Avaliamos o Nissan Kicks 2022 em sua versão topo de linha

Substituindo a antiga SV, Exclusive traz maior disponibilidade de equipamentos

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 07/05/2021)

Entre os 50 automóveis mais vendidos no Brasil, 20 são SUVs ou crossovers. Destes, 16 disputam a categoria dos compactos. Entre eles, no fechamento de 2019, o Nissan Kicks foi o terceiro mais emplacado.

Em 2020, seu quarto ano “cheio” no mercado, ele ficou com a quinta colocação, sinalizando a necessidade de atualização.

No levantamento do primeiro quadrimestre de 2021, o Kicks ganhou as garagens de 13.040 consumidores e a sétima posição entre os SUVs compactos, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Buscando recuperar o terreno perdido, no fim de fevereiro deste ano a Nissan apresentou o novo Kicks com mudanças estéticas e alguns novos equipamentos. Agressiva comercialmente, ela manteve os mesmos preços das versões 2021 ao lançar a linha 2022.

O DC Auto recebeu, para avaliação, o Nissan Kicks Exclusive Pack Tech, versão substituta da antiga SV Pack Tech. Seu preço sugerido no site da montadora é R$ 119,89 mil na cor preta sólida. As cores metálicas custam R$ 1,55 mil. Exclusivamente nesta variante é possível optar pelo teto em preto e a carroceria em outra cor, no valor de R$ 2,85 mil.

Na edição do dia 28 de fevereiro publicamos matéria sobre o lançamento do Kicks 2022 e nossas impressões sobre o rápido contato que tivemos com essa mesma versão. Agora, resumiremos as mudanças do modelo e reportaremos o teste que fizemos por uma semana.

Lançado em 2016, essa é a primeira reestilização do Kicks. O para-choque dianteiro, a grade e os faróis foram redesenhados seguindo a atual assinatura frontal da Nissan, denominada Double V-Motion.

Na traseira, o para-choque ganhou novo desenho e uma maior área pintada na cor do carro. As lanternas foram unidas por um aplique plástico central que transformou o conjunto ótico em peça única. Nas laterais, somente as novas rodas identificam o Kicks 2022. Na cabine, novos materiais de revestimento são as novidades visuais internas.

Equipamentos – A extensa lista de equipamentos de série do Kicks foi ampliada com alguns itens e outros foram aprimorados com novos recursos. As versões do ano 2022 ganharam a atual nomenclatura usada pela Nissan: Sense, Advance e Exclusive.

Os principais equipamentos da versão Exclusive Pack Tech são: ar-condicionado automático digital; multimídia Nissan Connect com tela de oito polegadas e duas portas USB (tipo A e tipo C); sistema de som Bose Personal Space com 8 alto-falantes; antena estilo barbatana de tubarão; painel multifuncional em TFT de 7 polegadas; retrovisores externos eletricamente rebatíveis; chave presencial (I-Key) com partida por botão, entre outros.

O revestimento dos bancos em material sintético que imita o couro, na cor preta, vem de série nessa versão. Opcionalmente, no valor de R$ 500,00, são oferecidas as cores marrom e cinza para este acabamento.

Em segurança, a versão é bem equipada: seis airbags; freios ABS; Isofix; sistema de partida em rampa; controle de tração e estabilidade; controle inteligente de freio motor; alerta de colisão frontal; frenagem de emergência; alerta de mudanças de faixa; monitoramento de ponto cego; alerta de tráfego cruzado traseiro; detector de objetos em movimento; visão 360° para estacionamento; espelho retrovisor eletrocrômico; controle inteligente dos faróis altos e faróis dianteiros, luzes de condução diurna, lanternas e luz de freio em LED são os destaques.

Motor e Câmbio – O motor do Kicks é um 1.6 16 válvulas e quatro cilindros. Ele é aspirado, bicombustível com injeção indireta multiponto, tem duplo comando de válvulas com variação de abertura na admissão e no escape e é tracionado por corrente.

Desenvolve 114 cv de potência às 5.600 rpm e torque de 15,5 kgfm às 4.000 rpm com ambos os combustíveis, segundo a montadora.

A transmissão é a automática CVT com simulação de seis marchas. O seu acoplamento é feito por conversor de torque. Ela não permite trocas manuais, mas conta com as programações esporte, “S”, e reduzida, “L”.

As dimensões do Kicks com estes para-choques modificados são as seguintes: 4,31 metros de comprimento, 2,61 metros de distância entre-eixos, 1,76 metro de largura (sem contar os retrovisores) e 1,59 metro de altura total.

