Câmbio – O motor desta versão é o 1.8 16V SOHC i-VTEC FlexOne. Ele é equipado com injeção multiponto indireta de combustível, comando de válvulas simples, tracionado por correia dentada com variação da abertura na admissão.

Ao contrário dos outros motores, sua potência é maior com gasolina. Ele rende 140 cv às 6.500 rpm e tem torque de 17,3 kgfm às 4.800 rpm, quando abastecido com gasolina. Rodando com etanol, sua potência é de 139 cv às 6.300 rpm e a força atinge 17,4 kgfm às 5.000 rpm.

Sua transmissão é automática do tipo CVT com simulação de sete velocidades, apresenta acoplamento por conversor de torque e permite comutação das marchas por meio das aletas posicionadas atrás do volante.

O HR-V passou por sua primeira reestilização há quase um ano. O para-choque dianteiro, a grade atualizada com o DNA da marca e os faróis foram as principais alterações no design. Novas rodas e lanternas escurecidas, iluminadas por LEDs, completam as poucas mudanças externas.

Interior – Por dentro, as novidades do HR-V também foram comedidas. Nova iluminação do painel de instrumentos, modificações na estrutura dos bancos dianteiros e alguns detalhes nos materiais de acabamento. Acertos técnicos também foram realizados. Vamos descrevê-los mais a frente.

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DSCN6946Referência no segmento, seu espaço interno continua ótimo para cabeça, ombros e, principalmente, pernas de quatro adultos. A ambientação assemelha-se mais a um carro do que a um SUV, pois os bancos não ficam tão altos, o console central é muito elevado e as janelas são estreitas.

O quinto passageiro fica incomodado com os ressaltos no encosto e assento do centro do banco traseiro, mas o túnel central é dos mais baixos e pouco atrapalha a acomodação dos seus pés.

Um recurso que amplia o aproveitamento interno, exclusivo da Honda, é o sistema de rebatimento do banco traseiro. Ele pode ter parte do encosto, ou sua totalidade, rebatido para frente, formando uma plataforma em toda a porção traseira do modelo.

Já os assentos, podem ser dobrados para cima, também integralmente ou parcialmente, abrindo um vão de porta a porta, do piso ao teto, ideal para cargas altas.

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DSCN6989Acabamento interno é ponto forte do utilitário esportivo compacto

O ponto forte do HR-V é o acabamento. O mesmo revestimento dos bancos está presente em parte das portas, painel e console central. Detalhes cromados e em preto brilhante conferem requinte ao carro.

Mesmo os plásticos rígidos têm um toque que lembra emborrachado, aparentando qualidade superior. Vale destacar que estes acabamentos são aplicados em todo o interior do modelo e, não somente, na parte da frente, como muitas montadoras têm feito.

A ergonomia é acertada. Volante e pedais estão alinhados. Todos os comandos estão ao alcance das mãos, sem exigir movimento do tronco para acioná-los. Apenas a central multimídia fica um pouco recuada e inclinada para trás. Dependendo da posição do sol, a tela recebe muita luz externa, o que dificulta sua visualização.

Tanto espelhando celulares, como por meio da conexão bluetooth, o sistema de entretenimento funcionou de forma estável em todos os seus recursos, mas, carece evoluir em sensibilidade ao toque, velocidade de processamento e definição de imagem.

O ar- condicionado digital funciona com eficiência, mesmo não tendo múltiplas zonas. Ele tem todos os comandos por toque em um painel bem organizado visualmente e muito tecnológico.

DSCN6928Contudo, ainda exige desvio da atenção do motorista para ser comandado. Botões físicos giratórios, pelo menos para as funções de temperatura e intensidade do fluxo de ar, ainda são os mais eficientes.

Rodando – A direção elétrica é leve, mas poderia ter maior assistência em manobras de estacionamento. Em estradas, ela se torna firme e segura, na medida certa.  A câmera de marcha à ré permite três ângulos de visão que ajudam em situações específicas, mas suas guias não esterçam com o movimento do volante, algo que auxiliaria a todo o momento.

Os acertos técnicos elevaram o conforto de marcha, o isolamento acústico e o desempenho dinâmico do HR-V. As suspensões dianteira e traseira foram recalibradas para filtrarem melhor as imperfeições dos pisos.

O uso do stop hidráulico também tornou este sistema mais silencioso, característica aprimorada pela aplicação de materiais isolantes em diversas partes internas da carroceria do modelo. O conjunto é muito apropriado ao uso em vias pavimentadas. Trilhas, ou mesmo estradas de terra, não são ambientes amigáveis ao HR-V. Assim como o Volkswagen T-Cross, um dos seus concorrentes, ele é um SUV urbano.

DSCN6863Outra grande mudança foi promovida no câmbio CVT. Sua programação foi alterada para o sistema funcionar de forma mais progressiva. Quando selecionado em drive (D), as trocas das marchas pré-programadas são imperceptíveis, pois a elevação da rotação do motor ocorre suavemente.

Colocando em Sport (S), as marchas são trocadas em rotações mais elevadas, aumentando o desempenho, mas, diminuindo um pouco o silêncio interno e a suavidade da operação. Também nessa posição S, e fazendo as trocas pelas aletas, o sistema fica totalmente manual e bem mais divertido.

O motorista assume o controle das trocas que ficam mais rápidas e precisas, e o câmbio trabalha quase como um manual, sem deixar a rotação do motor subir mais que a velocidade do carro, algo que acontece nas outras posições quando aceleramos mais forte. O conjunto confere boa dinâmica ao modelo, mas sem sobras. Mesmo no modo manual, o HR-V com motor aspirado é um SUV familiar e, não, um esportivo.

Consumo – Essas mudanças no câmbio também favoreceram o consumo. Em nosso teste padrão, realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Somente o motorista, vidros fechados, ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e faróis acesos completam a padronização.

Na volta mais lenta, atingimos 16 km/l. Na mais rápida, 14,6 km/l, com 100% de gasolina no tanque. Na cidade, com o mesmo combustível, o consumo variou entre 6,5 e 8,5 km/l, dependendo da intensidade do tráfego. Se a Honda equipasse o modelo com o sistema start/stop, isso ajudaria a melhorar o consumo urbano.

O Honda HR-V é um ótimo SUV compacto para quem valoriza o seu design robusto, o amplo espaço interno, para passageiros e carga, e a qualidade elevada dos seus materiais de acabamento. Essa versão EXL, equipada exclusivamente com o motor aspirado, é mais indicada para quem curte uma condução mais suave. Para quem quer um utilitário, realmente esportivo, o HR-V Touring, com motor turbo, é a melhor opção.

*Colaborador

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DSCN6871Fotos: Amintas Vidal

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