Toro Ranch se destaca pelos equipamentos

Rica em detalhes cromados, versão da picape da Fiat agrada em cheio aos consumidores do estilo country

 Amintas Vidal* (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 09/10/2020)

IMG_0224

 A picape Toro é o maior sucesso de vendas da Fiat entre os modelos lançados nos últimos anos. Além de vender quase cinco vezes mais que a Renault Oroch, sua única concorrente na categoria de picapes intermediárias, ela supera todas as outras picapes compactas e médias, exceto, a Fiat Strada, líder absoluta em nosso mercado de veículos comerciais leves.

Em 2019, a Toro registrou 65.566 emplacamentos, número relativamente próximo às 76.223 unidades vendidas da Strada, considerando suas diferenças significativas de valores.

Neste ano de pandemia, até ontem, as posições se sustentam. São 35.995 unidades da Toro vendidas, contra 52.508 emplacamentos da Strada, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

DC Auto recebeu a Fiat Toro Ranch AT9 4×4 Diesel para avaliação. No site da montadora, o preço básico da versão é R$ 171,99 mil. A unidade testada tem pintura perolizada branca que custa caros R$ 3,5 mil, finalizando seu valor em R$ 175,49 mil.

IMG_0209

Ela é modelo 2020, porém, a Fiat já disponibilizou a configuração 2021 da Toro e, além destes preços acima, já atualizados, descreveremos todos os equipamentos listados recentemente.

A Toro Ranch não tem opcionais e seus principais equipamentos de série são: 7 airbags (motorista e passageiro, laterais, cortinas e joelho), ESP (Controle Eletrônico de Estabilidade), ASR (Controle de Tração), freios ABS com EBD, Hill Holder (controle eletrônico de arrancada em subida), Hill Descent Control (controle eletrônico de descida), Keyless entry’n’go (abertura e travamento das portas sem a chave e partida do motor por botão), partida remota na chave, retrovisor interno eletrocrômico, sensores crepuscular e de chuva, sensor de estacionamento traseiro com câmera de marcha à ré e alarme antifurto.

Também estão incluídos: ar-condicionado digital de duas zonas, direção elétrica, banco do motorista com regulagem elétrica (8 posições), quadro de instrumentos com display de 7 polegadas colorido, computador de bordo, central multimídia com tela de 7 polegadas touchscreen com Apple CarPlay e Android Auto e navegação GPS embarcada.

A versão traz muitos diferenciais estéticos e funcionais. Os principais são: bancos, volante e painéis de portas revestidos em material sintético que imita o couro, na cor marrom, com gravação a laser da logo nos encostos dos assentos dianteiros, acabamento com pintura marrom na moldura do rádio, saídas de ar, alça da porta e volante; capa dos retrovisores, estribos, santantônio, frisos da grade frontal, soleiras, maçanetas externas e moldura dos faróis de neblina cromadas; console central e portas dianteiras com a logo Ranch; interior escurecido; sobretapete em carpete personalizado; rodas em liga leve de 18 polegadas calçadas com pneus 225/60 R18 e engate para reboque removível completam os equipamentos desta variante.

IMG_0198

Motor e Câmbio – O conjunto propulsor é o mesmo usado em alguns modelos da Jeep. O motor Multijet II 2.0 turbodiesel de 4 cilindros tem injeção direta e duplo comando acionado por correia dentada.

Ele desenvolve 170 cv de potência às 3.750 rpm e torque de 35,69 kgfm às 1.750 rpm. O câmbio é automático convencional com conversor de torque e tem nove (9) marchas com possibilidade de trocas manuais na alavanca ou por meio das aletas atrás do volante.

A tração 4×4 funciona em modo automático e, em condições ideais de aderência, o sistema pode desacoplar a tração traseira deixando o Jeep em 4×2. Ela também pode ser bloqueada em 4×4 ou em reduzida, por meio de botão giratório posicionado no console central.

A Toro é, provavelmente, uma das picapes mais bonitas do mundo. Seu design é agressivo e dinâmico, mas, extremamente harmônico, sem os exageros e desequilíbrios visuais comuns na categoria.

IMG_0242

Essa versão atende aos que gostam de mais detalhes, principalmente os cromados. Seu visual ficou mais parecido com os concorrentes que abusam deste acabamento reluzente valorizado tanto pelo homem do campo quanto por “vaqueiros” do asfalto.

Internamente ela não se destaca tanto. Seu design é mais conservador e os materiais de acabamento são quase todos rígidos. Todos bem feitos, com bons encaixes e texturas que valorizam as peças, mas sem áreas macias ao toque nos painéis.

Apenas as parte revestidas são acolchoadas e, no caso da Ranch, com um material na cor marrom que confere mais sofisticação do que nas demais versões.

As partes pintadas com tinta metálica em tonalidade semelhante a este marrom, os revestimentos escuros das colunas e teto, os emblemas com o nome da versão e as soleiras cromadas finalizam sua identidade visual interna.

Espaço – Mesmo sendo da categoria intermediária, o espaço interno da Toro é muito bom. Quatro adultos acomodam perna, ombro e cabeça com conforto. Um terceiro tem menos espaço no centro do banco traseiro, mas vai bem em deslocamentos mais curtos.

A ergonomia geral na cabine é acertada e todos os comandos estão à mão. Existem nichos para copos, chaves, carteiras e óculos, mas falta um adequado para celulares, ficando este melhor acomodado no interior do apoio de braço central, local menos prático por exigir abertura e fechamento da tampa para acessá-lo.

Os equipamentos de bordo, multimídia, ar-condicionado e seletor de modo de tração possuem controles por botão giratório nas principais funções e teclas de pressão para as secundárias, arquitetura ideal.

