Moab é o 4×4 a diesel mais barato do País

Baseada na Sport, versão do Jeep Renegade tem os mesmos diferenciais off-road da Trailhawk

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 14/05/2021)

A marca Jeep foi o maior ativo adquirido pela Fiat ao comprar a Chrysler e formar a Fiat Chrysler Automobiles (FCA). Recentemente, o grupo se fundiu à Peugeot Citroën (PSA), estruturando a Stellantis, o quarto maior produtor de automóveis do mundo.

O nome Jeep se destaca nesta nova empresa. Ele é o único usado, popularmente, como sinônimo do próprio produto. Modelos com aptidão para o fora de estrada, de outras montadoras, são identificados como “jeep”, um fenômeno comercial raro e valioso.

A FCA soube trabalhar o poder da marca Jeep. Ela desenvolveu dois novos SUVs, os típicos veículos da montadora, com preços competitivos, atributo que não acompanhava os seus produtos. Eles são o compacto Renegade e o médio Compass.

Em seis anos, os dois modelos lideraram a categoria geral de SUVs, o Compass por dois anos e, o Renegade, por um. Nos outros três anos, ambos ficaram entre os três utilitários esportivos mais emplacados em nosso País, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O DC Auto recebeu o Jeep Renegade Moab 2.0 turbodiesel 4×4, automático, para avaliação. Trata-se da versão mais barata do SUV compacto equipada com essa motorização. O preço sugerido, na cor sólida verde, é R$ 150,39 mil. A cor sólida branca custa R$ 780,00 e, as metálicas, R$ 1,70 mil.

Equipamentos – A versão Moab vem completa de série, sem opcionais. Os principais equipamentos são: ar-condicionado de duas zonas; direção elétrica; sistema multimídia com tela de 7 polegadas e espelhamento de celulares; volante com comandos do sistema de áudio, telefonia, computador de bordo e controlador de velocidade; display digital de 3,5 polegadas em TFT; freio de estacionamento eletrônico; chave canivete com telecomando; vidros elétricos nas 4 portas com one touch e rodas em liga leve aro 17 polegadas com pneus 215/60 de uso misto.

Em segurança, a versão traz alguns itens a mais que os obrigatórios: ABS; airbags dianteiros; gancho universal para fixação de cadeira infantil (Isofix); controle de tração e de estabilidade; controles eletrônicos de velocidade em descidas, de partida em aclives e anti capotamento; sensor de estacionamento traseiro e câmera de marcha à ré com linhas dinâmicas; luzes diurnas (DRL) e faróis e lanterna traseira de neblina são os destaques.

Motor e Câmbio – O motor é o Multijet 2.0 turbodiesel de 4 cilindros. Ele tem injeção direta de combustível e duplo comando de válvulas acionado por correia dentada. Desenvolve 170 cv de potência às 3.750 rpm e torque de 35,69 kgfm às 1.750 rpm.

O câmbio é automático convencional com conversor de torque e tem nove (9) marchas comutáveis manualmente na alavanca de marchas.

A tração é integral e conta com programação automática ou dedicada para areia, neve, lama ou pedra, além de funcionar em reduzida ou bloqueada, tudo controlado por botão localizado no console central.

O Renegade é o modelo da Jeep com o maior número de versões. Apenas no Brasil, neste pouco tempo de mercado, ela já lançou 19 variantes diferentes. Destas, nove foram versões a diesel, sempre na mesma configuração mecânica: tração 4×4 e câmbio automático de nove marchas.

Atualmente, o Renegade Moab é a variante a diesel de entrada, baseada na versão Sport, a segunda configuração mais simples do portfólio. Além do motor e câmbio detalhados acima, ela adotou os acertos de suspensão, a programação do sistema de tração para quatro tipos de terrenos e os três ganchos para ancoragem de cintas de reboque que só a versão Trailhawk oferecia, sendo estes seus principais argumentos de venda.

Outra diferença é a inclusão do ar-condicionado de duas zonas, do multimídia com tela de 7 polegadas e dos sensores de estacionamento, pacote opcional na versão Sport.

No mais, elas são idênticas: as peças plásticas externas não recebem pintura, os revestimentos são em tecido, os airbags não passam dos dois obrigatórios, a chave não é presencial e não existem os paddle shifts para as trocas das marchas, simplicidades necessárias para essa versão custar menos que as outras variantes a diesel, a Longitude e a Trailhawk.

Mas, o grande trunfo do Renegade Moab é entregar a capacidade dinâmica da versão Trailhawk custando R$ 20,8 mil a menos que ela. As suspensões elevadas em 20 mm garantem ótimos ângulos de ataque, saída e altura livre do solo, respectivamente, 30 graus, 33 graus e 216 mm, números suficientes para encarar as trilhas mais diversas.

Com o isolamento social atual, não pudemos sair em comboio para testes mais radicais, procedimento padrão para essas aventuras. Porém, a Jeep garante que a versão pode atingir até 40 graus de inclinação lateral e submergir em até 48 cm de lâmina de água, características que atestam a sua vocação para o fora de estrada.

Rodando – Andando por estradas de terra no circuito em que testamos todos os modelos com, pelo menos, alguma pretensão para o off-road, o Renegade Moab tirou de letra. Suas suspensões muito bem acertadas absorveram as irregularidades do piso e transmitiram poucas vibrações para a cabine.

