Chevrolet Tracker Premier 1.2 tem bom desempenho e baixo consumo

Motor turbo do SUV compacto é capaz de render 133 cv de potência e 21,4 kgfm de torque

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 05/11/2021)

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De janeiro de 2016 até dezembro de 2020, a General Motors liderou o nosso mercado. Este ano não está fácil para a montadora. A crise dos semicondutores obrigou o fechamento de algumas linhas de montagem no Brasil, atingindo em cheio a participação dos seus três modelos principais.

Depois de lançar a segunda geração do Onix e do Onix Plus (novo nome do Prisma) em 2019, a marca lançou o seu primeiro SUV compacto nacional, a terceira geração do Tracker, em março de 2020.

Virtual candidato à liderança do segmento, ele fechou o ano passado na 4ª colocação, mesmo não tendo 12 meses completos em vendas. Este ano, antes da paralisação da sua produção, ele figurava na 3ª colocação. Inclusive, em março, foi o líder do segmento com 6.410 emplacamentos.

Em julho, após quatro meses vivendo de estoque, o Tracker registrou apenas 244 unidades, sua menor venda histórica. Agora em outubro, com a sua produção em recuperação, ele registrou 4.151 emplacamentos, o 5º colocado entre os SUVs compactos.

Porém, com o hiato anterior, o modelo caiu para a 5ª colocação no acumulado anual, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

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O DC Auto recebeu o Chevrolet Tracker Premier 1.2 para avaliação, versão de topo de linha do utilitário. Atualmente, no site da montadora constam, apenas, os preços iniciais para cada modelo. Segundo a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o preço médio de mercado desta versão é R$ 141,40 mil, valor que mostra como estão inflacionados os preços dos carros.

Havíamos avaliado essa mesma versão há sete meses. Na época, ela custava R$ 126,83 mil. Os preços das pinturas também eram informados. A cor azul metálica desta unidade avaliada era a única no valor básico. A cor branca sólida custava R$ 850,00 e, todas as outras metálicas (prata, cinza, preto e vermelho), acrescentavam R$ 1,60 mil ao preço inicial.

Em relação ao modelo 2021, este, 2022, ganhou um item e perdeu dois. O espelhamento do celular passou a ser feito sem a necessidade de cabo, recurso que amplia a praticidade a bordo, principalmente nessa versão que conta com carregador por indução eletromagnética para o mesmo. A lanterna de neblina e o sensor para abertura sem chave da porta dianteira direita são as ausências.

Equipamentos – Essa versão vem completa de série e não oferece opcionais. Os principais equipamentos, além dos mencionados acima, são: teto solar panorâmico; sistema de atendimento remoto OnStar com WI-FI embarcado; multimídia Chevrolet MyLink com tela LCD de 8 polegadas; volante com os comandos do rádio, do celular e do controlador de velocidade de cruzeiro; direção elétrica com coluna regulável em altura e profundidade; ar-condicionado automático e digital; chave presencial para abertura e fechamento das portas e partida por botão; sistema stop/start; computador de bordo com display colorido de 3,5 polegadas em TFT;  vidro elétrico nas quatro portas com acionamento por um toque; roda em alumínio aro 17 polegadas com pneus 215/55 R17 e revestimento de volante e bancos em material sintético que imita o couro.

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A lista de equipamentos de segurança é farta: seis airbags; ABS; sistema de fixação de cadeiras para crianças (Isofix e Top Tether); controle eletrônico de estabilidade e tração; assistente de partida em aclive; assistente de estacionamento automático; alertas de ponto cego e de colisão frontal; frenagem automática de emergência em baixas velocidades; sensor crepuscular e de chuva; espelho interno eletrocômico; faróis tipo projetor e lanternas em LED; regulagem elétrica de altura dos faróis; luz de posição em LED; sensor de estacionamento dianteiro, lateral e traseiro e câmera de marcha à ré são os destaques.

Motor e Câmbio – O motor, exclusivo desta versão, tem bloco com três cilindros, 1.2 litro e 12 válvulas. Turbo alimentado e bicombustível, conta com injeção indireta multiponto e duplo comando de válvulas tracionado por correia dentada com variação de abertura na admissão e na exaustão.

Ele rende 133/132 cv às 5.500 rpm e tem torque de 21,4/19,4 kgfm às 2.000 rpm com etanol e gasolina, respectivamente.

O câmbio é automático convencional com seis (6) marchas. Ele permite limitar a marcha mais longa por meio de botão posicionado na lateral da manopla da alavanca. O acoplamento é feito por conversor de torque.

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Informamos, na avaliação anterior, que o Tracker deveria receber cinco estrelas nos testes de colisão do Programa de Avaliação de Carros Novos para América Latina e o Caribe (Latin NCAP), pois os seus irmãos de plataforma, o Onix e o Onix Plus já tinham obtido essa classificação.

Mas, os critérios foram elevados pelo instituto independente, e o Tracker não deverá pontuar tão bem. Entretanto, ele é, com certeza, um dos mais seguros da categoria.

