Argo Drive 1.0 é uma das sete versões disponíveis no portfólio

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 13/03/2020)

Hatch da Fiat substitui modelos descontinuados

DSCN7866Como já informamos, em outras oportunidades, a linha do hatch Argo é muito importante para a Fiat. Neste processo de renovação pelo qual está passando a fabricante italiana, ele cumpre o papel de oferecer alternativas a alguns modelos que foram descontinuados.

Palio Fire, Novo Palio e Punto são os principais. Ainda recai sobre as suas costas oferecer uma opção ao Bravo, pelo menos em nível de equipamentos embarcados, com a versão topo de linha, e esportiva, HGT.

Essa estratégia aliviou bastante os custos de produção da fábrica em Betim (MG), reduzindo pela metade o número de modelos montados na unidade. Mas sacrificou a liderança de mercado da Fiat que perdurava por 15 anos.

Atualmente, a marca faz parte do grupo Fiat Chrysler Automóveis (FCA). Nas unidades Fiat e Iveco, em Minas Gerais, e Jeep, em Pernambuco, o grupo produz diversos automóveis e comerciais leves e ainda importa outros modelos da Jeep, Ram e Dodge. Somando as vendas de todas as marcas, a FCA ainda detém a maior participação do nosso mercado.

DSCN7803No fechamento de 2019, a Fiat registrou, entre automóveis e comerciais leves, uma participação de 13,77%, correspondente ao terceiro lugar. A Jeep atingiu 4,87 % neste mesmo período, a oitava colocação. Com estes 18,64% do mercado, a FCA figurou à frente da GM, que alcançou 17,98% de participação no ano passado.

Neste primeiro bimestre de 2020 as posições se mantêm, mas a GM reduziu a diferença entre elas, registrando 18,37% das vendas contra 18,9% da FCA, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Como mostra essa tendência, o grupo FCA precisará de novos produtos para se manter no topo. Ano passado o grupo prometeu 14 novidades para o mercado até 2023.

Entre versões e séries especiais, assim como reestilizações, o que realmente vai alavancar as vendas é a nova geração da picape Fiat Strada, que será lançada ainda este semestre, os dois SUVs, também da Fiat (um compacto e um médio) e uma versão de sete lugares do Jeep Compass. Esses modelos deverão estrear no decorrer dos próximos três anos.

DSCN7796DC Auto recebeu o Fiat Argo Drive 1.0, da linha 2020, para avaliação. No site da montadora, seu preço sugerido é R$ 51,39 mil. Este preço só se aplica na cor preta sólida.  As outras cores sólidas custam R$ 900 e, as metálicas e a branca perolizada, R$ 1,75 mil.

Seus principais equipamentos, de série, são: ar-condicionado, chave do tipo canivete com telecomando, computador de bordo, direção elétrica progressiva, quadro de instrumentos com tela de 3,5 polegadas multifuncional, travas elétricas, vidros elétricos dianteiros com one touch e antiesmagamento e volante com regulagem em altura.

No quesito segurança, o básico: airbag duplo e ABS com EBD, gancho universal para fixação cadeira de criança (Isofix) e Lane Change (função auxiliar para acionamento das setas indicando trocas de faixa).

A unidade avaliada ainda estava equipada com quatro pacotes opcionais: Kit Multimedia Uconnect 9 polegadas (R$ 2,99 mil) que também agrega volante com comandos de rádio e telefone e segunda porta USB para passageiros traseiro; Kit Parking (R$ 1,1 mil) que oferece sensor de estacionamento traseiro e câmera de marcha à ré com linhas dinâmicas; Kit Tech (R$ 1,6 mil) que traz o sistema Stop&Start, o ESC (Controle de Estabilidade), o Hill Holder (sistema que auxilia nas arrancadas em subida) e o TC (Controle de Tração) e o Kit Convenience (R$ 1,0 mil) constituído de retrovisores externos elétricos com luzes indicadoras de direção integradas e função Tilt Down (rebatimento automático retrovisor direito ao acionar a ré). Com estes equipamentos e a pintura metálica, a unidade avaliada tem o elevado preço final, para um modelo hatch 1.0 aspirado, de R$ 59,83 mil.

