Avaliamos o Volvo XC40 híbrido, um dos modelos eletrificados da marca sueca

SUV compacto utiliza motor à combustão de 180 cv aliado a um elétrico de 82 cv

 Amintas Vidal* (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 12/12/2020)

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A Volvo é a referência em segurança automotiva. Ela inventou o cinto de três pontos, em 1959, e liberou sua patente para que todas as outras montadoras pudessem usar este importantíssimo dispositivo de segurança em seus carros. A marca estima que essa ação salvou até 1milhão de vidas, desde então.

Outros equipamentos criados pela empresa sueca já se tornaram comuns nos carros de hoje, como as barras de proteção contra impactos laterais, airbags laterais e de cortina e assentos elevados para crianças.

Diversos sistemas de controle de cruzeiro, detecção de tráfego e frenagem de emergência, assim como os avisos de pontos cegos e de colisão eminente, são inovações da Volvo que começaram a ficar populares na corrida tecnológica em direção à automação veicular.

Mas, o que fez a fama de seus carros foram as excelentes classificações obtidas nos testes de colisão, frutos das tecnologias estruturais desenvolvidas para absorção da energia dos impactos nas áreas periféricas das carrocerias e para a preservação das células de sobrevivência que protegem seus passageiros, deixando-os praticamente intactos.

Historicamente, os modelos da Volvo estão entre os mais seguros em suas respectivas categorias, obtendo graduação máxima (cinco estrelas). Toda atual linha da marca apresenta alto percentual de proteção para adultos, crianças e pedestres e alta eficiência dos sistemas de assistência remota.

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Nesse quesito, o Volvo XC40 atingiu 97%, 87%, 71% e 76%, respectivamente, e figura entre os três utilitários esportivos compactos melhor avaliados pelo Programa Europeu de Avaliação de Novos Carros (Euro NCAP).

DC Auto recebeu para avaliação o Volvo XC40 R-Design T5 Hybrid Plug-in, versão de topo da gama do SUV compacto. No site da marca seu preço sugerido é de R$ 264,95 mil, em qualquer cor metálica ou no branco perolizado. A versão vem completa de série e não tem opcionais.

Apresentaremos alguns dos equipamentos disponíveis, aqueles que são raros ou diferentes dos usuais, como a central multimídia de 9 polegadas semelhante a um tablet com tela antirreflexo e posição vertical, GPS nativo com mapas em 3D e detalhamento das conversões.

Também estão presentes o quadro de instrumentos digital de 12,3 polegadas com lay-out configurável, com controle de brilho automático conforme intensidade luminosa externa, e o sistema de som Herman Kardon com 13 alto falantes, subwoofer ventilado e 600w de potência.

O XC40 ainda traz direção elétrica com regulagem da assistência em três níveis, independentemente da velocidade; ar-condicionado digital de duas zonas com controles em página dedicada no multimídia, funcionamento acionável pelo celular e saídas para o banco traseiro; chave presencial para abertura e fechamento das portas por toque na maçaneta e partida por botão; abertura e fechamento elétrico do porta-malas com sensor ao movimento do pé sob o para-choque traseiro; carregamento de celular por indução; teto solar panorâmico com acionamento programável; bancos dianteiros com regulagens elétricas, ajuste lombar, extensores para as pernas e memória para dois motoristas.

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O pacote de segurança se destaca: alerta de colisão frontal e traseiro; avisos de ponto cego e de tráfego cruzado; controle de cruzeiro adaptativo; sistema de detecção e correção de mudança involuntária de faixa; frenagem automática de emergência; assistente de partida em inclinações e controle de frenagem em descida.

Completam o pacote de segurança passiva: airbags frontais, laterais, de cortina e para o joelho do motorista, sistema de proteção contra impactos laterais, sistema de proteção contra lesões na coluna cervical, cintos de segurança com pré-tensores e limitador de esforço e alarme de movimentação interna.

Outros destaques tecnológicos do modelo são o Serviço Volvo On Call de chamada auxiliar por voz e de resgate por deflagração dos airbags; os faróis em full LED com nivelamento automático, luzes direcionais ativas e comutação automática da luz alta; os retrovisores externos rebatíveis eletricamente, com escurecimento automático, assim como o interno; o sistema de leitura de placas com alertas gráficos no painel digital; os sensores de chuva e crepuscular e o sistema de monitoramento de pressão dos pneus.

Motor e Câmbio – O sistema de propulsão híbrida conta com um motor a combustão e outro elétrico. Este conjunto também foi denominado T5, assim como na antiga versão R-Design, mas essa variante não era híbrida e usava um bloco 2.0 turbo de 252 cv.

A nova versão usa um motor 1.5 turbo com três cilindros em linha. Seu cabeçote tem 4 válvulas por cilindro, comando duplo tracionado por correia dentada com variação de abertura na admissão. A injeção é direta e a taxa de compressão é 10.5/1. Ele atinge a potência 180 cv às 5.800 rpm e torque máximo de 27 kgfm às 1.500 rpm, com gasolina, pois não é flex.

