Primeiro SUV nacional da Fiat, Pulse estreia motor 1.0 turbo

O novo propulsor é capaz de render 125 cv com gasolina e 130 cv com etanol

Amintas Vidal*

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A Fiat foi a última grande montadora a estrear um SUV nacional. Em março do ano passado, ela apresentou o Pulse no reality Big Brother Brasil, da Rede Globo. Somente em outubro o modelo foi lançado oficialmente.

Ter a Jeep em seu grupo empresarial deixou a Fiat com mais tempo para aderir ao modismo. Segundo a marca, a espera compensou.

Com poucas semanas nas concessionárias, foram feitas mais de 9 mil reservas do Pulse, mediante o pagamento de um sinal. Até o fechamento de 2021, apenas 6.724 unidades do Pulse tinham sido emplacadas.

Agora em 2022, janeiro registrou 3.192 emplacamentos e, fevereiro, apenas 1.843 unidades, segundo dados fornecidos pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Estes números mostram que a demanda continua maior que a oferta, reflexo prolongado da falta dos semicondutores.

O DC Auto recebeu o Pulse Impetus Turbo 200 automático para avaliação. Essa é a versão mais equipada da linha, exclusivamente vendida com carroceria e teto em cores diferentes.

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No site da montadora, seu preço sugerido é de R$ 121,60 mil, valor reajustado com o novo IPI. Neste preço, a carroceria vem na cor preta sólida e o teto em cinza. As outras oito combinações de cores possíveis são cobradas à parte.

Os equipamentos diferenciados do Pulse Impetus são: multimídia com tela de 10,1 polegadas, navegação embarcada e Apple CarPlay e Android Auto sem fio; painel digital de 7 polegadas; carregador do celular por indução; ar-condicionado digital; rebatimento elétrico dos retrovisores; paddle-shifters; chave presencial, revestimento dos bancos com material sintético que imita o couro e roda em liga leve de 17 polegadas diamantada.

Em termos de segurança, os seguintes recursos se destacam: frenagem autônoma de emergência; alerta de saída de faixas com correção da trajetória; comutação automática dos faróis alto e baixo; faróis e lanternas em LED; sensor de pressão dos pneus, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro e câmera traseira de alta definição com linhas guias dinâmicas.

Motor e Câmbio – O motor desta versão é o inédito GSE Turbo 200, 1.0 de três cilindros. Ele tem o exclusivo controle de válvulas MultiAir III, o seu grande diferencial.

Atuadores eletro-hidráulicos fazem uma ligação totalmente controlável entre o eixo de comando e as válvulas de admissão, permitindo variar a sua abertura em período, como em outros sistemas, ou em amplitude ou frequência, como em nenhum outro.

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Essa, e outras tecnologias como turbocompressor de baixa inércia controlado por válvula de alívio eletrônica, sensor para o reconhecimento do combustível na linha de alimentação, injeção direta de combustível dentro do cilindro e sistemas de resfriamento do ar comprimido e do óleo de lubrificação, resultaram em elevados números para um bloco de 999 cm³: torque de 20,4 kgmf às 1.700 rpm com ambos os combustíveis e potência de 130/125 cv às 5.750 rpm, com etanol e gasolina, respectivamente.

O câmbio é o automático do tipo CVT, sistema que varia continuamente as relações de marchas. A Fiat programou sete (7) relações específicas para simular o uso de marchas escalonadas, no modo manual, ou quando o motor é mais exigido. O acoplamento entre o motor e o câmbio é feito por um conversor de torque convencional.

Assim como o Volkswagen Nivus e o Honda WR-V, o Pulse foi projetado a partir de outro carro, no caso, o Argo. Antes do seu lançamento, a Fiat divulgou que desenvolveu uma nova plataforma para o SUV, a MLA, diferente da MP1 do hatch. A marca prefere não associar o Pulse ao Argo.

Realmente, reconstruir o monobloco com modificações estruturais e utilizar aços de alta resistência em sua fabricação é algo extremamente importante, que deveria ser alardeado pela Fiat. Essas mudanças fazem o SUV ser muito mais seguro que o hatch, mas não deixa o Pulse independente do Argo.

Acreditamos que a montadora aproveitou a oportunidade para desenvolver um novo monobloco para o Pulse e para a futura atualização do Argo, corrigindo falhas estruturais e ergonômicas.

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Certamente, a Fiat já sabia desta necessidade, muito antes do hatch se sair mal no teste de colisão do Latin NCAP (Programa de Avaliação de Carros Novos para América Latina e o Caribe). Este investimento vale cada centavo empregado. Segurança é a qualidade mais importante em qualquer carro de uso diário.

Diferentemente dos concorrentes citados anteriormente, no Pulse é possível observar uma das alterações da plataforma. Os elevados para-lamas são fixados em peças que integram o monobloco reprojetado e, não, em finas hastes soldadas ao mesmo, “gambiarra” que foi aplicada ao Nivus e ao HR-V.