Nas medidas para o fora de estrada, ele apresenta 20 centímetros de vão livre, 18º de ângulo de entrada e 28º de ângulo de saída. O porta-malas comporta bons 432 litros, mas, o tanque de combustíveis, apenas 41 litros.

Interior – Seu espaço interno é um dos melhores entre os SUVs compactos. Quatro adultos ficam confortáveis, com boa área para cabeça, ombros e pernas. O quinto vai um pouco apertado, mas consegue se acomodar bem para percursos urbanos e viagens mais curtas.

Segundo a montadora, os bancos foram desenvolvidos com tecnologia da Nasa (a Agência Espacial norte-americana). Eles são largos e dão ótimo apoio para todas as partes do corpo. A densidade da sua espuma é alta e não deixa os músculos fadigarem. Mesmo assim, eles são muito confortáveis.

As partes revestidas do painel e os quatro apoios dos braços são as únicas áreas macias ao toque. O restante é plástico duro. Peças em preto brilhante e outras, imitando metais cromados e foscos, conferem alguma sofisticação ao interior, um conjunto acima da média da categoria.

A ergonomia é acertada com todos os comandos ao alcance das mãos. Ar-condicionado e multimídia têm botões físicos, giratórios para as funções principais e de pressão para as secundárias, arquitetura ideal.

O climatizador é eficiente em tempo de resfriamento e na manutenção da temperatura, mas não é ajustável para duas zonas e não tem saídas de ar para o banco traseiro.

O multimídia funciona perfeitamente espelhando o celular, porém, a conexão é feita por cabo USB. A possibilidade de parear até três dispositivos bluetooth simultaneamente, oferecer uma entrada USB do tipo C e ser um sistema configurável são seus diferenciais.

Tecnologias – A estrela entre os dispositivos tecnológicos da versão é o som Bose Personal Space. Ele traz oito alto-falantes de alta performance, sendo dois de 2,5 polegadas que ficam instalados dentro do encosto de cabeça do banco do motorista distribuindo o áudio por 360°.

Na tela do multimídia, essa amplitude pode ser controlada, criando, até, um efeito restrito somente à frente, como em um palco. Contando com um amplificador digital, o conjunto entrega potência e qualidade equilibradamente, resultando em uma sonoridade muito superior.

O quadro de instrumentos, parte digital, parte analógico, foi mantido. Além de configurável, suas informações são múltiplas, relevantes e ajudam bastante na navegação. A definição da imagem, o tamanho dos números e a sua operação por meio de botões no volante são as ideais.

Modelo se destaca pelas diversas tecnologias de segurança embarcadas

Outras novidades foram úteis no uso diário, como o Alerta de Tráfego Cruzado Traseiro (RCTA). Sensores sob o para-choque cobrem uma área periférica de 20 metros acusando aproximações de veículos e pessoas que não enxergamos ao sair de vagas perpendiculares, situações em que a visibilidade é extremamente reduzida.

Este alerta aprimorou o auxílio para estacionar o Kicks, assistência que já era avançada com o uso da Visão 360° com detector de movimento. Quatro câmeras captam imagens ao redor do carro e mostram uma vista superior do mesmo na tela do multimídia, além de alertar sonoramente caso haja pessoas ou objetos em movimento nas imagens.

Ângulos destacados das câmeras do lado direito e da traseira ajudam a aproximar de guias e de outros carros, respectivamente, ampliando ainda mais a eficácia do sistema. Essas inovações facilitam muito todas as manobras de estacionamento em marcha à ré, ao ponto de nos sentirmos inseguros ao fazê-las, posteriormente, em outros carros sem estes recursos.

A comutação automática do farol, de alto, para baixo, quando aproximamos de outro veículo, em sentido contrário ou à frente, evita o ofuscamento por luz direta ou rebatida nos retrovisores. Atuando mais antecipadamente do que nós costumamos agir, ela garante segurança e é uma referência para usarmos corretamente os faróis com controle manual.

Também estreando nessa versão, o monitoramento de ponto cego e o alerta de mudanças de faixa mudam a forma de dirigir, principalmente em estradas. O primeiro detecta veículos fora da área de visão dos retrovisores externos, acende uma luz para alertar o motorista e, se ele esterça para o lado alertado, o sistema pisca essa mesma luz e soa um alarme.

O segundo faz a direção vibrar caso o condutor atinja as faixas das rodovias sem indicar a mudança com as luzes de direção. Com algum tempo de uso destes dois recursos, o motorista passa a reagir mais rápido a estes eventos, tornando a direção mais segura e relaxada ao mesmo tempo.