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O motor elétrico desenvolve 82 cv de potência e 16,3 kgfm de torque. No uso combinado, os dois motores desenvolvem até 262 cv de potência e 43,3 kgfm de torque. Apenas usando o motor elétrico, a autonomia é de até 47 km quando as baterias estão com carga máxima.

Sua capacidade elétrica é de 10,7 kWh e a recarga pode ser feita pelo motor a combustão ou em eletro postos, públicos ou residenciais. O tempo de recarga varia de 3 a 6 horas, dependendo da voltagem e da amperagem da rede elétrica na qual o equipamento ou adaptador é instalado.

Diferentemente do XC40 T5 2.0, que usa tração integral sob demanda e câmbio automático de 8 marchas, essa versão híbrida tem tração dianteira e câmbio automatizado de dupla embreagem banhada a óleo com 7 marchas e comando tipo joystick.

Motor e câmbio fisicamente menores para dividirem espaço no cofre, e o uso do túnel central para alojar as baterias, viabilizaram a eletrificação do compacto e decretaram essas configurações do conjunto mecânico e da tração, respectivamente.

Design – A Volvo evoluiu muito em design. Podemos dizer que ela passou por três fases distintas em sua existência. Sempre foi uma empresa escandinava, pragmática, o que refletia em seus carros, quadrados, pouco emocionais.

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No fim dos anos de 1990, foi comprada pela americana Ford. A aquisição tornou seus modelos mais orgânicos e fantasiosos, reflexo do design que sua controladora apresentava na época.

A melhor fase é, sem duvida, a atual. Desde 2010 ela pertence à montadora chinesa Geely. Investimentos e liberdade para desenvolver projetos de forma independente da empresa asiática fizeram bem à europeia.

Comandado pelo alemão Thomas Ingenlath, entre 2012 e 2017, o departamento de design da Volvo criou a linguagem visual dos seus modelos atuais. Mantendo o DNA da marca, solidez, segurança e funcionalidade, ele acrescentou personalidade e sofisticação aos seus carros, com certeza, um dos principais motivos da expansão da Volvo em diversos mercados mundiais.

Talvez, o XC40 seja o melhor exemplo desta fase. Ele consegue ter um design típico de “jeep”, com linhas paralelas e altas, e recurso de crossovers, colunas “b” e “c” bem inclinadas. Os volumes côncavos e convexos da carroceria são marcantes e limpos ao mesmo tempo.

Faróis e lanternas carregam a identidade da marca, mas também são mais simples que em outros modelos da linha. Força, dinamismo e elegância resumem este modelo, o Volvo mais vendido atualmente.

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Interior – No interior, o design se repete. Linhas horizontais fortes e simples nos painéis, console e volante. Linhas verticais nas saídas de ar, no multimídia e na manopla do câmbio.  Neste contraste a cabine se equilibra estruturalmente.

Modelo premium, seus revestimentos são de qualidade. Quase todo o painel principal e metade das portas recebem material emborrachado ou acolchoado. Partes plásticas rígidas têm textura agradável ao toque.

Uma faixa central pontilhada com aparência metálica adorna painel e portas. Botões, saídas de ar, maçanetas e estrutura do volante e pedais apresentam acabamentos metálicos variados que sofisticam a cabine.

Volante, manopla do câmbio e bancos são revestidos em couro e camurça. Variações de preto e cinza, tudo muito monocromático. Na Europa, a versão é bem mais interessante: todos os nichos, túnel central e piso são revestidos por carpete na cor laranja, detalhe que quebra a monotonia interna.

O XC40 tem espaço de sobra para quatro adultos. O alto túnel central tira todo o conforto de uma quinta pessoa. O porta-malas comporta 460 litros e, o tanque de combustível, 48 litros. Mesmo compacto, suas dimensões são avantajadas. São 4,43 metros de comprimento, 2,03 metros de largura com os retrovisores abertos, 2,70 metros de entre-eixos e 1,65 metro de altura.

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Tecnologia embarcada e baixo consumo são destaques do XC40 Hybrid

Sendo um híbrido, com um motor a mais e baterias, seu peso é de 1.871 kg, acréscimo de 138 kg em relação ao XC40 T5 2.0. Contudo, mesmo mais potente, seu desempenho é inferior. De 0 a 100 km/h ele registra 7,3 segundos contra 6,5 segundos do irmão não eletrificado.

Em compensação, o torque imediato do motor elétrico, somado ao de combustão, tira o modelo da inércia com mais disposição quando se pisa fundo no acelerador, algo que os motores turbo alimentados demoram um pouco para entregar.

Caso haja carga na bateria, e menos pressa, o melhor da versão se apresenta. Acelerando mais suavemente, o motor elétrico desloca o híbrido quase em silêncio total e com ótima desenvoltura para deslocamentos urbanos. Valente, o conjunto elétrico funciona por mais tempo sem solicitar ajuda do motor a combustão, quando comparado a outros híbridos.