Design – Para-choque e para-lama dianteiros, grades, faróis e capô foram redesenhados, conferindo robustez e grande diferenciação estética entre o Pulse e o Argo. As portas, o para-lama traseiro, a estampagem lateral e o teto são os mesmos do hatch.

Um prolongamento metálico do teto e um grande aerofólio plástico foram agregados à nova tampa do porta-malas, essa, igualmente projetada para trás, criando um volume traseiro destacado.

Novas lanternas e o para-choque traseiro acompanharam essas mudanças. Suspensões elevadas e peças plásticas adornando a carroceria completam a caracterização fora de estrada, artifício comum aos aventureiros e SUVs.

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Frente e traseira encorpadas ampliaram o comprimento do Pulse em relação ao Argo, foram mais 11 cm, registrando 4,10 metros. As molduras das caixas de roda garantiram 6 cm extras na largura, chegando a 1,78 metro.

Suspensões elevadas, rodas e pneus maiores e o rack no teto somaram 7,8 cm à altura, que atingiu 1,58 metro. A distância entre eixos cresceu 1,1 cm, ficando com 2,53 metros.

Os números que homologaram o Pulse Impetus como um SUV pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) são: 20,4° de ângulo de entrada; 31,6° de ângulo de saída; 21,3° de ângulo central e 196 mm de vão livre do solo.

Aferido pelo novo método adotado pela Fiat, que considera o espaço preenchido por líquido, o porta-malas do Pulse comporta 370 litros mas, aparentemente, a área foi pouco alterada, cabendo, provavelmente, 310 litros, 10 litros a mais do que no Argo.

O tanque de combustíveis comporta 47 litros, 1 litro a menos que no hatch. O Pulse Impetus é o mais pesado, 1.237 kg, 107 kg a mais do que o Argo Trekking 1.3, a versão mais pesada do modelo. Ambos suportam 400 kg de carga útil.

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Interior – Internamente, a Fiat não economizou no Pulse. Um design distinto ao do Argo foi elaborado para o novo SUV. Todas as peças, envolventes e funcionais, foram redesenhadas. Painéis, central e das portas, o console e todas as partes que os compõe são completamente novas.

O estilo é o mais atual, orientado na horizontal. Formas trapezoidais são abundantes, estão em peças e recortes por toda a cabine, nas texturas variadas dos plásticos e, inclusive, nos equipamentos reestilizados, como o conjunto de comandos do ar-condicionado e áudio, o multimídia e o painel de instrumentos.

Essas alterações criaram um interior exclusivo para o Pulse. A variedade de formas, cores e texturas está presente, qualidades que a Fiat sempre apresenta em seus modelos, pelo menos, nos mais caros.

O encaixe de tantas peças novas, ainda não está perfeito. Na unidade que avaliamos, o porta-luvas não fechava corretamente, deixando a sua luz interna acesa e descarregando a bateria.

Segundo a Fiat, os bancos dianteiros do Pulse foram completamente reprojetados. Novas formas e espuma mais rígida seguram e sustentam melhor o corpo. Porém, sabemos que o objetivo principal da marca foi fazer um banco estruturalmente resistente, que se saia bem na avaliação do Latin NCAP.

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O encosto de cabeça mais robusto e avançado faz parte das mudanças que garantirão o bom resultado esperado no teste que indica o grau de proteção à coluna cervical do usuário.

No mais, alguns detalhes não mudaram. Apenas o miolo do volante foi trocado, botões e aro são os mesmos usados no Argo e em outros modelos do grupo Stellantis. Peças menos observadas, como as que revestem colunas e teto, e menores, como alavancas e alguns botões, também foram reaproveitadas. O banco traseiro é o mesmo do hatch.

Todo este amplo projeto do Pulse sinaliza muito sobre o futuro dos modelos da Fiat. Essas mudanças estruturais e estéticas que diferenciaram o SUV do hatch irão atualizar a linha Argo e Cronos, assim como equipar o SUV cupê da marca, lançamentos que ocorrerão este ano, provavelmente.

Tecnologias – Na cabine do Pulse, quatro adultos e uma criança se acomodam com conforto para um modelo compacto, mas sem sobras. Em relação ao Argo, o Pulse tem ergonomia mais acertada.

Além das modificações nos bancos dianteiros mencionadas, volante e pedais estão mais bem alinhados e os botões dos vidros elétricos estão menos recuados, mais ao alcance das mãos. A volumosa alça das portas dianteiras do Argo foi eliminada, ampliando o espaço para as pernas de quem vai à frente.

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Os inúmeros equipamentos internos são controlados por botões físicos, giratórios para as funções principais e de pressão para as secundárias, arquitetura ideal. Alguns sistemas apresentam operação duplicada. Além dos botões, podem ser controlados por toques na tela do multimídia.

