Nissan Frontier foi reestilizada para a linha 2023

Conforto e economia de combustível são os destaques da picape média

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 13/01/2023)

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Em 2017, a Nissan lançou a 12ª geração da Frontier, modelo importado do México. Em 2018, a picape passou a ser produzida na Argentina, resgatando a antiga versão Attack e trazendo outras atualizações.

Na linha 2023, ela foi reestilizada e ganhou diversas inovações técnicas e versões inéditas.

O DC Auto recebeu a Frotier XE 4×4, automática, para avaliação. Essa é a versão intermediária, posicionada abaixo das duas de topo e acima das três de entrada.

Seu preço no site da montadora é R$293,59 mil. A cor prata da unidade avaliada, e as demais metálicas, acrescem R$1,95 mil ao seu valor.

Completa de série, seus principais equipamentos são: ar-condicionado digital de duas zonas com saídas para o banco traseiro; banco do motorista com regulagens elétricas; chave inteligente presencial I-Key e botão push start; multimidia de 8 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay; sistema de áudio com 6 alto-falantes; tomadas de 12v, USB-A, USB-C e auxiliar; display colorido de 7 polegadas no quadro de instrumentos; volante multifuncional com ajuste de altura; direção hidráulica; para-brisa com proteção UV; retrovisores com rebatimento elétrico e indicador de direção; estribo lateral; revestimento dos bancos em material sintético que imita o couro e rodas em liga leve diamantadas de 18 polegadas com pneus 255/60 R18.

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Em segurança, os destaques são: seis airbags; controles de tração e estabilidade (VDC); bloqueio de diferencial eletrônico (ABLS); controle automático de descida (HDC); sistema de auxílio de partida em rampa (HSA); freios ABS com controle eletrônico de frenagem (EBD) e assistência de frenagem (BA); controle de velocidade de cruzeiro (cruise control) com comandos no volante; faróis dianteiros em LED; faróis dianteiros diurnos com assinatura em LED (DTRL); luz de freio em LED; faróis de neblina; acendimento automático dos faróis; sensor de chuva; câmera de ré e sensor de estacionamento traseiro; alças de auxílio para entrada no veículo e alças de segurança e alarme com sistema imobilizador.

Motor e Câmbio – O motor diesel de quatro cilindros em linha é posicionado longitudinalmente e tem 2.289 cm³ de capacidade. Seu comando de válvulas é duplo no cabeçote e tracionado por corrente.

Ele é equipado com dois turbocompressores e injeção direta de combustível. Atinge potência máxima de 190 cv às 3.750 rpm e o torque chega aos 45,9 kgfm às 1.500 rpm.

Novidade na linha 2023, a Frontier recebeu um tanque para ARLA32, aditivo que diminui as emissões deste motor, enquadrando o mesmo às exigências da sétima fase do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve L7).

Seu tanque de diesel diminuiu de 80 para 73 litros, provavelmente, para caber o segundo tanque.

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O câmbio é automático convencional de sete (7) velocidades com conversor de torque. As machas podem ser trocadas manualmente por meio da alavanca de câmbio.

A tração pode ser bloqueada em 4×2, 4×4 e 4×4 reduzida, operação acionada em botão giratório.

A linha Frontier conta com seis versões, todas com cabine dupla e tração 4×4. As versões SE, Attack, XE, Platinum e Pro-4X, as duas últimas inéditas, são equipadas com o mesmo conjunto motor e câmbio descrito acima.

A S, a mais básica, é a única com câmbio manual de seis marchas e este mesmo motor, porém, recalibrado, rendendo 163 cv de potência.

Design – Nessa reestilização da Frontier as mudanças não foram radicais, mas fizeram muita diferença. Na dianteira, foram redesenhados o capô, as grades e o para-choque.

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Os faróis têm o mesmo desenho externo e ganharam luzes em LED nas três versões mais caras.

As grades em trapézios espelhados foram ampliadas, invadiram o capô acima e se uniram ao “protetor de carter”, abaixo. As linhas horizontais e diagonais foram acentuadas, transformadas em vincos bem marcados.

O capô ganhou volume e traços igualmente bem definidos, todos direcionados para frente e dando continuidade às formas da grade principal.

É interessante constatar que os designers usaram o mesmo conceito, mas, de forma tão robusta e harmônica, ao mesmo tempo, que transformaram a identidade da picape.

Ela ficou agressiva e equilibrada, algo raro, ao ponto da antiga parecer feia, tamanha a diferença. Olhando apenas a frente, é difícil acreditar que essa é a mesma geração da Frontier 2022.

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Lateralmente, a 12ª geração foi pouco alterada. Rodas e a caçamba levemente redimensionada são as únicas novidades.

Atrás, a tampa da caçamba foi redesenhada e ampliada, seguindo a elevação das laterais.

O centro do para-choque foi rebaixado, criando um degrau funcional. Assim como os faróis, as lanternas também mantiveram o formato externo e ganharam novo desenho interno.

