Fiat Strada foi completamente reformulada

Intenção da montadora foi transformar a picape em uma “mini Toro”, seu grande sucesso no segmento

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 18/12/2020)

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Em time que está vencendo não se mexe. Essa máxima do futebol não se aplica ao mercado automotivo. A Fiat Strada é um ótimo exemplo disso. Ela foi a picape mais vendida nos últimos 20 anos e passou por diversas evoluções para conquistar este título tantas vezes seguidas.

Nascida em 1998, picape do Palio e com cabine simples, a Strada foi pioneira em todas as variações de carrocerias existentes em modelos compactos: cabine estendida, cabine dupla com duas portas, cabine dupla com três portas e cabine dupla com quatro portas, só para citar as inovações mais relevantes.

DC Auto recebeu para avaliação a nova Fiat Strada na versão de entrada e com cabine dupla, a Endurance 1.4 Flex. Lançada no final de junho por R$ 69,49 mil, a versão figurava no site da montadora por R$ 75,99 mil até recentemente. Isto porque, neste momento de virada de ano, o preço encontra-se como “não disponível no momento”.

Mas este preço só se aplica à pintura preta sólida. A branca e a vermelha, também sólidas, custam cerca R$ 990,00 e, as metálicas prata e cinza, caros R$ 2,30 mil.

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Seus principais equipamentos de série são: ar-condicionado, direção hidráulica, volante com regulagem em altura e computador de bordo, airbags frontais e laterais, freios ABS com EBD, gancho para fixação cadeira infantil (Isofix) e controles de estabilidade e de tração. Também figuram em todas as versões da nova Strada os ganchos para amarração de carga, protetor de caçamba, grade de proteção do vidro traseiro e porta-escada.

Porém, alguns equipamentos nem são oferecidos na versão Endurance, como rodas em liga leve e retrovisores com comandos elétricos. Ela vem com rodas em aço estampado e as calotas, acredite, são opcionais!

Outros equipamentos pagos a parte são: sistema básico de som ou multimídia completo, capota marítima, alarme, travas e vidros elétricos, brake light, fechadura elétrica na caçamba, comando interno da tampa do combustível e ajuste de altura do banco do motorista.

Além da pintura metálica, a unidade avaliada estava equipada com as calotas e os dois pacotes opcionais mais caros. Ainda sem contar com a capota marítima, essa configuração eleva seu preço para cerca de R$ 84,43 mil (lembrando da indisponibilidade dos preços no site da fabricante neste momento).

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Motor e Câmbio – Com cabine dupla ou simples, a versão Endurance vem equipada com o mesmo motor 1.4 Fire Evo bicombustível usado na primeira geração da picape. Ele tem 4 cilindros em linha e 2 válvulas por cilindro com variação na abertura em um comando simples tracionado por correia dentada.

A injeção é indireta multiponto e sua taxa de compressão é 12.35/1. Ele desenvolve torque máximo de 12,5/12,4 kgmf às 3.500 rpm e a potência atinge 88/85 cv às 5.750 rpm com etanol e gasolina, respectivamente.

O câmbio é manual de cinco (5) velocidades e usa embreagem monodisco a seco com acionamento por meio de atuadores hidráulicos.

Design – Nessa nova Strada, a Fiat usou partes de mais de um modelo. Portas e vidros dianteiros, coluna “A”, teto e para-brisa vieram do Mobi. Estrutura frontal e mecânica mesclam peças do Mobi e do Argo. Na traseira, parte da arquitetura e da suspensão vieram do furgão Fiorino.

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Mas, ao contrário da primeira geração, todas as versões da nova picape são iguais entre si e totalmente diferentes dos seus modelos doadores. A intenção clara da Fiat foi transformar a Strada em uma mini Toro, seu grande sucesso no segmento de picapes intermediárias. Para tal, o design externo e interno são exclusivos, mesmo utilizando componentes de outros carros da marca.

Endurance, Freedom e Volcano são as versões de entrada, intermediária e de topo da gama. Elas se diferem em alguns detalhes. Externamente, a Endurance não tem pintura nos para-choques, maçanetas e retrovisores e não conta com farol de neblina e nem rodas em liga leve.

Além da pintura nessas peças, a Freedom recebe luz de direção nos retrovisores e os dois equipamentos ausentes na Endurance. Faróis em LED, rodas diamantadas e rack integrado são as exclusividades da Volcano que mais a destacam.

Interior – Internamente, as diferenças são bem menores. Todas as versões têm as mesmas peças e se diferenciam apenas pelo acabamento das maçanetas e pelo material de revestimento dos bancos e do volante.

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Mesmo abundante de equipamentos de diversos modelos da marca, o design interno é original. Todas as partes plásticas foram redesenhadas: painéis, console, revestimentos das colunas e do teto. Nenhuma delas é macia ao toque ou têm áreas acolchoadas.

Também não há grande variedade de texturas ou cores, mas as peças estão bem encaixadas e sem rebarbas. Simplicidade comum em veículos de trabalho.

Compacta, a Strada oferece espaço sem sobras para quatro adultos. Um quinto passageiro fica apertado. Os comandos estão todos à mão e os encostos de braço das portas corretamente posicionados. Sua ergonomia é acertada, mas faltam comandos elétricos dos espelhos retrovisores (nessa versão) e regulagem de profundidade do volante (em todas as versões).

Existe uma boa quantidade de nichos para celulares, copos e outros objetos, melhor que no Argo, por exemplo. Os bancos dianteiros são novos e muito eficientes. A espuma rígida dá boa sustentação e as laterais ressaltadas seguram muito bem os passageiros em curvas.

O banco traseiro tem encosto muito vertical, ângulo um pouco desconfortável. Tanto essa posição do encosto, como o limitado espaço para as pernas, visam liberar maior área na caçamba, prioridade em uma picape. Em compensação, as portas traseiras abrem quase 80 graus, facilitando o acesso dos passageiros.

