Mais confortável e requintado, Honda City 2022 subiu o sarrafo

Sedan chega ao mercado com a difícil missão de conquistar compradores do Civic

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 11/03/2022)

A Honda está passando por uma profunda transformação, a maior desde que começou a produzir no Brasil. De uma só vez, ela tirou de linha três produtos nacionais: o sedan Civic, o monovolume Fit e o crossover WR-V.

O novo Honda City sedan chegou para iniciar o processo de renovação, seguido pelo City hatch, inédito no Brasil, modelo que veio para substituir o Fit.

A nova geração do utilitário esportivo HR-V chegará para completar a gama produzida localmente. Alguns modelos descontinuados poderão receber substitutos importados.

Nestes meses de transição, a Honda continua mantendo a tradicional oitava posição entre os automóveis, porém, seu percentual de participação caiu até dois pontos, de 7 para 5%.

Mas, a novidade já está mostrando resultados: o Honda City, que fechou o ano passado como o 47º modelo mais emplacado do mercado, este ano foi o 28º em janeiro e o 15º em fevereiro, sendo o modelo mais vendido da marca mês passado, registrando 2.326 unidades, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O DC Auto recebeu o New City Touring 2022 para avaliação, versão de topo de linha do modelo. No site da montadora, seu preço sugerido é R$ 123,10 mil, apenas na cor branca sólida. As cores metálicas acrescem R$ 1,70 mil e, a branca perolizada, R$ 2,00 mil

Os equipamentos diferenciados da versão Touring são: ar-condicionado digital e automático com ventilação para os ocupantes traseiros; multimídia de 8 polegadas com espelhamento sem fio para smartphones; painel de instrumentos parcialmente digital com tela TFT de 7 polegadas de alta resolução; chave presencial com função de destravamento e travamento das portas por sensor de aproximação, abertura do porta-malas, abertura e fechamento dos vidros e partida do motor pelo controle remoto e revestimento dos bancos em material sintético que imita couro na cor preta ou em cinza claro.

Em segurança, a versão Turing é muito bem equipada. Os destaques são: comutação automática do farol alto e baixo; controle de cruzeiro adaptativo; alerta de colisão eminente com frenagem automática de emergência; detecção das faixas de rodagem com centralização automática da direção; 6 airbags (frontais, laterais e de cortina); freios com sistemas ABS e EBD; controles de estabilidade e tração; alerta de pressão dos pneus; assistente de partidas em aclive; lembrete de afivelamento dos cintos dianteiros e traseiros; câmera de ré multivisão com linhas dinâmicas (três vistas) e câmera no retrovisor do lado direito para redução de ponto cego.

Motor e Câmbio – O motor do Honda City continua sendo 1.5, aspirado e com 4 cilindros. Porém, ele é novo e evoluiu em arquitetura e recursos. Ganhou comando de válvulas duplo, injeção direta de combustível e coletor de admissão variável.

Agora, ao adotar tuchos hidráulicos, não é necessária a dispendiosa regulagem periódica das válvulas, tecnologia muito bem vinda ao modelo.

E este motor ficou mais potente 11 cv, desenvolvendo 126 cv às 6.200 rpm, com ambos os combustíveis. Em torque, o ganho foi mínimo, 0,5/0,3 kgmf, atingindo 15,8/15,5 kgmf às 4.600 rpm, com etanol ou gasolina, respectivamente.

O câmbio é automático CVT com conversor de torque. Programado com 7 relações para simular marchas convencionais, ele permite comutação manual das mesmas por meio das aletas atrás do volante. O sistema pode ser bloqueado no modo manual para permitir uma condução mais esportiva.

Segundo a Honda, a plataforma do novo City evoluiu em materiais empregados e em seus processos de montagem. Chapas de resistências elevadas e novas tecnologias de soldas e colagens entre elas garantem melhor absorção de impactos em caso de colisões e, ao mesmo tempo, menor peso de todo o conjunto.

No mais, as dimensões do monobloco quase não se alteraram. A distância entre-eixos, medida mais influente no espaço interno do carro, principalmente no banco traseiro, perdeu um centímetro, de 2,60 metros para 2,59 metros.

A nova carroceria foi responsável por pequenas alterações de tamanho do novo Honda City. Em comprimento, ele está 9 cm maior, com 4,54 metros. Na largura, foram 5 cm de ganho, ficando com 1,74 metro. Já em altura, ele está mais baixo 2 cm, registrando 1,46 metro.

O porta-malas tem bons 519 litros, porém, 17 litros a menos do que na geração anterior, assim como o tanque de combustíveis que, agora, comporta 44 litros, 2 litros a menos.

Design – Externamente, o design do novo City assumiu de vez o perfil clássico de sedan, capô alongado e paralelo ao chão. Os vincos laterais estão altos, passam sobre as maçanetas e correm de fora a fora, igualmente na horizontal.

A frente ganhou a régua cromada mais larga que passa sobre os faróis, estilo bem parecido ao do descontinuado Civic. A traseira é a parte mais acertada. As lanternas horizontais são proporcionais e o desenho das luzes de posicionamento dá continuidade aos vincos laterais, descrevendo uma assinatura marcante que contorna toda a peça e confere dinamismo ao conjunto.