Elas mantiveram a tração das rodas nos trechos de baixa aderência, trabalho auxiliado pelos pneus de uso misto. Mesmo em uma íngreme e escorregadia subida do trajeto, não foi preciso travar o sistema em 4×4 ou mudar a programação dedicada. O modo automático deu conta do recado.

Na cidade, a versão acelera e retoma velocidades com rapidez, tornando-se muito ágil no trânsito urbano. Seu alto torque aparece em baixa rotação e se mantêm constante por uma ampla faixa de giro, favorecendo, também, o desempenho em subidas. O Renegade a diesel supera aclives como poucos veículos conseguem.

Em rodovias, aos 110 km/h e na nona marcha, o motor trabalha às 1.750 rpm. Nessas condições quase não se ouve o seu ruído. O atrito dos pneus e o vento contra a carroceria provocam os únicos barulhos audíveis dentro da cabine. Mesmo assim, muito contidos, mérito do isolamento acústico exemplar.

O conforto de marcha sobre o asfalto não é tão elevado quanto ao trafegar em estradas de terra, mas, o modelo consegue entregar estabilidade direcional e pouca inclinação em curvas, sem sacrificar os seus ocupantes.

Todos os modelos que usam este motor, câmbio e tração apresentam uma característica que não agrada a todos. O sistema segura as marchas deixando o SUV amarrado, mesmo quando tentamos trocá-las usando a alavanca na posição manual, pois sua programação não é permissiva.

Para quem dirige de forma mais agressiva, acelerando o tempo todo, este acerto não atrapalha a dirigibilidade, mas, quem gosta de uma condução mais econômica, aproveitando o deslocamento por inércia, sente-se incomodado com a falta de fluidez dinâmica.

A direção elétrica é muito leve em manobras de estacionamento, ficando um pouco pesada em velocidades intermediárias. O volante multifuncional permite controlar quase todos os sistemas do carro, sendo muito completo. A câmera de marcha à ré tem guias dinâmicas que ajudam contornar a pouca visibilidade traseira cruzada.

Versão se destaca pelo acabamento caprichado

A usabilidade do Renegade Moab é muito boa. Todos os comandos estão à mão e os equipamentos têm botões físicos giratórios para as funções principais, e de pressão para as secundárias, arquitetura ideal.

Além do multimídia e do ar-condicionado, outros sistemas recebem estes recursos mais ergonômicos, como o seletor dos modos de tração, o freio de estacionamento eletrônico e o conjunto de acionamento dos faróis.

O ar-condicionado é muito eficiente, resfria rapidamente e sustenta as temperaturas que podem ser reguladas em meio grau entre elas. Sua posição no painel é um pouco baixa, mas, quando acionado por seus botões, a ação aparece no multimídia.

Há, também, uma página dedicada para o sistema que permite sua operação por toque na tela, amenizando sua localização inadequada.

O sistema multimídia funcionou com perfeição pareando ou espalhando o celular. A qualidade sonora é muito boa, mesmo não tendo preparação especial. Tamanho da tela, sensibilidade ao toque e velocidade de processamento estão na média do mercado.

No Renegade há uma profusão de nichos para todas as necessidades. Garrafas, carteiras, celulares e óculos têm espaços dedicados que tornam a vida a bordo bem prática. Os materiais usados no acabamento interno são muito bons, mesmo nessa versão simples.

Existem mais áreas rígidas que macias, mas todas aparentam muita qualidade e são agradáveis ao toque. As quatro portas têm partes acolchoadas, algo raro hoje em dia.

Números – A versão Moab usa roda reserva temporária, mantendo o maior espaço possível no porta-malas, 320 litros. Em seu tanque de combustível cabem 60 litros, bom volume para um compacto.

Com 1,80 metro de largura, 1,71 metro de altura, 4,23 metros de comprimento e 2,57 metros de entre-eixos, o Renegade, quadrado e alto, oferece ótimo espaço para as cabeças e ombros de quatro adultos.

No banco traseiro, o espaço para as pernas não é tão generoso como na frente e, na posição central, apenas uma crianças fica confortável.

Consumo – Mesmo amarrado pelo conjunto mecânico, como descrevemos anteriormente, o Renegade Moab se saiu bem em nossos testes padronizados de consumo.

No circuito rodoviário, realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta atingimos 18,8 km/l. Na mais rápida, registramos 16,7 km/l.

Em nosso circuito urbano de 6,3 km realizamos quatro voltas, totalizando 25,2 km. Simulamos 20 paradas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Vencemos 152 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo do acidentado percurso.

Nessas severas condições a versão atingiu 9,5 km/l. A alta taxa de compressão dos motores a diesel não permite o uso do sistema stop/start, recurso que ajudaria no consumo urbano.

O Renegade Moab é a opção mais em conta para quem trafega por trechos mais radicais no fora de estrada. Ele também entrega conforto e economia no uso urbano e rodoviário, atendendo a todas as necessidades de uso.

Para quem só pega uma estrada de terra, eventualmente, a versão Longitude diesel entrega diversos equipamentos de segurança, conforto e estética que justificam os R$ 8,4 mil a mais em seu preço.

Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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