O design externo do novo Chevrolet Tracker é um dos seus pontos fortes. Sua carroceria é composta por partes robustas e vincos dinâmicos, tornando-o um ótimo representante do estilo crossover, a tão desejada mistura de categorias que deu origem a diversos modelos mundo afora, classificáveis, ou não, como SUVs.

Suas medidas externas são: 4,27 metros de comprimento; 1,79 metro de largura; 1,62 metro de altura e 2,57 metros de distância entre-eixos. Em seu tanque de combustíveis cabem 44 litros e o porta-malas comporta 393 litros. Leve para o porte, ele pesa 1.271 kg e sua capacidade de carga é 410 kg.

A despeito deste bom tamanho para um modelo compacto, a altura livre do solo, 157 mm, e o ângulo de entrada, 17 graus, não atingem os números mínimos necessários para classificar o Tracker como um utilitário esportivo pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Mesmo assim, ele é vendido como um SUV pela Chevrolet.

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Não consideramos isso uma desvantagem. O Tracker é mais alto que o Onix e o Onix Plus, o suficiente para passar por lombadas e entradas de garagens sem tocar os para-choques e o assoalho e, por outro lado, por ser mais baixo que os SUVs concorrentes, ele entrega maior estabilidade e uma posição ao volante mais próxima ao piso, algo que apreciamos.

Interior – Internamente, quatro adultos tem espaço de sobra para cabeça, ombros e pernas. O quinto ocupante vai menos confortável. Os bancos dianteiros apoiam bem o corpo, deixando-os bem encaixados. O encosto traseiro apoia bem as costas. Já o assento, poderia ser mais comprido para sustentar melhor as pernas.

Os apoios de braço das portas são bem dimensionados, já os dois centrais, são pequenos. Os vãos das portas e o ângulo de abertura das mesmas não são tão generosos como o volume interno, característica que dificulta o acesso de pessoas com baixa mobilidade.

O visual interno também é elaborado. O design é igualmente dinâmico, com predominância horizontal do painel principal e forte ascendência de linhas nas laterais. Formas chanfradas nos painéis das portas e equipamentos voltados para o motorista são outros destaques neste conjunto.

O acabamento predominante é o plástico rígido. A área central do painel e das portas tem revestimento sintético semelhante ao que reveste os bancos, inclusive, com a costura aparente. Porém, o ganho é mais visual do que tátil, pois essa cobertura pouco se difere em maciez ao toque.

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Detalhes em prata, alguns cromados e outros em preto brilhante enriquecem o visual da cabine. Também diverso, é o padrão do revestimento. Além das costuras aparentes que já mencionamos, azul e cinza escuro são as cores usadas nos materiais sintéticos e ainda existe uma faixa vertical em tecido cinza claro no encosto dos bancos.

A ergonomia é acertada, com todos os equipamentos à mão. A central multimídia e o ar-condicionado estão levemente voltados para o motorista, um bom recurso de design. Os comandos satélites um pouco recuados, e os botões dos retrovisores elétricos posicionados atrás da alça da porta, são os únicos deslizes.

No mais, todos os outros sistemas têm controles físicos, giratórios para as funções principais e de pressão para as secundárias, arquitetura ideal.

O ar-condicionado digital de zona única permite operação cega por meio dos seus botões físicos simplificados. Mesmo assim, as regulagens aparecem momentaneamente na tela do multimídia que tem, também, uma página dedicada para o seu controle por toques.

O resfriamento da cabine é muito eficiente, mas não existem saídas de ar para os passageiros de trás, dutos que diminuiriam o tempo para todo o habitáculo atingir a temperatura desejada.

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Espelhamento do celular funciona sem cabo

O ótimo multimídia, o atendimento remoto OnStar e o WI-FI a bordo formam um conjunto muito completo. Pareando ou espelhando o celular, a central funcionou com precisão. O OnStar entrega mais informações que uma simples pesquisa de voz no assistente Google, por exemplo.

O sinal 4G, contratável na operadora Claro, chega mais forte e estável aos celulares devido à antena mais eficiente usada no veículo. Agora o Tracker Premier 2022 conta com espelhamento do celular sem cabo, recurso perfeito para usar com o prático carregamento por indução.

A visibilidade do Tracker é boa para este tipo de carroceria. Mesmo assim, essa versão conta com bons auxílios para estacionamento e condução. O assistente de estacionamento automático reconhece vagas paralelas e perpendiculares facilmente e executa a manobra com instruções claras no display central.

Quando fizemos a outra avaliação, em uma vaga paralela, o sistema deixou as rodas muito próximas à guia, chegando a tocá-la em uma das manobras automáticas. Desta vez, a operação foi mais precisa, mostrando melhor acerto na calibração dos parâmetros.