Já existente anteriormente, o controle dinâmico de chassi é um conjunto de programações otimizadas dos controles de tração e de estabilidade e do freio motor. Ele utiliza sensores de aceleração para detectar movimentos da carroceria incompatíveis com a manutenção do controle direcional do veículo ao analisar alguns parâmetros, como a inclinação da mesma, o esterço da direção, a velocidade do carro e a rotação em cada roda.

Nos controles de estabilidade convencionais, as correções só ocorrem após alguma perda de aderência. Este sistema da Nissan é mais seguro, e também, mais confortável, pois ele corrige, antecipadamente, situações que levariam o Kicks a um desvio de direção indesejado, mitigando o susto inicial provocado pelo sobre-esterço, como ocorre com estes controles mais simples.

O alerta de colisão frontal com frenagem de emergência é um recurso muito bem vindo em qualquer carro. Na maioria deles, ele apresenta ícones e sons que acusam as aproximações bem antes de haver um risco eminente de colisão.

O sistema da Nissan não fornece essa informação antecipadamente, programação que seria a ideal, apenas dispara um alarme e mostra um símbolo no painel digital quando a possibilidade de colisão é grande. Porém, a sua existência é o mais importante para a segurança desta versão.

Finalizando as assistências dinâmicas, o auxílio de partida em rampa, item que já é comum em quase todos os segmentos, ajuda sair da inércia em aclives e declives evitando deslocamentos involuntários que possam causar pequenas colisões.

Rodando – Outras inovações influenciaram na segurança direcional e nos confortos de marcha e acústico. Modificações na barra de direção e na suspensão traseira conferiram respostas mais diretas ao comando do volante e melhor amortecimento do conjunto posterior, respectivamente.

Pneus com melhor aderência aprimoraram a eficiência de frenagem em pisos diversos. Adoção de um filme acústico na laminação do para brisa reduziu em até 35% a incidência de ruídos no interior da cabine em relação à faixa de frequência de conversas.

Na prática, o Kicks tem uma direção com respostas diretas, apesar do volante não ser pequeno. Suas suspensões absorvem bem as irregularidades do piso, mas é um conjunto mais voltado para o asfalto e, não, para a terra. Sua altura é suficiente para vencer lombadas e entradas de garagens sem raspar para-choques e o assoalho.

Internamente, ele ficou mais silencioso. Em estradas, acima dos 100 km/h, apenas o barulho do vento contra a carroceria é ouvido na cabine. Acima desta velocidade, ele sofre para vencer a resistência do ar, necessitando algum curso no acelerador para manter o embalo do carro.

Aos 110 km/h e com pouca aceleração, o câmbio trabalha o mais alongado possível, deixando a rotação do motor entre 1.600 e 2.000 rpm, variando conforme a topografia, característica que contribui com o baixo consumo. Por sinal, a programação do câmbio é muito interessante. Ele trabalha como um CVT convencional, multiplicando as marchas enquanto não é exigido. Quando pisamos mais forte no acelerador, o câmbio trabalha com seis relações pré-programadas, simulando marchas como em um câmbio automático comum. Isso garante silêncio e economia de combustível em acelerações suaves e maior desempenho e domínio do carro em ultrapassagens ou arrancadas, por exemplo.

O Kicks é leve e este motor dá conta do recado, mas sem sobras ou pretensões esportivas. A grande virtude do conjunto é a economia de combustível. No lançamento do Kicks 2022, fizemos os nossos testes padronizados de consumo com gasolina. Desta vez, testamos o modelo com etanol. Abaixo, publicaremos as duas medições para que os números possam ser comparados.

Em nosso circuito rodoviário, realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta atingimos 19,3 km/l com gasolina e 13,7 km/l com etanol. Na mais rápida, 16,9 km/l com gasolina e 11,7 km/l com etanol.

Em nosso circuito urbano de 6,3 km realizamos quatro voltas, totalizando 25,2 km. Simulamos 20 paradas em semáforos com tempos entre 5s e 50s. Vencemos 152 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo do acidentado percurso. Nessas condições severas, o Kicks finalizou o teste com 9,9 km/l de gasolina e 7,0 km/l com etanol, marcas que poderiam ser ainda melhores se ele oferecesse o sistema stop/start para economizar combustível nas paradas em semáforos.

O Kicks 2022 melhorou muito em estética, ganhou mais equipamentos do que já tinha anteriormente e a Nissan manteve o seu preço praticado na linha 2021. Mesmo devendo o motor turbo e as aletas para as trocas manuais das marchas, ele continua competitivo no segmento de SUVs compactos, entregando bom acabamento, espaço interno generoso e economia de combustível, virtudes que o acompanham desde o seu lançamento em 2016.

Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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