DSCN7852Motor e Câmbio – O motor da versão é o Firefly 1.0 de três cilindros. Ele é mais simples que os tricilíndricos da concorrência, mas tão eficiente quanto. Ao contrário dos rivais, que apostaram nos motores com duplo comando e quatro válvulas por cilindro, a Fiat optou em manter apenas um comando e duas válvulas por cilindro, visando diminuir o número de peças e, consequentemente, atrito e peso na busca por eficiência e confiabilidade.

Para alcançar desempenho semelhante, a montadora agregou outras tecnologias ao motor que otimizaram seu funcionamento, permitiram que ele trabalhasse com alta taxa de compressão (13,2:1) e atingisse o maior torque da categoria, 10,4 / 10,9 kgfm às 3.250 rpm.

A boa potência varia entre 72 e 77 cv ás 6.250 rpm, dependendo do combustível escolhido (gasolina/etanol). O câmbio é manual de cinco marchas com embreagem monodisco a seco.

Nos últimos 20 anos, sendo 15 como a líder de mercado, a Fiat se esmerou na qualidade do interior dos seus carros. Agora, podendo compartilhar know-how com as marcas que compunham a Chrysler e, até peças com a Jeep, ela tem mantido em alta essa característica em seus modelos.

DSCN7813O Argo Drive é apenas o segundo catálogo da linha e já entrega um bom acabamento. No interior com design moderno existe uma grande variação de texturas nos painéis, console e portas.

As peças são bem injetadas, encaixadas e confeccionadas em material preto e sem pintura. Exceção à regra, a faixa central do painel, e os puxadores das portas, são pintados em prata e cinza metálico, respectivamente, quebrando a monotonia cromática do interior, algo raro nos modelos de entrada.

Só os apoios de braço das portas dianteiras são macios ao toque e todas as outras partes são feitas em plástico rígido mesmo. Detalhes cromados e prateados arrematam os botões, as saídas de ar, o volante e o console central, conferindo alguma sofisticação à versão.

A ergonomia é boa, com bom espaço para pernas, ombros e cabeças de quatro adultos e uma criança na posição central do banco traseiro. Existem cintos de três pontos e encosto de cabeça para todos.

Os bancos apoiam bem, mas poderiam ter espuma com maior densidade. Os pedais estão mais deslocados para a direita que o ideal, provocando leve desalinhamento das pernas em relação aos braços.

Todos os comandos estão à mão, sem necessidade de alteração na postura dos ocupantes. Os puxadores das portas dianteiras são muito salientes e facilitam bastante o fechamento das mesmas, mas atrapalham um pouco a sua abertura e chegam limitar o espaço para as pernas de pessoas mais altas sentadas nos bancos da frente.

O porta-malas do Argo comporta 300 litros e, o tanque de combustíveis, 48 litros. Suas dimensões são: 3,99 metros de comprimento; 2,52 metros de distância entre-eixos; 1,96 metro de largura (considerando os retrovisores); 1,51 metro de altura total e 15,5 centímetros de vão livre.

Motor 1.0 atende cidades com topografia plana

A central multimídia de 9 polegadas já saiu de linha, não por acaso. Mesmo sendo maior que a vendida inicialmente, ela é uma simplificação da primeira e tem suas limitações.

DSCN7826Deixou de ter botões físicos para as principais funções e perdeu o espelhamento de celulares. Funcionou perfeitamente por meio do bluetooth, tanto para reprodução de músicas, quanto para ligações, mas sua operação é dificultada pelo excesso de funções, grafismos pequenos e, principalmente, pela ausência dos comandos mecânicos. A volta do equipamento de 7 polegadas, com Android Auto e Apple CarPlay, é muito bem-vinda.

