VW Nivus Highline é melhor do que muitos utilitários esportivos

Crossover coupé supera, até mesmo, o “irmão” T-Cross em alguns aspectos

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 06/11/2020)

A Volkswagen demorou a oferecer SUVs competitivos no Brasil, mas está tirando o atraso. Três modelos já estão nas concessionárias e outro chega em 2021, todos sobre a moderna plataforma modular MQB.

Em 2018, ela lançou a segunda geração do Tiguan configurado sobre a base do Passat. Em 2019, e este ano, os compactos T-Cross e Nivus com os entre-eixos do Virtus e do Polo respectivamente. Ano que vem será a vez do Taos, um SUV médio com as medidas da plataforma do Jetta.

DC Auto recebeu o Nivus Highline 200 TSI para avaliação. No site da montadora seu preço sugerido é R$ 102,05 mil na cor sólida preta.

O modelo conta com o pacote opcional Launching Edition. Nele, teto, capas dos retrovisores, rack do teto, parte das rodas e emblemas são pintados em preto brilhante. Esse pacote (R$1,50 mil) é o único opcional disponível para a versão avaliada e eleva o preço final para R$ 103,55 mil.

Equipamentos – Os principais equipamentos de série desta versão são: quadro de instrumentos digital Active Info Display, sistema multimídia touchscreen VW Play com tela colorida de 10,1 polegadas e App-Connect, ar-condicionado com controle eletrônico de temperatura Climatronic, volante multifuncional com shift-paddles para trocas manuais de marcha, chave presencial e partida por botão, entre outros.

Os faróis, os faróis de neblina, as luzes de condução diurna, as luzes de direção e as lanternas traseiras são em LED.

Alguns equipamentos de segurança são raros ou inexistentes na concorrência: ACC – controle adaptativo de distância e velocidade com função de frenagem de emergência e monitoramento frontal; AEB (City Emergency Brake ) – sistema autônomo de frenagem de emergência anti-colisão frontal (até 50 km/h); 6 airbags (frontais, laterais e do tipo cortina); indicador para controle da pressão dos pneus; sistema de frenagem automática pós-colisão (Post Collision Brake) e sistema detector de fadiga do motorista.

Outros são mais comuns ou obrigatórios: assistente para partida em aclives / subidas (Hill Hold Control), controle eletrônico de estabilidade (ESC) e controle de tração (ASR).

Também estão presentes: espelho retrovisor interno com antiofuscamento eletrônico, sensores de chuva e crepuscular, câmera para auxílio em manobras em marcha à ré e sensores de estacionamento dianteiros e traseiros.

Motor e Câmbio – O motor do Nivus é o 200 TSI. Ele é 1.0 turbo, tem três cilindros e é bicombustível. Conta com injeção direta, duplo comando de válvulas tracionado por correia dentada com variação da abertura, tanto na admissão como na exaustão.

O 200 TSI rende 128/116 cv às 5.500 rpm com etanol e gasolina, respectivamente, e seu torque é 200 Nm (20,4 kgfm) às 2.000 rpm com os dois combustíveis.

O câmbio é automático convencional de seis (6) marchas com conversor de torque e permite trocas manuais por meio da sua alavanca ou das aletas posicionadas atrás do volante.

O projeto do Nivus merece algumas considerações. Ele foi totalmente desenvolvido no Brasil por uma equipe de designers comandada por José Carlos Pavone. Ao redesenhar e reposicionar diversas peças do Polo, ela criou um carro com carroceria coupé.

Portas, vidros laterais, para-brisa, teto e todo interior do Nivus, até o banco traseiro, são as mesmas peças do Polo. As laterais da carroceria são novas, pois a queda suave da linha da traseira do modelo coupé alongou e modificou toda essa parte posterior do hatch.

Também foram redesenhados o capô, grades, faróis e lanternas, os dois para-choques e a tampa do porta-malas, peça que mais define o perfil do Nivus.

Duas soluções estruturais são elogiáveis: um longo spoiler duplo prolonga o teto sobre a tampa traseira finalizando o seu design em forma de arco. Braços metálicos soldados no monobloco sustentam os novos para-lamas dianteiros que ficaram mais altos para aumentar a robustez frontal do modelo.

Ambos os recursos evitaram a troca do teto e modificações na plataforma, respectivamente, caras intervenções que poderiam inviabilizar o projeto.

O Nivus é um crossover coupé, e não, um utilitário esportivo (SUV). Sua altura em relação ao solo não permite ao modelo atingir os requesitos mínimos para ser homologado como utilitário esportivo.

Mas essa característica é ótima, em nossa opinião. Ele é alto o suficiente para superar a buraqueira das nossas ruas e estradas e é quase tão estável e prazeroso de guiar como o Polo.

Interior – O espaço nos bancos dianteiros do Nivus garante conforto ao motorista e passageiro. A ergonomia é acertada com todos os comandos a mão. Apenas os comandos dos vidros elétricos estão mais recuados que o ideal.

Na parte de trás não há tanto espaço e as pernas das pessoas mais altas ficam apertadas. Ao incorporar a carroceria coupé, o vidro traseiro se afastou do banco melhorando a área para a cabeça de quem vai no banco traseiro.

Essa mesma característica ampliou em mais de 100 litros o porta-malas do Nivus em relação ao do Polo. Ele comporta 415 litros de bagagem, 42 litros a mais que no T-Cross.