Internamente, as mudanças foram mais profundas. Tanto em design, como na qualidade e aparência dos materiais empregados, o novo City subiu o sarrafo.

Mesmo sem painéis emborrachados, todas as peças em plástico rígido têm texturas que agradam visualmente e ao tato. As áreas revestidas são macias ao toque e, com a padronização clara, o interior ficou bem sofisticado.

Bancos, apoios de braços das portas e centrais, a base do painel principal e as laterais do console central receberam essa cobertura sem economia por parte da Honda, inclusive nas portas traseiras, área negligenciada, até mesmo, em alguns carros de marcas premium.

Além deste cuidado com os materiais, todas as partes internas foram redesenhadas. O painel adotou linhas horizontais e ficou destacado do console central, recurso que deixou o interior mais arejado e atual.

Os apoios de braço das portas ficaram generosos e deixaram os comandos elétricos mais à mão. Os bancos ganharam novo desenho, com volumes mais destacados, aprimorando o apoio do corpo.

A ergonomia continua correta. Na cabine do City, quatro adultos têm amplo espaço para suas cabeças, ombros e pernas. O quinto passageiro tem encosto e assento mais estreito, elevado, não tão confortável quanto nas posições principais do banco traseiro, mas o espaço é razoável e o piso é quase plano, permitindo acomodar bem uma criança em viagens ou um adulto em deslocamentos mais curtos.

Multimídia e Tecnologias – Todos os equipamentos de bordo contam com botões físicos, giratórios para as funções principais e de pressão para as secundárias, arquitetura ideal. O multimídia tem uma tela de 8 polegadas, modesta para os padrões atuais, mas seu funcionamento é muito eficiente em sensibilidade ao toque e na velocidade de processamento.

Espelhando o celular, o sistema foi rápido ao usarmos o Android Auto, pois a conexão sem fio era ativada assim que entrávamos no carro e todos os recursos funcionaram sem falhas.

A qualidade sonora é ótima, mesmo sem contar com preparação por marca especializada em áudio. O som é distribuído por 8 autofalantes de 20W, garantindo equilíbrio de frequências e percepção espacial na emissão.

O ar-condicionado de zona única melhorou em usabilidade em relação ao do antigo City, sistema que era operado 100% por toques na tela. Agora, os botões físicos retornaram ao equipamento permitindo o uso cego, o mais seguro.

As saídas de ar são grandes e fáceis de serem reguladas, mas a intensidade do fluxo não é muito elevada, ampliando o tempo necessário para resfriar a cabine em dias mais quentes, mesmo este sistema contando com saídas traseiras igualmente bem dimensionadas. As graduações da temperatura são reguláveis de meio em meio grau e a sua manutenção é bastante estável.

O painel de instrumentos tem uma solução interessante. O velocímetro é analógico e o conta-giros é digital. O marcador digital copia perfeitamente o analógico. Quando se liga o carro, os dois ponteiros varem a área de marcação em sincronia e, em princípio, parece que todo o conjunto é digital.

Porém, no centro deste conta-giros aparecem as páginas do computador de bordo e, ao mostrá-las, o ponteiro fica apenas sobre os números que indicam as rotações.

Botões no lado esquerdo do volante comutam essas páginas que trazem informações múltiplas e em caracteres organizados e visíveis. Ainda neste lado, som e telefonia são controlados.

Sistema Semiautônomo – O lado direito é todo dedicado aos sistemas de condução semiautônoma. Comandado apenas por uma câmera, sem o tradicional radar existente nos carros concorrentes, ele funciona com igual segurança, mas, de forma um pouco menos sutil.

As faixas são identificadas e as correções de trajetória são feitas rapidamente e com precisão. A adaptação da velocidade e a manutenção da distância em relação aos veículos a frente são eficientes, porém, a retomada de velocidade é feita de forma mais intensa, chegando a assustar nas primeiras vezes, até que se acostume com o equipamento.

O sistema adaptativo não para o carro por completo. Em semáforos, por exemplo, ele é desativado antes de chegar aos veículos imobilizados, obrigando ao motorista assumir essa função, programação que não é a ideal.

Este conjunto conta com o alerta de colisão eminente e a frenagem de emergência. Em nossa opinião, o recurso mais importante entre essas tecnologias de auxílio à condução. O segundo sistema mais relevante é o detector de veículos no ponto cego. E este não está presente no City.

Mas, o sedan traz uma câmera sob o retrovisor externo direito que mostra na tela do multimídia toda essa área lateral quando a seta é acionada para este lado. Também é possível ativar essa câmera em um botão localizado na extremidade da alavanca satélite esquerda, recurso complementar em manobras de estacionamento, por exemplo.

Mesmo útil, nem este, nem os sistemas similares existentes em outras marcas substituem o alerta de ponto cego convencional, pois ele utiliza alarme e luzes, é mais rápido e funciona sem desviar a atenção do condutor, a forma mais intuitiva e segura de ampliar a atenção ao tráfego periférico.

