Jeep Compass Limited é bom de asfalto e se vira bem na terra

Utilitário esportivo é equipado com motor turbo diesel de 170 cv e tração integral

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio)

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Nos últimos 30 anos, o segmento mais vendido em nosso País foi o dos hatches. Na somatória de emplacamentos por categoria, os carros de dois volumes também foram líderes neste período, superando os sedans e os utilitários esportivos (SUV) entre os automóveis prediletos dos brasileiros.

Em 2021 ocorreram duas mudanças que confirmaram tendências que já havíamos observado em anos anteriores. A primeira foi o crescimento do número de SUVs, tanto unidades vendidas, quanto em modelos ofertados.

A outra evolução relevante foi o aumento das vendas de picapes, o segmento mais pujante entre os veículos comerciais leves.

Segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 2021 foi o primeiro ano em que os SUVs emplacaram mais do que os outros segmentos e o modelo mais vendido no Brasil foi uma picape, a Fiat Strada.

O DC Auto recebeu um Jeep Compass para avaliação, o SUV médio mais vendido em nosso mercado. Versão de luxo a diesel, a Limited que recebemos divide com a Trailhawk, variante preparada para o off-road, o topo de linha da gama.

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No site da montadora, ambas ostentam o mesmo valor inicial: R$ 232,99 mil. A unidade avaliada foi configurada com os três pacotes opcionais existentes e a cor branca, única perolizada. Seu preço final é R$ 255,79 mil.

Equipamentos – Entre os equipamentos de série do Compass Limited TD 350 4×4, os destaques são: painel de instrumentos full digital e HD de 10,25 polegadas; central multimídia de 10,1 polegadas com sistema multimídia Adventure Intelligence Plus, GPS nativo e WI-FI embarcado; sistema de estacionamento semiautônomo (Park Assist); ar-condicionado automático de duas zonas e rodas em liga leve aro 19 polegadas’ com pneus na medida 235/45 R19.

Em termos de segurança, também de série, sobressaem: sistema de monitoramento de pontos cegos; sete airbags (frontais, laterais, de cortina e para os joelhos do motorista); lanternas traseiras em LED e faróis em full LED; controle eletrônico anti-capotamento e controle automático em descidas íngremes.

Os principais opcionais são: teto solar elétrico e panorâmico; sistemas auxiliares para a condução semiautônoma; abertura eletrônica do porta-malas com sensor de movimento dos pés; sistema de som premium Beats de 506 W e revestimento sintético que imita o couro na cor marrom.

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Motor e Câmbio – O motor turbo diesel de quatro cilindros e 2.0 litros de capacidade, já conhecido do público, recebeu o sistema SCR de pós-tratamento dos gases da exaustão por aditivo ARLA32, mudança necessária para se enquadrar às exigências da sétima fase do Programa de Controle de Emissões Veiculares (Proconve L7) que passa a vigorar em 2022. 

Contando com injeção direta e duplo comando acionado por correia dentada, ele desenvolve 170 cv de potência às 3.750 rpm e torque de 350 Nm (35,69 Kgfm) às 1.750 rpm, número que passou a identificá-lo como 350 TD (350 turbo diesel).

O câmbio é automático com conversor de torque e tem nove (9) marchas com possibilidade de trocas manuais na alavanca ou por meio das aletas atrás do volante.

A tração é integral e conta com programação automática ou dedicada para areia/lama e neve, além de funcionar em reduzida ou bloqueada, tudo controlado por botões localizados no console central.

Reestilizado em maio de 2021, o Compass ganhou retoques externos e interior reformulado. Resumindo, por fora mudaram os faróis, a grade, o para-choque dianteiro, as rodas e a assinatura luminosa das lanternas.

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Internamente, o painel foi redesenhado seguindo linhas horizontais. Todas as partes e equipamentos que compõe a cabine são retangulares e apresentam chanfros que lhes conferem dinamismo.

Os acabamentos continuam muito bons. A parte superior do painel principal e das portas dianteiras é coberta com material emborrachado. A porção central dessas peças recebe o mesmo revestimento sintético na cor marrom aplicado aos bancos, opcional mencionado anteriormente.

Essa coloração casa perfeitamente com a moldura metálica em acabamento bronze que contorna todo o painel.

Detalhes em cinza texturizado, preto brilhante, alumínio fosco e cromados enriquecem o interior. Tanto o volante, revestido em material sintético, quanto as partes em plástico rígido apresentam materiais de qualidade, agradáveis ao toque.

A ergonomia do Compass é muito bem acertada, todos os comandos estão à mão. O motorista fica alinhado com o volante e os pedais. Os bancos dianteiros têm ótimo encaixe para o corpo e os traseiros priorizam o espaço para três pessoas. Quatro adultos e uma criança têm espaço de sobra para suas pernas, ombros e cabeças.

O novo volante ganhou melhor pega, pois o aro ficou menos grosso e o espaço de encaixe dos polegares melhor definido. A direção elétrica tem peso ideal em manobras de estacionamento e em velocidades maiores. Nas intermediárias, poderia ser mais leve.

Assim como o painel, todos os equipamentos de bordo foram elevados fisicamente. O sistema multimídia está destacado acima do mesmo. Com 10,1 polegadas, sua definição, sensibilidade ao toque e velocidade de processamento estão entre as melhores do mercado.

