Renault Kwid 2023 está de cara nova e com o consumo aprimorado

Start/stop, novidade na linha, melhorou a eficiência energética do modelo

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 29/04/2022)

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Já elogiamos o acerto da Renault ao lançar o Kwid 2018, buscando solucionar problemas apontados pela imprensa e clientes. No modelo 2023, sua primeira reestilização, a marca se manteve atenta, buscou elementos de estilo atuais e conseguiu melhorar ainda mais o seu design, mesmo mudando muito pouco.

Essa renovação estreou no dia 20 de janeiro e já está alavancando as vendas. Com 52.916 emplacamentos, o Kwid foi o décimo primeiro automóvel entre os mais vendidos em 2021.

Este ano, no fechamento do 1º trimestre, ele registrou 11.402 unidades, ocupando a oitava posição nesta lista, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O DC Auto recebeu o Renault Kwid Intense Pack Biton (2023) para avaliação. Estranhamente, o site da montadora divulga um preço de R$ 67,89 mil para a versão, mas ela é mais cara.

Como o teto vem na cor sólida preta, a única não cobrada à parte, é preciso escolher uma das outras cores para compor o biton: R$ 700,00 para a branca sólida e R$ 1,50 mil para as metálicas. O correto seria precificar em R$ 68,59 mil, considerando a cor branca como básica e as outras cobradas à parte.

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A versão não tem opcionais. Os principais equipamentos de série são: Media Evolution com Android Auto e Apple Carplay; ar-condicionado; retrovisores com ajuste elétrico; câmera de ré; direção elétrica; sistema stop&start; teto e retrovisores em preto brilhante e rodas em liga leve diamantadas.

Em segurança, ele ficou mais completo, pronto para atender à legislação atual e a que virá em 2024. Os principais itens são: controle eletrônico de estabilidade (ESP) com auxílio de partida em rampa (HSA); luzes de circulação diurna em LED (DRL); 4 airbags (2 frontais e 2 laterais); freios ABS; sistema Isofix; cintos de segurança traseiros de 3 pontos; monitoramento da pressão dos pneus (TPMS), aviso de cintos desafivelados para todas as posições e sistema CAR (travamento automático a 6 km/h), que formam um conjunto robusto para um carro de entrada.

Motor e Câmbio – Para atender às novas normas de emissões, a Renault promoveu mudanças na calibração do motor. Ao contrário das alterações ocorridas em outras marcas, nesta, os números de potência e torque foram um pouco elevados e, não, reduzidos.

Atualmente, o motor 1.0 flex de três cilindros gera 71/68 cv às 5.500 rpm e 10/9,4 kgfm às 4.250 rpm com etanol e gasolina, respectivamente.

Suas tecnologias permanecem as mesmas: injeção multiponto, duplo comando de válvulas tracionado por corrente e 12 válvulas sem variação na abertura.

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O câmbio é manual de cinco (5) marchas com embreagem monodisco a seco.

Propagado como o “SUV dos compactos”, o Kwid é, na verdade, um hatch subcompacto. Porém, suas medidas (185 mm de vão livre, 24,1°de ângulo de entrada e 41,7°de saída) foram mais do que suficientes para classificá-lo como um utilitário esportivo no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Daí, o mote publicitário.

Além desta visão mercadológica, seu design segue a cartilha do segmento, transformando-o, visualmente, em uma espécie de miniatura de SUV, mesmo antes das recentes mudanças estéticas.

Agora, o Kwid ganhou uma nova cara, renovada com o estilo mais atual existente nos utilitários esportivos. DRL afilados no alto, faróis embutidos ao centro e para-choque recortados em “X”, nos encaixes das grades, deixaram sua frente mais alta e robusta, passando a impressão do modelo estar maior do que antes.

Lateralmente, apenas novas calotas e a inédita roda de liga leve. Atrás, o para-choque ganhou refletores e leve modificação no design, e as lanternas receberam novas divisões internas e luz de posicionamento em LED.

Todas as suas dimensões permanecem as mesmas. São 3,68 metros de comprimento, 1,58 metro de largura, 1,48 metro de altura e 2,42 metros de distância entre-eixos.

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Seu tanque de combustível comporta apenas 38 litros, mas o porta-malas com 290 litros de capacidade é até maior do que os de alguns compactos. Ele pesa 820 kg e suporta uma carga útil de 375 kg.

Interior – Além de um porta-malas maior, seu interior é bem mais espaçoso do que o do Fiat Mobi, seu único concorrente na categoria. Quatro adultos tem área adequada para as pernas, sem sobras.