Já no entre-eixos, são 85 mm a mais para o T-Cross, diferença suficiente para garantir muito mais conforto em seu banco traseiro.

Todos os modelos nacionais da Volkswagen construídos sobre a plataforma MQB têm acabamento simplificado, inclusive o Nivus. As peças internas são feitas em plásticos rígidos e apenas os apoios de braços das portas dianteiras trazem uma pequena área revestida em tecido acolchoado.

O aplique que se estende por todo o painel e alcança as maçanetas dianteiras recebe uma pintura em preto brilhante no Nivus Highline, acabamento que confere alguma sofisticação ao seu interior.

Detalhes metalizados quebram a monotonia de cinzas e pretos predominantes. Revestimentos internos do teto e das colunas também são em preto, outro diferencial desta versão.

Tecnologia – Os destaques tecnológicos do Nivus são a sua central multimídia, o quadro de instrumentos digital e os assistentes de condução semi-autônoma. O VW Play tem uma tela de 10,1 polegadas, a maior em seu segmento.

Sua qualidade de imagem, sensibilidade ao toque e velocidade de processamento também são as melhores entre seus pares. Muitos recursos, informações sobre o veículo e alguns aplicativos pré-instalados tornam o modelo o mais completo do mercado em conteúdo. Não ter botões físicos de comando, navegador nativo e internet embarcada são os seus defeitos.

O quadro de instrumentos digital é configurável em três modos e permite ao condutor escolher ter mais ou menos informações a sua frente. Recurso gráfico auxilia na leitura da velocidade e da rotação do motor quando a tela está configurada para mostrar os marcadores como se fossem analógicos.

O sistema de condução semi-autôma do Nivus tem as duas funções básicas: funciona como controlador de velocidade adaptativo e alerta o motorista para aproximações perigosas, freando o carro caso ele não reaja. Faltam leitores de faixas para avisar e corrigir desvios involuntários em estradas e, também, o recurso de parada e partida em trânsito, ideal para congestionamentos e semáforos rápidos.

Comportamento dinâmico do modelo é um dos seus destaques

Sofisticações a parte, o melhor do Nivus é o comportamento dinâmico. Acertado, o conjunto motriz trabalha com precisão e garante um desempenho além do esperado para um motor de um litro acoplado a um câmbio automático convencional.

Não é um esportivo, lógico, mas a oferta de torque em baixas rotações faz o Nivus responder de forma imediata às acelerações e às reduções das marchas, principalmente quando executadas por meio das aletas.

Mais baixo e leve que o T-Cross, ele sofre menos com a resistência do ar em velocidades maiores e faz menos esforço para deslocar seu próprio peso, conseguindo um desempenho superior ao do SUV compacto.

A distância do Nivus em relação ao solo é apenas 27 mm a mais que no Polo. Diferença suficiente para melhorar a transposição dos inúmeros obstáculos urbanos e ainda manter uma estabilidade próxima à do hatch.

Seu conjunto de suspensões entrega mais conforto que no Polo, que usa pneus com laterais mais baixas e também se sai melhor que o T-Cross, que têm as suspensões mais rígidas.

Os dois modelos trafegam com desenvoltura em estradas de terra batida, superando desníveis do piso com eficiência. Mas o acerto das suas suspensões não combina com buracos e “costelas de vaca”, irregularidades comuns no fora de estrada, exigindo muito da estrutura e sacrificando o conforto a bordo. Nivus e T-Cross são mais urbanos do que aventureiros.

Outro diferencial dinâmico do Nivus é proveniente de sua carroceria coupé. Por ter um maior balanço traseiro (distância entre o centro da roda de trás até o fim do para-choque traseiro), mais peso após o eixo, a suspensão traseira trabalha em uma frequência menor garantindo mais conforto aos passageiros do banco de trás.

Consumo – Em nosso teste padronizado de consumo rodoviário, no percurso de 38,7 km, realizamos duas voltas, uma mantendo 90 km/h e outra a 110 km/h, sempre conduzindo economicamente.

Somente o motorista, vidros fechados, faróis acesos e ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e a ventilação na segunda posição completam a padronização. Na volta mais lenta atingimos 13,7 km/l. Na mais rápida o consumo foi de 12,4 km/l.

Já no teste de consumo urbano, realizado em um circuito de 6,3 km no qual completamos quatro voltas, totalizando 25,2 km, nós circulamos por 5,2 km em vias secundárias, velocidade máxima de 40 km/h, e por 20 km em vias primárias, velocidade máxima de 60 km/h.

No total, realizamos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Entre o ponto mais baixo do circuito e o mais alto existe uma variação de 152 metros em relação ao nível do mar, algo que simula uma topografia bem acidentada, como a de Belo Horizonte (MG).

Fotos: Amintas Vidal

Sem contar com o sistema stop/start, útil para economizar combustível nas paradas simuladas em semáforos, o Nivus não foi tão econômico no circuito urbano, registrando 7,2 km/l, também com etanol.

Por ser um crossover, o Nivus agrada mais do que muitos SUVs. Seu pecado é o pequeno espaço interno traseiro. Para quem anda com mais bagagens que passageiros, ele é o ideal, e essa versão traz mais equipamentos de série do que todos os seus concorrentes no segmento.

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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