Jeep Compass Longitude diesel é o 4×4 de entrada do modelo

Versão do SUV médio conta com motor de 170 cv e câmbio automático de 9 marchas

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio) – Edição: 05/02/2021)

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Nem mesmo a Jeep esperava tamanho sucesso do Compass no Brasil. Comercializado deste outubro de 2016, já foram emplacadas 234.426 unidades do modelo até o fechamento de janeiro deste ano.

Utilitário esportivo (SUV) médio, ele foi o mais vendido em 2017 e 2018, superando diversos concorrentes compactos e outros tantos do seu tamanho, uma grande façanha. Em 2019, ficou em segundo, atrás do Jeep Renegade, o líder geral do período.

Em 2020, e neste único mês de 2021, ele permanece no pódio, atrás do Renegade e do Volkswagen T-Cross, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

DC Auto recebeu o Jeep Compass Longitude 2.0 Turbo Diesel 4×4, automático, para avaliação. Trata-se da versão mais em conta do modelo com este combustível e tração integral. No site da montadora, seu preço básico na cor verde sólida é R$ 188,99 mil. O azul metálico da unidade avaliada custa R$ 1,90 mil.

Dois opcionais também foram configurados no modelo que recebemos. Pelo preço de R$ 5,40 mil, o Pack Premium traz o som da marca Beats de 506W, o assistente de estacionamento semiautônomo, os faróis em xênon e a partida remota do motor. Pagando mais R$ 1,50 mil, o cliente leva o revestimento interno em cinza claro. O preço final desta unidade é de R$197,79 mil.

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Itens de Série – Os principais itens de série do Compass Longitude a diesel são: multimídia com tela de 8,4 polegadas com Apple Carplay e Android Auto; ar-condicionado dual zone; direção elétrica; freio de estacionamento com comando elétrico; chave presencial para abertura das portas e partida por botão; rebatimento elétrico dos retrovisores; entre outros.

Os equipamentos de segurança mais importantes são: dois airbags; ABS e os controles de estabilidade, de tração, anti-capotamento, de partida em rampas e autônomo de decida; sensores de chuva e crepuscular; espelho retrovisor interno eletrocrômico; gancho universal para fixação de cadeira infantil, luzes diurnas em LED e sistema de monitoramento de pressão dos pneus.

Motor, câmbio e tração – O motor é o Multijet 2.0 turbodiesel de 4 cilindros que tem injeção direta e duplo comando acionado por correia dentada. Ele desenvolve 170 cv de potencia às 3.750 rpm e torque de 35,69 Kgfm às 1.750 rpm.

O câmbio é automático com conversor de torque e tem nove (9) marchas com possibilidade de trocas manuais na alavanca ou por meio das aletas atrás do volante (paddle shift).

A tração pode ser bloqueada em 4×4 e funcionar em modo reduzido. Ela conta com programação automática ou dedicada para neve, areia e lama. No modo automático, e em condições ideais de aderência, o sistema pode desacoplar a tração traseira deixando o Compass em 4×2 para economizar combustível.

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O design externo do Compass é um dos maiores atrativos do modelo. A harmonia entre as partes, e a proporção dos seus volumes, resulta em uma carroceria parruda e dinâmica ao mesmo tempo, algo raro em SUVs médios ou grandes.

Outro acerto da Jeep foi resgatar no Compass o “DNA” do Grand Cherokee. Sucesso em nosso mercado, principalmente nos anos de 1990, ele forjou o conceito do utilitário sofisticado e confortável como os sedans de luxo. Talvez, seja este o maior motivo por tornar os SUVs tão desejados atualmente.

Interior – Internamente, o Compass é bem menos inspirado. Na verdade, o design da sua cabine foi mais influenciado por modelos da Dodge, marca que pertence ao mesmo grupo da Jeep. Diversas peças internas são as mesmas e, o design do painel, muito semelhante. Faltou a originalidade e ousadia que se vê no interior do Jeep Renegade, por exemplo.

Se o design interno não é um primor, a qualidade está acima da média. Painel principal e parte superior das portas dianteiras apresentam acabamento emborrachado. Apoio e encosto dos braços de todas as portas são revestidos e acolchoados. Todas as partes em plásticos rígidos apresentam texturas variadas com toque agradável.

Com este material sintético que imita couro no tom cinza claro, coloração também aplicada a algumas peças internas, a cabine do Compass fica muito mais requintada e foge da monotonia do revestimento padrão, todo em preto. O ganho no visual é grande, mas a cor clara dificulta a sua manutenção.

Amplo, o Compass oferece espaço de sobra para cabeças, ombros e pernas de quatro adultos, sendo que o quinto fica um pouco menos confortável. Ele encosta-se ao apoio de braço que fica embutido no banco traseiro, mas pode viajar com os pés sobre o túnel central ou ao lado do mesmo, pois ele é baixo e o console com saídas do ar-condicionado não invade muito este espaço.

Os bancos dianteiros são firmes, envolventes e confortáveis. O traseiro também é firme, menos envolvente e um pouco baixo, obrigando pessoas altas a ficarem com as pernas mais elevadas.

A ergonomia é muito acertada. Todos os comandos estão à mão e não é preciso ampla abertura dos braços para alcançá-los. O único deslize fica por conta da baixa posição do painel de controle do ar-condicionado, mas há uma compensação: quando operamos o sistema, o comando aparece na tela do multimídia que está em posição correta, elevada.