O chip da operadora Tim embarcado, o novo sistema Adventure Intelligence Plus e o GPS nativo aperfeiçoaram a conectividade nos carro da Stellantis.

Por meio de um aplicativo ou assistentes de voz, o usuário recebe diversas informações sobre o veículo, ativa funções do mesmo e ainda determina perímetro, dia e hora em que o modelo pode circular. Caso saia dessas restrições, ele é notificado no celular.

O GPS da marca TomTom informa em tempo real as condições de trânsito, quando existe sinal 4G, mas continua a navegação mesmo na sua ausência, pois os mapas estão registrados no aparelho.

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Os controles desta central, do ar condicionado e de diversos outros equipamentos possuem botões físicos para serem operados, giratórios para as funções principais e de pressão para as secundárias, arquitetura ideal.

Estes comandos foram concentrados na base da tela e em um conjunto pouco abaixo da mesma, melhorando a ergonomia e facilitando o uso pelo motorista.

Confortável e estável, modelo é equipado com tecnologias semiautônomas

O áudio com assinatura Beats entrega intensidade e boa definição de todas as frequências sonoras. Sua potência reproduz músicas dos aplicativos de streaming em alto e bom som, arquivos que costumam ficar baixos em sistemas comuns.

O ar-condicionado de duas zonas foi eficiente em velocidade de resfriamento e manutenção da temperatura em dias normais. Nos dias mais quentes, faltou volume de ar para resfriar a cabine mais rapidamente, pois as novas saídas, elegantes e discretas, são muito estreitas. As saídas existentes para o banco traseiro amenizam essa característica.

Além dos botões físicos e das janelas dedicadas aos comandos por toque na tela, por voz é possível operar a maioria destes dispositivos usando frases padronizadas e sugeridas em texto pelo próprio sistema, a forma mais segura do motorista interagir com eles.

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Os sistemas de auxílio à condução semiautônoma formam um conjunto completo e eficiente. As placas de velocidade e tudo que se encontra nos pontos cegos são constantemente notificados. O controle de cruzeiro adaptativo “enxerga” e acompanha o fluxo de todo tipo de veículo, mesmo sob chuva forte.

O reconhecimento das faixas é bom, mas a correção não deixa o carro centralizado, cruzando o Compass de uma faixa a outra, isto é, sua programação o torna, essencialmente, um recurso de alerta. Concentrados ao lado direito do volante, os comandos de ativação destes sistemas são confusos, requerem algum tempo para serem entendidos.

A dinâmica apurada do Compass sempre se destacou. As suspensões independentes são calibradas de forma equilibrada entre conforto e estabilidade. Elas isolam bem a cabine, deixam o carro bem assentado e suas oscilações ocorrem em frequências mais baixas que na maioria dos seus concorrentes diretos.

Nesta versão, os pneus de perfil baixo sofrem em pisos irregulares e transferem vibrações para o interior. E o preço que se paga pelo visual mais esportivo.

Rodando – O Compass Limited 4×4 é provido de todos os recursos de tração para o fora de estrada, mas é necessária cautela ao trafegar em vias de terra e trilhas para preservar estes pneus. Mesmo assim, o conjunto se sai bem nessas condições, vencendo obstáculos pouco comuns para um veículo de luxo.

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Segundo a Jeep, o Compass usando ARLA32 acelera de 0 a 100 km/h em 10,7 segundos, 0,7 mais lento do que o modelo sem o sistema de pós-tratamento dos gases da exaustão.

Na prática, quase não sentimos diferença. Ele continua ótimo em arrancadas e retomadas, muito por conta do alto torque e das múltiplas marchas. Como antes, o desempenho é muito bom, condiz com sua proposta familiar, mas não transforma o modelo em um esportivo.

O isolamento acústico é eficiente, quase não se ouve o motor no interior da cabine, apenas o ruído de atrito dos pneus sobre o asfalto sobressai. Em velocidades mais elevadas e em giros acima das 2.000 rpm, o arrasto aerodinâmico e o típico som do motor a diesel se fazem presentes, mas de forma contida.

A tração integral deixa o carro sempre amarrado, exigindo uso constante do pedal direito para que o SUV não desacelere. Usar as aletas possibilita antecipação nas trocas das marchas, minimizando essa retenção, assim como ajuda no freio-motor, melhorando o consumo deste propulsor a diesel, tradicionalmente, o mais econômico da Jeep.

Consumo – Em nosso teste padronizado de consumo, o Compass Limited diesel confirmou essa expectativa.

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No circuito rodoviário realizamos duas voltas de 38,4 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta, atingimos 19 km/l, e, na mais rápida, 16,8 km/l.

No teste de consumo urbano rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos cronometrados entre 5 e 50 segundos, vencendo 152 metros de desnível entre o ponto mais baixo e o mais alto do circuito. Neste severo teste, o Compass atingiu uma média de 9 km/l.

Na linha Jeep, apenas o Compass e o Commander manterão o motor a diesel, a partir deste ano. O Renegade usará o motor 1.3 turbo (T270), bicombustível, em todas as configurações.

Das versões a diesel do Compass, a Limited atende aos que querem um visual mais esportivo, equipamentos de auxílio à condução semiautônoma (oferecidos como opcional) e um SUV mais voltado para o asfalto. Quem pretende aventurar-se no fora de estrada, encontra na versão Trailhawk a melhor pedida, pelo mesmo preço.

DSCN9968Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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