A direção elétrica tem um acerto muito correto em todas as situações. Ela é leve em manobras de estacionamento, sem exagero, e tem peso adequado para ser segura em velocidades variadas, sem cansar na condução em estradas sinuosas.

Além da câmera lateral, a câmera traseira oferece três ângulos de visão, facilitando bastante as manobras em marcha à ré. A imagem em grande angular é a mais útil, pois permite visualizar o tráfego nas laterais da traseira, aumentando muito a segurança em saídas de vagas perpendiculares, principalmente em um sedan, veículo com o porta-malas destacado.

Rodando – Os acertos das suspensões, motor e câmbio, assim como os materiais de isolamento acústico e de vibrações, elevaram o conforto de marcha, o desempenho e a eficiência energética do novo City em relação à geração anterior.

O conjunto de amortecedores e molas apresenta calibração mais rígida e confere estabilidade direcional ao City. Mesmo com essa calibração, conseguem isolar o modelo das imperfeições do solo e entregam conforto satisfatoriamente.

Este equilíbrio é difícil em carros compactos, mais leves e suscetíveis às oscilações horizontais quando as cargas destes dispositivos são mais elevadas.

Os grandes balanços, dianteiro e traseiro, contribuem na diminuição da frequência de trabalho das suspensões, atenuando o incomodo causado por este movimento comum aos carros mais estáveis.

Mas, nem tudo são flores. Estes mesmos prolongamentos além dos eixos prejudicam a transposição de obstáculos. O City é um típico sedan, baixo em relação ao solo.

Ao passar rápido sobre lombadas, a parte inferior do seu para-choque dianteiro toca no piso, assim como em entradas e saídas de rampas mais inclinadas.

Dentro das vantagens desta pouca altura está a ótima aerodinâmica, que sobressai. Em estradas, a carroceria do City não acusa dificuldades para romper a resistência do ar, algo percebido em seu fácil deslocamento e no baixo ruído proveniente desta ação.

O isolamento acústico, também faz a sua parte, pois o barulho do atrito dos pneus pouco é ouvido em seu interior, tornando o modelo muito silencioso em rodovias.

Aparentemente, o conjunto motor e câmbio aproveita todo o potencial que ambos podem entregar. As relações de trabalho deixam o carro solto, aproveitando ao máximo o deslocamento por inércia.

No plano, e em condições ideais, aos 90 km/h é possível deixar o motor aos 1.600 rpm. E aos 110 km/h, ele pode não passar dos 2.000 rpm. São regimes baixíssimos para ambas as velocidades. Além do conforto acústico, o consumo de combustível é bem reduzido.

Motor aspirado, câmbio CVT e acoplamento por conversor de torque não é o trio ideal. Quando aceleramos para ganhar velocidade rapidamente, o câmbio reduz as relações para o motor alcançar a faixa de rotação em que ele atinge o maior torque. No caso, em elevadas 4.600 rpm.

Até chegar a este regime, o conversor desliza um pouco, deixando o giro do motor subir rapidamente, mas, ao preço de muito incômodo sonoro e pouca tração, característica comum aos câmbios CVT que é potencializada por motores aspirados e equipados com 16 válvulas, como este do City.

Usar as aletas para comutar as marchas ameniza este comportamento. Mesmo em “D” (Drive), este recurso faz o câmbio trabalhar com as sete relações pré-programadas, assemelhando-se aos sistemas automáticos convencionais.

Com a alavanca de câmbio em “S” (Sport), as trocas ficam permanentemente em manual, e só são trocadas automaticamente se a rotação do motor atinge o regime máximo de segurança (6.200 rpm) ou são reduzidas para o motor não morrer, caso o condutor não faça as trocas.

Neste caso de aceleração total, o City tem um ótimo desempenho, acima do esperado para um sedan compacto familiar.

Consumo – A grande virtude do City é o baixo consumo de combustível. Nos testes padronizados que fizemos com ele, circulamos sempre com gasolina no tanque.

No circuito rodoviário, realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e outra, 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta, o City registrou 20,5 km/l. Na mais rápida, 19 km/l.

No teste de consumo urbano rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos cronometrados entre 5 e 50 segundos e vencemos 152 metros de desnível entre o ponto mais baixo e o mais alto do circuito.

Nessas condições, o City atingiu a média de 10,7 km/l. Se ele fosse equipado com o sistema stop/start, o resultado seria ainda melhor.

Todos os automóveis no Brasil tiveram seus preços muito elevados nos últimos três anos. Alguns dobraram de preço. Com o City não foi diferente. Hoje, ele custa o equivalente a um Honda Civic em 2019.

Por ser compacto, o novo City não substitui o Civic, um médio. Mas, ele foi aprimorado em acabamento, estrutura e equipamentos, tornando-se uma boa opção às versões de entrada do Civic que não serão importadas para o Brasil.

Se o sedan médio retornar mesmo, virá em sua versão mais cara, provavelmente, com tecnologia híbrida.

Fotos: Amintas Vidal

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