Interior – Em design, o interior nada mudou. Apenas alguns equipamentos atualizaram a cabine. O volante multifuncional, igual ao do SUV Kicks, trouxe a maior renovação no visual interno.

O quadro de instrumentos foi redesenhado e ganhou um display digital maior que, além de modernizar, sofisticou a Frontier.

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Por fim, o revestimento dos bancos ganhou acolchoamento elaborado e costuras aparentes que elevaram a qualidade interna percebida.

Já os painéis continuam em plástico rígido texturizado. Algumas peças cromadas e outras em preto brilhante têm boa aparência. As que imitam alumínio fosco, nem tanto.

O destaque fica por conta dos encostos e apoios de braço de todas as portas, pois eles são acolchoados e revestidos com o mesmo material dos bancos, assim como os apoios de braços centrais.

Os equipamentos da Frontier estão todos à mão, mesmo nessa ampla cabine, conferindo boa ergonomia para uma picape média.

Existem botões físicos para quase todos os recursos, mas faltam alguns giratórios. Pelo menos, a maioria é por pressão, melhor do que os comandos por toques.

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O ar-condicionado de duas zonas é eficiente em intensidade de ventilação, tempo de resfriamento e manutenção da temperatura, estes últimos, ajudados pelas saídas traseiras.

 

Foi neste equipamento que sentimos mais a falta dos botões giratórios, pois são muitos e pequenos os de pressão, e eles ficam baixos no painel. Se as operações fossem replicadas na tela do multimídia, melhoraria a usabilidade deste sistema de refrigeração.

Multimídia – Já o multimídia tem botões giratórios para as funções principais, de pressão para as secundárias, assim como os comandos no volante, arquitetura ideal. O sistema não é tão customizado para a Nissan, tem um grafismo mais genérico.

Em tamanho de tela (8 polegadas), brilho, definição, sensibilidade ao toque e velocidade de processamento, este equipamento está na média do mercado, sem destaques. Não ter espelhamento sem fio indica que ele não é dos mais modernos.

Equipado com seis alto-falantes, seu som tem ótima distribuição espacial e definição das frequências. A potência é boa, mesmo para reproduzir arquivos de músicas por streaming, mas ocorrem distorções nos volumes mais altos.

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Os sensores de aproximação e a câmera de marcha à ré são essenciais às manobras de estacionamento com a Frontier.

Apesar de ela ter uma ótima visibilidade por todos os vidros, sua altura prejudica enxergar obstáculos mais próximos, sendo a presença dos mesmos alertada por estes recursos. 

Os novos instrumentos analógicos do quadro de instrumentos têm desenho mais limpo e elegante. Seus ponteiros, números e graduações são facilmente visualizados e identificados.

Agora, o display central é grande, colorido e bem definido. Ele exibe as páginas do computador de bordo e traz diversas informações da picape, algumas com ilustrações elaboradas.

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Espaço – Na Frontier existe espaço de sobra para cabeças, ombros e pernas de quatro adultos, e mais do que o normal para um quinto posicionado ao centro do banco traseiro, pois o túnel central é largo e é dos mais baixos.

Mesmo assim, por priorizar a área para cargas e ser construída sobre chassi, como todas as picapes médias, o encosto do banco traseiro é pouco inclinado, deixando as pessoas menos recostadas, e o piso atrás é elevado, fazendo com que as pernas fiquem mais dobradas.

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Não muito comum, a Frontier têm seis alças na cabine, três para ajudar subir e três de segurança, detalhe que eleva a comodidade no dia a dia dos passageiros.

Tomadas USB e as saídas de ar para o banco traseiro ampliam o conforto a bordo do modelo.

A caçamba da Frontier 2023 recebeu alterações na altura das suas paredes. Agora, ela tem 1.054 litros de volume e continua a contar com quatro alças de amarração e uma tomada de 12V.

A capacidade de carga desta versão XE é de 1.030 kg. Sua tampa conta com molas de torção que aliviam o seu peso, permitindo abrir e fechar com apenas uma das mãos.

A Nissan tem como padrão vender a proteção plástica da caçamba e a capota marítima como acessórios nas concessionárias. Os concorrentes oferecem estes equipamentos como item de série na maioria das versões. Na Frontier, nem nas variantes mais caras!

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Números – Medindo 5,26 metros de comprimento; 1,85 metro de largura, 1,86 metro de altura e 3,15 metros de distância entre-eixos, a Frontier pesa 2.207 kg e pode rebocar até 750 kg em equipamentos sem freio e até 2.750 kg quando há este sistema de retenção.

Com 31,6°de ângulo de ataque; 25,7° de ângulo de saída e 252 mm de altura livre do solo, a picape mostrou boa desenvoltura no fora de estrada.

Como de costume, o conforto foi maior na terra do que nas estradas de asfalto mal conservadas. Passamos por desníveis destas estradas sem dificuldade.