Também existe uma janela dedicada para o sistema pela qual se podem operar todas as funções do ar-condicionado por toque nesta mesma tela. Mesmo mal posicionados, seus botões são físicos, giratórios para a velocidade da ventilação e de pressão para as outras funções.

Ele é eficiente em tempo de resfriamento e manutenção de temperatura. Funciona em duas zonas e tem saída para a parte de trás da cabine, como mencionado anteriormente.

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Multimídia – O sistema multimídia também tem comandos físicos giratórios para as funções de volume e de troca de estações ou músicas. Atrás do volante existe a duplicação dessas funções. De uso cego, estes são os melhores comandos existentes, pois o condutor, após memorizar as funções, os opera sem desviar o olhar da estrada.

Com o celular espelhado, o multimídia funciona com precisão em todas as funções do Android Auto. Existe uma bússola digital que até ajuda em regiões sem sinal de internet, mas, um GPS nativo seria o ideal.

Tamanho e definição da tela, sensibilidade ao toque e velocidade de processamento estão na média dos concorrentes, porém, sistemas mais modernos chegaram ano passado e elevaram a expectativa para um novo patamar.

O sistema de som premium Beats de 506 W (8 alto-falantes + subwoofer) tem áudio de ótima qualidade, boa potência e quase sem distorções, mesmo no limite do volume. O efeito espacial é bom, possibilita ouvir as músicas como se houvesse um palco sobre o painel, mas sem grande amplitude.

Ele fica acima dos equipamentos padronizados, porém, abaixo dos hi-end, como Bang-Olufsen e Harman Kardon, por exemplo. O subwoofer rouba espaço no porta-malas.

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Modelo mostra acerto equilibrado para circular em rodovias e na terra

A direção elétrica é leve em manobras de estacionamento e tem peso adequado em diversas velocidades. Os sensores de estacionamento, e a câmera de marcha à ré com guias esterçáveis, amenizam a baixa visibilidade traseira, principalmente a cruzada, a mais prejudicada pela grande coluna “C”.

O assistente de estacionamento semiautônomo reconhece vagas paralelas dos dois lados do carro e também estaciona em posição perpendicular à via, recursos que ajudam em um veículo alto, largo e comprido.

O Compass tem 4,42 metros de comprimento, 2,64 metros de entre-eixos, 1,82 metro de largura e 1,65 metro de altura. Suas medidas para o fora de estrada são: vão livre de 218 mm; 28,7° de ângulo de entrada; 31,9° de ângulo de saída e 23,2° de ângulo central . Seu porta-malas comporta 410 litros e, o tanque de combustível, 60 litros.

Essa versão Longitude Turbodiesel tem um acerto equilibrado para circular em rodovias e encarar estradas de terra. Seu conjunto de suspensões é menos rígido que da versão preparada para trilhas, a Trailhawk, e ele usa rodas menores e pneus mais altos (225/55 R18) que os das versões Limited e Série S (235/45 R19), que são mais preparadas para circular no asfalto.

Em rodovias, os pneus com baixa resistência à rolagem, conhecidos como “pneus verdes”, são mais silenciosos que os de uso misto da Trailhawk e entregam mais conforto que os pneus usados em rodas aro 19 polegadas.

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Na terra, o Compass Longitude 4×4 passa por estradas bem conservadas com desenvoltura e conforto. Nas mais esburacadas, os impactos são mais sentidos e, sobre pedras soltas, a aderência dos pneus é menor.

Ele venceu nosso circuito off-road com menos eficiência e conforto que a versão Trailhawk, certamente, mas provou que anda com competência sobre qualquer terreno.

Motor e câmbio entregam um bom desempenho ao modelo, nada muito esportivo. Porém, ele acelera mais rápido e atinge velocidades mais altas que o recomendado para um veículo que pesa 1.717 kg e tem uma proposta familiar.

Aos 110 km/h, e de nona marcha, o motor trabalha às 1.600 rpm, garantindo silêncio a bordo e economia de combustível. Aos 90 km/h, a rotação é a mesma, pois o câmbio só permite usar a última marcha acima dos 100 km/h, mantendo a oitava marcha nesta condição.

Consumo – Em nosso teste padrão de consumo rodoviário esperávamos que a versão Longitude fosse mais econômica que a Trailhawk, por suas diferenças nos pneus e na aerodinâmica, mas elas praticamente empataram.

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Neste circuito, realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta atingimos 19,2 km/l. Na mais rápida, 17,1 km/l, ótimas marcas para um SUV médio a diesel.

Em nosso circuito urbano, de 6,3 km, realizamos quatro voltas, totalizando 25,2 km. Simulamos 20 paradas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Vencemos 152 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo do acidentado percurso. Mesmo nessas condições severas, a versão Longitude registrou 9,2 km/l, média muito boa para um veículo pesado.

O Jeep Compass Longitude com motor a diesel e tração 4×4 é ideal para quem circula mais em rodovias, mas encara a terra com frequência. O modelo receberá mudanças estéticas e mecânicas na linha 2022, a ser lançada no terceiro trimestre deste ano.

Mesmo assim, por ser um projeto maduro e valorizado no mercado, ele ainda é uma boa compra e, com certeza, toda a linha 2021 está em um preço abaixo do que será pedido pelo modelo do ano que vem.

DSCN8671Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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