Ombros e cabeças têm espaço suficiente para o conforto de pessoas de baixa e média estatura. Ocupantes muito altos ou corpulentos ficam apertados, pois o modelo é estreito e a distância entre o piso e o teto não é das mais generosas. No centro do banco traseiro, somente se for uma criança pequena.

O Kwid é um subcompacto de entrada com todas as vantagens e limitações deste segmento. Todos os comandos estão à mão, rapidamente alcançados e manuseados.

Faltam ajustes na coluna de direção e de altura dos bancos, mas a ergonomia é muito boa para um motorista de 1,70 metro. Certamente, pessoas mais baixas ficarão bem posicionadas e, as mais altas, encontrarão dificuldades.

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Incomoda a proximidade entre os pedais do freio e do acelerador que são deslocados para a direita e afastados do pedal da embreagem. Dependendo do calçado, ao acelerar, é comum encostar levemente no pedal de freio.

As dimensões deste conjunto de controle são reduzidas, proporcionais ao carro. Mas, frequentemente, pisamos mais com o centro do pé e, não, com a parte frontal dele. Provavelmente, por estes pedais ficarem mais avançados e mais baixos do que o usual em outros carros manuais.

Como o porta-malas, o porta-luvas é maior do que o esperado e conta com luz de cortesia. Sua trava está à mão, como tudo na cabine, mas, estranhamente, seu compartimento fica muito recuado, deixando os objetos longe do alcance do motorista.

Os bancos são estreitos e curtos. A espuma deles sustenta bem o corpo dos ocupantes, mas não os seguram das forças laterais em curvas.

Tudo no Kwid é muito eficiente, mas sem sofisticação. Todas as superfícies são rígidas, nenhuma área é macia, mesmo nos encostos de braço.

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Os plásticos do interior apresentam algumas texturas, mas são mais ásperos que o ideal. Alguns parafusos aparentes e rebarbas em peças injetadas fazem parte das economias do projeto.

As maçanetas, alavancas e botões estão bem dimensionados, a despeito da aparência simples, exceto a manopla do câmbio que tem o desenho das guias na cor branca sobre superfície preta brilhante.

Outros detalhes em preto brilhante e cromado, assim como a diversidade de materiais empregados no revestimento dos bancos, conferem certa qualidade percebida ao interior.

Equipamentos – Os equipamentos são completos, vão além do usual para um carro básico e funcionam muito bem para um modelo de baixo custo de produção.

Em dias com temperatura normal, o ar-condicionado manual resfria rapidamente e mantém a temperatura de forma estável. Porém, nos mais quentes, falta maior volume na ventilação para cumprir este trabalho satisfatoriamente.

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O multimídia não é dos maiores, mas é eficiente. Seu brilho, sensibilidade ao toque e tempo de processamento é muito bom. Além de parear e espelhar celulares e oferecer funções básicas, ele tem página dedicada que mostra a forma de condução do motorista visando melhorar o consumo.

Tudo funciona corretamente, mas faz falta o espelhamento sem cabo, recurso mais prático.

Apesar de pequeno, o Kwid tem largas colunas “C”. A câmera de marcha à ré ajuda no trabalho de estacionamento, mas não muito. Sua imagem tem baixa definição e as guias de referência não são dinâmicas. Sensores de aproximação traseiros ajudariam bastante nesta função.

O novo quadro de instrumentos do modelo não utiliza ponteiros, conferindo modernidade à cabine. Ao centro, ele é digital, mostrando a velocidade em número muito legível.  As informações do computador de bordo aparecem em caracteres menores.

As informações laterais são analógicas e usam luzes para indicar a evolução das marcações. Essas informações são menos precisas, pois são utilizadas poucas divisões para sinalizarem a rotação do motor, a temperatura do sistema de arrefecimento e o esgotamento do tanque de combustíveis.

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No tacômetro, o giro só é registrado de 500 em 500 rpm, e a temperatura em frio, normal e superaquecido, por exemplo.

O computador de bordo traz todas as funções básicas necessárias com visualização única neste display central. A página do multimídia mencionada anteriormente contorna essas limitações com informações mais completas.

Merece destaque o controle satélite do sistema de áudio e telefonia. De uso cego, o mais seguro, ele é um dispositivo antigo, oriundo dos primeiros carros nacionais da Renault, que ganhou função para atender chamadas de celular, recurso inexistente na época.