O volume de carga da Strada cabine dupla subiu de 650 para 844 litros na comparação com a antiga geração, espaço conquistado com laterais mais altas e o deslocamento do estepe para debaixo da caçamba.

A capacidade de carga se manteve em 650 kg de peso. Sua tampa ganhou assistência de mola por torção e ficou muito leve para abrir e fechar. Ela foi reestruturada e passou suportar até 400 kg quando aberta. Quando fechada, ela impede acesso ao sistema de liberação do estepe, impossibilitando o roubo do mesmo.

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Seu tanque de combustíveis comporta 55 litros, 3 litros a menos que na sua antecessora. Porém, todas as outras medidas cresceram: 4,47 metros de comprimento, 2,73 metros de distância entre-eixos, 1,73 metro de largura, 1,59 metro de altura e 212 mm de vão livre do solo. Seus ângulos de ataque (23,7°) e saída (26,5°) são muito bons.

Tecnologias – A central multimídia não é das maiores, mas mantém os botões físicos, arquitetura ideal. Ela é rápida em processamento, tem boa definição de tela e sensibilidade ao toque. A possibilidade de espelhamento sem cabo por meio dos sistemas Android Auto e Apple CarPlay é o seu grande destaque.

O sistema de ar-condicionado analógico é eficiente e de fácil operação. Os botões de controle de áudio, telefone e computador de bordo existentes no volante são completos. O número de funções deste computador de bordo também é abrangente, mas o acesso às suas páginas não é tão direto, dificultando o uso em movimentos.

Conjunto mecânico desta versão é mais indicado para o trabalho, seja no campo ou na cidade

A direção hidráulica é pesada em manobras de estacionamento, se compararmos às elétricas. Em médias e altas velocidades o peso é adequado. A embreagem tem peso normal, mas a assistência hidráulica poderia ser maior para torná-la mais leve. O câmbio tem encaixes precisos, mas o curso da alavanca ainda é longo e os batentes são um pouco “muxibentos”.

A relação das marchas deste câmbio não é das mais longas. Aos 110 km/h, engrenado na quinta marcha, o motor já está girando às 3.450 rpm. Essa característica favorece o propulsor que tem torque máximo nessa faixa de giro, mas torna o deslocamento em estradas um pouco ruidoso, pois o isolamento acústico não bloqueia todo o seu barulho na cabine.

Mesmo veterano, o motor 1.4 Fire Evo dá conta de deslocar a Strada cabine dupla com agilidade, mas sem brilhantismo, o suficiente para os serviços mais comuns na cidade ou no campo. Em subidas, ou carregada, a picape com este conjunto motriz exige paciência e maior elevação da rotação do motor em cada marcha para cumprir o trabalho.

As suspensões são elogiáveis, como na maioria dos modelos da Fiat. No caso, elas são preparadas para o trabalho e ficam muito rígidas quando a picape está vazia. Mesmo assim, entregam relativo conforto, sem oscilações exageradas.

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Na traseira, mantendo o diferencial que já destacava a outra geração, existem molas parabólicas no lugar das helicoidais e um eixo em forma de ômega que permitem maior peso de carga e melhor transposição em estradas com pisos irregulares, respectivamente.

Por fim, o recurso TC+ é uma programação do controle de tração que identifica uma roda sem aderência e aciona o seu freio para transferir o torque para a roda com tração. Substituto do antigo Locker, opcional na Strada Adventure de primeira geração, o TC+ equipa, de série, todas as versões da nova Strada.

Consumo – Em nossos testes de consumo padronizado, contamos com a colaboração do canal Carro Esporte Clube que nos cedeu a versão Volcano e, assim, também pudemos avaliar a nova Strada cabine dupla com o motor mais moderno, o 1.3 Firefly de três cilindros.

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Realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e, a outra, 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Somente o motorista, vidros fechados, faróis acesos e ar-condicionado regulado na refrigeração intermediária e a ventilação na segunda posição completam a padronização.

Na volta mais lenta, as versões Endurance e Volcano empataram em 13,1 km/l. Na mais rápida, a Volcano foi um pouco mais econômica, 11,3 km/l contra 11,1 km/l da Endurance, sempre usando etanol. Vale uma observação: nos testes em rodovias, a aerodinâmica é fundamental. Se a versão Endurance tivesse capota marítima, suas médias seriam um pouco melhores.

No teste de consumo urbano, realizado em um circuito de 6,3 km no qual completamos 4 voltas, totalizando 25,2 km, circulamos por 5,2 km em vias secundárias, velocidade máxima de 40km/h e por 20 km em vias primárias, velocidade máxima de 60 km/h.

No total, realizamos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Entre o ponto mais baixo do circuito e o mais alto, existe uma variação de 152 metros em relação ao nível do mar, algo que simula uma topografia bem acidentada, como a de Belo Horizonte (MG).

Seguindo os padrões complementares descritos acima, também com etanol no tanque, a versão Volcano foi mais econômica, registrando 7,5 km/l contra 7,1 km/l da versão Endurance. Essa diferença mostra que motores com maior torque em baixas rotações são mais econômicos em cidades, principalmente naquelas com topografias mais acidentadas.

A nova Strada Endurance cabine dupla só faz sentido se usada para o trabalho, adquirida sem opcionais e com desconto para frotista. Quem quer a picape para o lazer deve optar pelas duas outras versões, mais equipadas e um pouco mais caras.

A melhor é a Volcano, variante que traz de série todos os melhores equipamentos existentes para o modelo e custa cerca R$ 82,29 mil, valor menor que da unidade Endurance repleta de opcionais que avaliamos.

IMG_0735Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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