Equipada com seletor de tração para andar em 4×4 e 4×4 reduzida, a Frontier XE tem capacidade para transpor lamaçal e superar trilhas, percursos de baixa e média dificuldade.

Contando com bloqueio do diferencial traseiro, a mais, a Pro-4X é a versão indicada para o off-road mais pesado.

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Picape média da Nissan conta com a melhor suspensão traseira do mercado

Na cidade, as lombadas e rampas são superadas com facilidade, mas essas manobras precisam ser feitas lentamente, pois as suspensões são muito rígidas, preparadas para carregar mais de uma tonelada.

Por sinal, a Frontier tem a melhor suspensão traseira do mercado. Mesmo sendo dependente e com eixo rígido, o projeto da Nissan é inovador, pois usa quatro braços, barra estabilizadora, molas helicoidais e amortecedores e, não, feixe de molas, como em suas concorrentes.

Ao contrário da maioria das picapes médias que pulam muito quando estão leves e circulando sobre pisos irregulares, este sistema da Nissan copia melhor as ondulações e buracos do asfalto e mantém as rodas traseiras mais tempo em contato com o solo, entregando conforto aprimorado na cabine, principalmente para quem vai no banco traseiro.

Ele trabalha bem com a suspensão dianteira, também rígida, e este conjunto garante estabilidade condizente com o peso, altura e finalidade do veículo, sem deixar a picape adernar muito em curvas.

A direção da Frontier não tem assistência elétrica, sistema mais atual. Ainda hidráulica, ela não é nem muito pesada, nem muito leve, tem uma calibração suficiente para ser confortável, sem sobras.

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Mas sua resposta ao esterçar agrada, pois é muito direta para um veículo tão grande e pesado. Seu diâmetro de giro é limitado, obrigando a um maior número de manobras, uma limitação comum à categoria.

O isolamento acústico do modelo é impressionante. O ruído de atrito dos largos pneus mal é escutado dentro da cabine, assim como o barulho do motor.

Além disso, o arrasto aerodinâmico também quase não incomoda internamente, apenas é sentido na retenção ao deslocamento em velocidades maiores.

A Frontier é a picape média mais silenciosa que já avaliamos. Segundo a Nissan, além dos materiais de isolamento mais eficientes, os vidros são especiais para essa função.

Rodando – O desempenho é muito bom para a proposta da picape. Ela não tem um comportamento esportivo, mas o conjunto motor e câmbio dá conta do recado, o suficiente para garantir acelerações e retomadas seguras.

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As trocas são suaves e o escalonamento é coerente para um veículo de carga, isto é, as primeiras marchas são mais curtas para colocar a picape em movimento quando ela está pesada e as últimas relações são mais longas para aproveitar seu deslocamento por inércia.

Existe um seletor do modo de condução. Ele muda os parâmetros de resposta do acelerador, das trocas de marchas e dos sistemas de controle de tração e ABS para aprimorar o uso corrente.

Puxar reboque, conduzir esportivamente ou transitar no fora de estrada são condições contempladas por este recurso.

Trocar as marchas manualmente ajuda no freio-motor e nas reduções para ultrapassagens, apesar do sistema ser muito conservador e só permitir usar marchas que não elevem muito o giro do motor.

Como em todos os câmbios automáticos comandáveis por meio da alavanca de câmbio, é preciso deslocar a mesma para a esquerda antes de acioná-la no modo manual.

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Consumo – O acerto do câmbio automático contribuiu com o baixo consumo aferido em nosso teste. Na sétima e última marcha, circulando aos 90 km/h, o motor trabalha às 1.550 rpm. Aos 110 km/h, trabalha às 1.950 rpm, característica que  também influencia no silêncio a bordo.

Nos testes padronizados de consumo rodoviário, realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e outra, 110 km/h, sempre conduzindo economicamente.

Nessas condições, a Frontier XE foi a melhor entre todas as concorrentes avaliadas. Na volta mais lenta, ela registrou 16,7 km/l. Na mais rápida, 12,7 km/l.

No teste de consumo urbano rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos cronometrados entre 5 e 50 segundos e vencemos 152 metros de desnível entre o ponto mais baixo e o mais alto do circuito.

Neste severo teste, a Frontier também fez bonito. Ela atingiu a média de 8,6 km/l. Para um veículo tão pesado, este consumo é muito bom.

20221125_151510Fotos: Amintas Vidal

A Frontier sempre teve muitas qualidades, principalmente em conforto de marcha e consumo. Reestilizada, seu design ficou muito atrativo, com mais personalidade e menos genérico.

Sua linha mantém o mesmo número de versões, mas elas estão mais bem equipadas. Além disso, as novas variantes são mais diferenciadas, melhor direcionadas a públicos distintos, abrangendo um leque mais amplo de consumidores.

A XE é uma versão tradicional da linha e continua equilibrada, é completa e sofisticada. Mais do que as variantes de entrada, menos do que as de topo da gama.

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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