Consumo surpreende mesmo com etanol, sendo o principal destaque do modelo

O baixo peso é, talvez, a característica que mais influencia na dinâmica do Kwid, tanto no desempenho quanto no conforto de marcha e na economia de combustível. Apesar do motor simplificado, menos potente do que o do Sandero, o modelo acelera com agilidade.

Seu giro sobe muito rapidamente e ele empurra o leve Kwid com facilidade, pois as marchas são bem escalonadas. O curso da alavanca não é muito longo e os engates não são imprecisos, mas a proximidade entre as marchas dificulta as trocas rápidas sem erros na seleção.

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Aos 110 km/h, e de quinta marcha, o conta-giros registra 3.200 rpm (número registrado em avaliação anterior a este novo  painel), bom regime para o conjunto: motor aspirado de um litro acoplado ao câmbio manual.

Nessas condições, a altura das suspensões e o design pouco aerodinâmico da carroceria já causam retenção ao deslocamento, obrigando aceleração constante para manter a essa velocidade.

Ruídos do vento, do atrito do pneu e do funcionamento do motor invadem a cabine, diminuindo o conforto acústico. Destes, o som do motor é o mais agradável, grave, como o de todos tricilíndricos do mercado.

As suspensões são mais rígidas e trabalham com eficiência ao transpor as irregularidades normais de nossas ruas e estradas. Em buracos maiores, o curto curso de trabalho acusa o seu limite com um baque mais seco.

Mesmo assim, o conjunto é robusto a adequado à proposta de ser um veículo para, também, andar bem em estradas de terra. O Kwid não é um SUV, mas entre os aventureiros, ele é um dos mais adaptados para o fora de estrada leve e para transpor lombadas e acessar rampas sem raspar os para-choques ou bater o fundo.

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A falta de massa causa muita oscilação da carroceria durante os trabalhos de amortecimento mais intensos, assim como sua estrutura enxuta sofre com torções nestes momentos.

Barulhos são ouvidos nos painéis plásticos que precisam acompanhar estes movimentos do monobloco, característica comum em projetos econômicos.

Estreito e alto, o Kwid tende a inclinar em curvas. Mesmo assim, ele se mantém estável em uma condução responsável. Os pneus estreitos, 165/70 R14, cantam em curvas mais que o usual para um carro atual.

A direção elétrica deixa o carro leve em manobras e responsivo em velocidades maiores, exigindo atenção para não causar sobre-esterço.  O controle de estabilidade, recurso estreante, ajuda a reduzir o risco da perda direcional.

O raio de conversão é curto, pois o entre-eixos menor e o bom ângulo de esterço favorecem a manobra. Além disso, suas dimensões reduzidas facilitam a circulação urbana e a disponibilidade de vagas para estacionar. Por ser leve, ele freia bem, apesar do pedal ter um curso mais curto do que o normal.

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Consumo – Indiscutivelmente, a maior qualidade do Kwid é a sua eficiência energética. Em nossos testes de consumo, ele pulverizou todas as marcas que nós obtivemos com outros veículos abastecidos com etanol.

No teste rodoviário padronizado, realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e, outra, 110 km/h, sempre conduzindo economicamente.

Na volta mais lenta, o Kwid Intense registrou 22,9 km/l. Na mais rápida, 19,2 km/l, sempre com etanol no tanque.

No teste de consumo urbano rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos cronometrados entre 5 e 50 segundos e vencemos 152 metro de desnível entre o ponto mais baixo e o mais alto do circuito.

Neste severo teste, o Kwid atingiu a média de 14,9 km/l, também com etanol. Equipado com o stop/start, o sistema que desliga o motor em semáforos funcionou em todas as paradas e contribuiu com este ótimo consumo urbano.

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Deste a versão de entrada, a Zen, o Kwid oferece todos os equipamentos de segurança e os básicos de conforto. A versão Intense, intermediária, traz a mais o sistema multimídia, a câmera de ré e os retrovisores elétricos, entre outros detalhes estéticos.

A de topo de linha, Outsider, tem apliques plásticos, pinturas e revestimentos diferenciados, além das rodas em liga leve. Todas são boas opções.

Essa versão, a Intense Pack Biton, tem muito estilo, por ter o teto em preto. Porém, em nossa opinião, seu valor é muito elevado, apenas R$ 100,00 abaixo da versão Outsider.

No caso, é melhor comprar a Outsider e, se o cliente fizer questão, envelopar o teto para ter o biton.

20220412_111617Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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