O sistema de refrigeração de duas zonas funciona com grande eficiência. O bom tamanho dos comandos ajuda fisicamente nas regulagens e na visualização dos diversos acertos. Algumas informações aparecem na tela do multimídia facilitando ainda mais o uso do ar-condicionado.

IMG_0237

Multimídia – Tamanho de tela, definição de imagem e sensibilidade ao toque do multimídia são bons, mas, a velocidade de processamento pode melhorar. Ele funcionou muito bem, tanto pareado ao celular, como espelhando o mesmo.

O sistema nativo é muito completo, inclusive com GPS, mas este grande número de recursos tornou seus ícones pequenos na tela, dificultando a leitura. Aqui vale uma ressalva: a Toro 2021 adotou um sistema mais moderno com espelhamento sem fio, processador mais rápido, 16 GB de armazenamento e 2 GB de RAM. Além disso, a tela passou a ter 1.280 x 768 pixels, o que garante maior definição.

O que mais chamou atenção foi a qualidade sonora. Mesmo não sendo um equipamento assinado pela Beats, como em modelos da Jeep, seu som é potente e muito agradável aos ouvidos, um dos melhores que já avaliamos no segmento.

Os sensores de estacionamento e a câmera de marcha à ré são essenciais. A caçamba é alta e quase não se enxerga para trás. As guias gráficas dinâmicas ajudam na visualização da trajetória. A capacidade limitada de esterço das rodas, e o generoso comprimento da picape, exigem manobras extras em locais mais apertados. Em compensação, a direção elétrica é muito leve nessas condições e ganha peso adequado em velocidades maiores, outro destaque positivo da Toro.

IMG_0266

O volante agrega quase todos os comandos dos dispositivos da versão. Os botões da parte frontal acessam o completo computador de bordo, o sistema de telefonia e o controlador de velocidade convencional. Os localizados atrás são de uso cego, ótimos para não desviar a atenção do condutor, e controlam as funções do sistema de áudio do multimídia.

A Toro tem 4,94 metros de comprimento, 2,99 metros de entre-eixos, 1,84 metro de largura e 1,68 metro de altura. Suas medidas para o fora de estrada são: vão livre de 202 mm, 24,8° de ângulo de entrada, 29° de ângulo de saída e 21,7° de ângulo central. A caçamba comporta 820 litros e, com essa motorização, 1000 kg de carga. Seu peso é de 1.871 kg e o tanque de combustíveis comporta 60 litros.

Conjunto motor e câmbio, bem como o das suspensões, são os destaques

 Para um veículo com essas dimensões e peso, o powertrain é bem eficiente, tanto em consumo, quanto em desempenho. O motor de apenas dois litros entrega alto torque em uma rotação muito baixa, 1.750 rpm.

Ele acelera e retoma com vigor, mas apresenta uma pequena demora para reagir às acelerações mais fortes (turbo lag) devido ao tempo necessário para acumular pressão suficiente dos gases de escape para girar os hélices internos da turbina.

O câmbio tem boa distribuição de relações por suas nove marchas. A primeira é tão reduzida que a picape sai da inércia, normalmente, em segunda marcha. As trocas são suaves e as marchas mais longas só são usadas acima dos 100 km/h.

Aos 110 km/h, e de nona marcha, o motor trabalha a baixas 1.700 rpm. Nessas condições, seu funcionamento é muito silencioso, assim como o atrito dos pneus e o vento contra a carroceria são pouco percebidos.

Para andar mais rápido, o motor precisa trabalhar acima das 2.500 rpm e seu ruído invade a cabine. Não é um som estridente, mas pode cansar em viagens mais longas. Usar as aletas para trocar as marchas manualmente ajuda ativar o freio motor ou subir o giro para fazer ultrapassagens.

Outra qualidade da Toro é o seu conjunto de suspensões. Independente nos dois eixos, ele entrega um conforto acima da média para uma picape. A calibração é até rígida para um modelo Fiat, mas bem mais confortável que suas concorrentes, pois não usa feixe de molas e ela é um modelo montado sobre monobloco, e não sobre chassi, como as picapes médias.

IMG_0202

O resultado disso é que ela é boa para trafegar sobre asfalto e ótima para terra. O trabalho das suspensões permite passar sobre irregularidades diversas com muito contato das rodas sobre o piso, poucos pulos e de forma silenciosa. Seus ângulos e altura para aventuras não são tão elevados, mas satisfazem as necessidades em uma circulação no fora de estrada leve.

Consumo – Em nosso teste padrão de consumo rodoviário, realizamos duas voltas de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e, a outra, os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente.

Somente o motorista, vidros fechados, ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e faróis acesos completam a padronização. Na volta mais lenta atingimos 16,9 km/l e, na mais rápida, 13,7 km/l. Um bom consumo para uma picape turbo diesel.

Em nosso teste de consumo urbano, rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos cronometrados entre 5 e 50 segundos. Vencemos 152 metros de desnível entre o ponto mais baixo e o mais alto do circuito, ou seja, um percurso severo, como circular nas vias acidentadas de Belo Horizonte (MG). Seguindo os padrões complementares descritos acima, a Toro Ranch atingiu uma média urbana de 7,9 km/l.

IMG_0219Fotos: Amintas Vidal

A Toro Ranch é uma picape que enche os olhos dos amantes do estilo sertanejo. Para quem gosta dos adereços cromados, muitos equipamentos de conforto e segurança, a versão é uma ótima opção. Mas a linha Toro é a segunda mais extensa da Fiat, contando com oito versões que trazem motores, câmbios e equipamentos para atenderem aos mais diversos consumidores.

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s