Os sensores de estacionamento dianteiros, laterais, traseiros e a câmera de marcha à ré ajudam a detectar obstáculos à frente, atrás das colunas “C” e abaixo do alto vidro traseiro. A baixa qualidade de imagem da câmera destoa neste conjunto tão completo e tecnológico.

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O alerta de ponto cego funciona piscando uma luz localizada na parte interna da capa dos espelhos retrovisores externos sempre que detecta veículos fora das suas áreas de reflexão. O sensor de aproximação também é útil e completo. No display central é possível saber a distância e o tempo em relação ao carro logo à frente.

Se este veículo estiver mais lento, aparece um ícone de um carro que muda de cor, do verde para o amarelo, e deste para o vermelho, quanto mais rápida for a aproximação. Caso haja risco eminente de colisão, um alarme é acionado ao mesmo tempo em que uma luz vermelha pisca sobre o painel. Em velocidades até 40 km/h o sistema freia o carro automaticamente, caso o condutor não reaja.

A direção elétrica é muito direta, característica que deixa a condução mais esportiva. Ela é leve em manobras, mas poderia ganhar peso mais progressivamente, pois fica um pouco pesada em velocidades intermediárias. As regulagens de altura e profundidade do volante, e as de altura do banco e cinto de segurança, garantem ótimo posicionamento ao motorista.

Estranhamente, o cinto do carona não foi contemplado com este sistema ajustável. O aro deste volante é um pouco mais fino, bom para mãos pequenas. Porém, os comandos satélites estão um pouco recuados, dificultando sua operação por essas mesmas mãos.

Rodando – Motor e câmbio trabalham com muita eficiência. Ao leve toque no acelerador, o modelo desloca com desenvoltura, sendo necessário acostumar para não passar da velocidade desejada. As rotações cressem de forma linear, melhorando às 2.000 rpm, mas nada que lembre a resposta abrupta dos antigos motores turbo.

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O câmbio tem relações de marchas bem escalonadas e trocas suaves. Sua programação deixa a rotação do motor sempre a mais baixa possível, quando este é pouco exigido. Em baixas velocidades, essa característica deixa o modelo quase tão silencioso quanto um carro elétrico, nessa condição específica.

Longe de ser o ideal, o recurso que limita a marcha mais longa ajuda no freio motor, mas, pouco. Trocas manuais por meio dos paddle shifts ou, pelo menos, na alavanca, seriam mais eficientes. Nesta função, no limite de giro de uma marcha limitada, a centralina corta a alimentação, recurso mais comum em versões manuais.

Mas, quando exigido ao máximo, com o pedal em 100% da aceleração, o giro chega ultrapassar essa rotação e as marchas são trocadas automaticamente, provavelmente, uma programação para garantir segurança em uma ultrapassagem, por exemplo.

Aos 110 km/h, e de sexta marcha, o motor trabalha às 2.000 rpm. O vento contra a carroceria e o atrito dos pneus são os contidos ruídos ouvidos internamente. Somente em marchas reduzidas e em rotações maiores, o motor se apresenta, mesmo assim, com o grave e bom som dos três cilindros, ronco que não incomoda.

As suspensões entregam conforto e estabilidade equilibradamente, sem nenhum grande destaque para um dos dois quesitos. Elas filtram as irregularidades, mas a estrutura do carro e as peças internas aparentam sofrer com pequenas torções. O modelo mantém a trajetória em curvas, mas sua carroceria inclina mais que o esperado, considerando a boa estabilidade apresentada.

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Nas avaliações padronizadas de consumo que fizemos com o Tracker Premier 1.2 em março, também com gasolina, ele se saiu muito bem, tanto no circuito rodoviário, como no circuito urbano.

No circuito rodoviário, realizamos duas voltas no percurso de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta atingimos 18,6 km/l, na mais rápida, 17,0 km/l.

Em nosso circuito urbano de 6,3 km realizamos quatro voltas, totalizando 25,2 km. Simulamos 20 paradas em semáforos com tempos entre 5s e 50s. Vencemos 152 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo do acidentado percurso. O Tracker 1.2 finalizou o teste com 9,2 km/l.

Além destes testes, refizemos o rodoviário em outro padrão. Nós não mantivemos uma velocidade constante, e sim, andamos na ideal para alcançar o menor consumo possível. Igualmente com gasolina, no mesmo circuito de 38,4 km, registramos a média de 20,2 km/l.

Apesar deste ganho de 1,6 km/l, a velocidade média caiu menos de 2 km/h, se compararmos à do teste aos  90 km/h que fizemos anteriormente.

DSCN0550Fotos: Amintas Vidal

Os preços dos carros zero quilômetro estão cada vez mais altos, porém, os dos usados não estão ficando para trás. Para quem vai vender um usado e comparar um zero, a hora é essa.

O Tracker é uma ótima opção. Se o orçamento comportar essa versão, ela entrega tudo que o modelo oferece. Se não, as versões com motor 1.0 continuam bem equipadas, são tão econômicas, ou mais, e cobrem outras faixas de preço.

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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