O sistema de refrigeração manual é muito eficiente. O fluxo de ar é grande e o tempo de resfriamento pequeno para um equipamento trabalhando acoplado a um motor 1.0. A direção elétrica é muito leve para manobras de estacionamento, tem peso correto em estradas, mas poderia ser um pouco mais leve em velocidades intermediárias.

O acerto das suspensões nos carros da Fiat costuma se destacar, mesmo em modelos de entrada. Nessa versão, que usa rodas estampadas de 14 polegadas e pneus 175/65 R14, elas ficam mais confortáveis, pois modelos com pneus de “ombros” mais altos podem receber menor pressão na calibração.

O conjunto trabalha em silêncio e não aparenta estar sofrendo com o árduo trabalho de superar nossas vias mal conservadas. Sim, ele transfere vibrações para interior da cabine, o esperado para um modelo dessa categoria. Entrega mais estabilidade que os antigos modelos da marca, como o Novo Palio, mas ainda privilegia o conforto. Porém, de forma bem mais equilibrada entre essas características antagônicas.

DSCN7821Motor e câmbio dão conta deste hatch grande e relativamente pesado (1.105 Kg). Para aproveitar melhor o torque e a potência do motor, o câmbio trabalha com relações reduzidas, bom para uso urbano e restritivo em rodovias.

O Argo Drive 1.0 acelera e retoma com agilidade em ruas e avenidas, um bom carro para encarar nossas vias cada vez mais congestionadas. Em rodovias, aos 90 km/h e de quinta marcha, o motor já está girando às 3.300 rpm, e aos 110 km/h, às altas 3.950 rpm.

Nessas condições, ouve-se mais o ruído do motor que o atrito dos pneus sobre o asfalto ou o vento contra a carroceria. No caso do tricilíndrico, não é um ronco ruim, pois é mais grave que agudo, mas cansa em percursos mais longos.

Consumo – Com relações tão reduzidas, o Argo Drive 1.0 não conseguiu ser muito econômico em nosso teste padrão de consumo rodoviário. Para manter essas velocidades, principalmente a maior, é necessário manter algum curso no acelerador por todo o circuito, pois, ao tirar o pé do pedal, ele sempre entra em freio motor e reduz a velocidade.

DSCN7884Realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e, na outra, 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Somente o motorista, vidros fechados, faróis acesos e ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e a ventilação na segunda posição completam a padronização. Na volta mais lenta atingimos 13,1 km/l. Na mais rápida, 11,8 km/l, sempre com etanol no tanque.

O nosso novo teste de consumo urbano é realizado em um circuito de 6,3 km no qual completamos 4 voltas, totalizando 25,2 km. Circulamos por 5,2 km em vias secundárias, velocidade máxima de 40 km/h, e por 20 km em vias primárias, velocidade máxima de 60 km/h.

No total, realizamos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Entre o ponto mais baixo do circuito, 671 metros, e o mais alto, 823 metros, existe uma variação de 152 metros em relação ao nível do mar, algo que simula uma topografia bem acidentada, como a de Belo Horizonte (MG).

Mesmo equipado com o sistema stop/start, útil para economizar combustível nas paradas simuladas em semáforos, a versão também não foi tão econômica neste teste, pois os aclives são muito íngremes e exigiram bastante do propulsor. Seguindo os padrões complementares descritos anteriormente, o Argo Drive 1.0 atingiu uma média urbana de 8,3 km/l com etanol.

Para quem faz uso predominantemente urbano do carro, o Argo Drive 1.0 é uma ótima opção, caso sua cidade seja mais plana. Para quem mora em cidades muito acidentadas, vale a pena pagar R$ 4,29 mil a mais para levar o Argo Drive 1.3, mais econômico no sobe e desce de morros e nas velocidades máximas permitidas em nossas estradas.

DSCN7763Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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