Cinco modos de condução podem ser selecionados em botão no painel ou em página no multimídia. Eles privilegiam o uso individual ou combinado dos motores elétrico e à combustão buscando maior desempenho ou economia de combustível.

O mais equilibrado é o Hybrid, não por acaso, o modo padrão, sempre ativado quando se liga o SUV. Ele usa um motor ou outro buscando economia ou desempenho conforme o comando do motorista e as variáveis topográficas.

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O Power entrega o melhor desempenho possível dos dois motores. O Pure busca a máxima economia de combustível, acionando o motor a combustão apenas quando as baterias se esgotam. O modo Off-Road busca a melhor tração em pisos irregulares e escorregadios e, o Individual, permite personalização por meio de configurações no multimídia.

Páginas diversas neste sistema permitem muitas outras seleções, como optar por uma maior regeneração de energia para as baterias ao pisar no freio, colocar o carro em freio motor ou bloquear o sistema elétrico para usar a carga disponível na bateria em momento futuro.  

Os sistemas de condução semi-autônoma são muito eficientes. Eles mantêm velocidades e distâncias com precisão, identificam e corrigem avanços sobre as faixas antecipadamente e alertam aproximações perigosas e veículos em ponto cegos com alarme e avisos luminosos. Estes auxílios não permitem ao condutor tirar a mão o volante, até porque, as pinturas mal conservadas das nossas vias dificultam as correções de trajetória.  

Além do uso em estradas, o controle de cruzeiro adaptativo pode ser usado em trânsito urbano, parando e acelerando o veículo em semáforos e em congestionamentos, quando o intervalo das ações não ultrapassa 5 segundos. Caso demore mais, basta tocar o acelerador para ele retomar a navegação assistida.

A estabilidade corresponde ao ótimo desempenho. O XC40 quase não inclina a carroceria em curvas, comportamento dinâmico semelhante a modelos mais baixos. Entretanto, as rodas de 20 polegadas, e os pneus 245/45, exigem grande trabalho do conjunto de suspensões para isolar a cabine das irregularidades do nosso asfalto, algo nem sempre possível.

O uso do modelo é muito ergonômico, intuitivo e funcional. A comutação das marchas pelo joystick é muito mais fácil do que pelo sistema de alavanca tradicional. Botões físicos para selecionar modo de condução, volume e faixas das músicas, desembaçadores e luz de alerta são ideais.

Todos os outros dispositivos são acessados pela tela do multimídia ou por botões do volante. Ar-condicionado, GPS, telefonia e inúmeras configurações estão em diversas páginas selecionáveis na tela do multimídia. A página dedicada ao sistema de climatização traz ícones grandes e visíveis que compensam a falta de botões físicos, mas, o excesso de informações e a tela vertical nem sempre ajudam.

O Android Auto fica menor do que em telas horizontais e informações das configurações têm letras de difícil leitura com o carro em movimento, por exemplo. O volante é muito bem planejado. Seus comandos são essenciais e de fácil utilização. O cuidado da Volvo com segurança é sentido até neste aspecto da direção sem desvio da atenção.

O sistema de áudio é um capítulo à parte. O som é projetado sobre o painel, como em show ao vivo e envolve todo o ambiente. Mais que a potência, a qualidade se sobressai.

O GPS nativo detalha as mudanças de rota no painel digital, algo que facilita muito a navegação, além das imagens em 3D das edificações que ajudam no reconhecimento dos locais trafegados.

Consumo – Em nossos testes de consumo padronizado fizemos as medições no modo Hybrid e com as baterias com meia carga. No teste rodoviário realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma aos 90 km/h e, outra, aos 110 km/h.

As baterias se esgotaram aos 28 km da primeira volta. Nesta, na menor velocidade e com amplo uso do motor elétrico, o consumo foi de 30,3 km/l. Na mais rápida, e sem carga na bateria, o consumo registrado pelo motor a combustão foi de 13,5 km/l.

O teste de consumo urbano é realizado em um circuito de 6,3 km no qual completamos quatro voltas, totalizando 25,2 km, fizemos paradas para simular semáforos e deslocamos por vias muito acidentadas.

Mesmo assim, o sistema elétrico funcionou por grande parte do trajeto, possibilitando o melhor consumo urbano que já registramos neste circuito: 20,8 km/l.

Com a mais ampla linha de modelos híbridos plug-in do Brasil, a Volvo aumentou suas vendas e superou duas marcas premium concorrentes (Audi e Mercedes-Benz), ficando em segundo lugar entre os luxuosos, atrás somente da BMW.

Mesmo menos tradicional que o trio alemão, a marca sueca está conquistando o mercado com a eletrificação recarregável, a automação viária e sua tradição em segurança.

IMG_0918Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

2 comentários em “Avaliamos o Volvo XC40 híbrido, um dos modelos eletrificados da marca sueca”

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