O ar-condicionado de zona única é eficiente em volume de ventilação, tempo de resfriamento e manutenção da temperatura. Em um único botão, ventilação e temperatura são ajustadas por rotação, bastando comutar as funções ao pressioná-lo.

Sua cor se alterna entre branco, azul e vermelho, indicando estar apto para regular intensidade de fluxo ou nível da temperatura. As funções comandadas aparecem na tela do multimídia. Neste também existe uma página dedicada ao sistema para operação totalmente por toques na tela. Não ter saídas de ar traseiras é sua única falha.

A internet embarcada (item opcional), o sistema multimídia e o computador de bordo formam, provavelmente, o conjunto de tecnologias de conectividade e navegação mais completo oferecido atualmente.

Para detalhá-lo, seria preciso um texto dedicado somente ao assunto. De forma resumida, ele oferece controle de funções do carro, verificação de condições mecânicas e limitação da área de circulação e localização remota, tudo por meio de aplicativo no celular.

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O multimídia espelha sem fio o smartphone, estável e rapidamente. Entre diversas funções, a navegação nativa se destaca. O computador de bordo é completíssimo, oferecendo informações múltiplas e em janelas diferenciadas, inclusive, duplicadas na tela do multimídia.

O painel de instrumentos é o mesmo da picape Toro. Ao centro ele é digital, muito configurável, e de forma simples, considerando o grande volume de informações disponíveis. Nas extremidades ficam os marcadores de combustível e temperatura, assim como as luzes espia.

O volante traz os comandos para quase todos estes equipamentos e recursos. Os botões são bem dimensionados, distribuídos e identificados. Computador de bordo à esquerda, auxílios de condução à direita e multimídia atrás, estes “cegos”, os mais seguros.

A direção elétrica é muito leve em manobras, mas poderia ser mais progressiva, pois fica mais pesada que o ideal em velocidades intermediárias. Os sensores de estacionamento são essenciais. O Pulse tem frente e traseira muito altas, assim como a coluna “C” avantajada.

Entre os auxílios de condução semiautônomas, o alerta de aproximação com frenagem automática de emergência é o mais importante, e está presente no Pulse. Falta o alerta de ponto cego, o segundo mais relevante.

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Outros, como a identificação de faixa de rodagem, com correção de trajetória, e a comutação dos faróis baixo e alto funcionaram perfeitamente, assim como os faróis em LED, que têm longo alcance e muita potência na iluminação noturna.

Utilitário compacto se mostra econômico até mesmo com etanol no tanque

O acerto das suspensões do Pulse é muito adequado aos nossos pisos irregulares.  Isola muito bem a cabine, para um carro compacto, relativamente leve e com rodas grandes. Elas entregam estabilidade para uma condução responsável e, ainda, conforto de marcha.

Aos 110 km/h o arrasto aerodinâmico é perceptível, entretanto, pouco se ouve o barulho do vento contra carroceria e o atrito dos pneus com o asfalto, resultado de um ótimo isolamento acústico.

Nessa velocidade, com o câmbio em “D” e circulando em condições ideais, a relação mais longa é usada, deixando o motor às 2.100 rpm e, seu ruído, quase inaudível. Em rotações  mais elevadas, é  possível ouvi-lo, mas o som dos motores de três cilindros  é  grave e agradável. Seu desempenho é  coerente com a proposta familiar do Pulse, entregando mais que o necessário para um uso consciente.

Acoplado a este motor turbo de tres cilindros, o câmbio  CVT funciona bem melhor, quando comparado ao seu uso com o motor aspirado de quatro cilindros. Em acelerações intermediárias, ele não multiplica muito as marchas à procura do torque ideal, pois este já  está presente às baixas 1.700 rpm, realizando o trabalho sem a sensação de deslizamento exagerado comum nestas transmissões.

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Com o curso total do acelerador, as sete relações são acionadas e cambiadas no limite de segurança do funcionamento do motor, às 6.200 rpm. Essa condição extrai o melhor desempenho do modelo e garante segurança em ultrapassagens, por exemplo.

Ao ativar a tecla Sport, as relações ficam mais curtas, fazendo o motor girar 500 rpm acima, garantindo uma resposta mais imediata ao comando do acelerador.

Usar as aletas para reduzir as marchas com o câmbio em automático ajuda muito no freio motor. No modo manual, garante uma tocada esportiva, semelhante aos câmbios automatizados, sem os trancos indesejados.

O recurso TC+ é uma programação do controle de tração que identifica uma roda sem aderência e aciona o seu freio para transferir o torque para a roda com tração, ideal para transposições em pisos escorregadios.

Em nossos testes de consumo rodoviário padronizado, realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e outra, 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta, o Pulse Impetus 1.0 turbo registrou 13,7 km/l. Na mais rápida, 12 km/l, sempre com etanol no tanque.

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No teste de consumo urbano rodamos por 25,2 km em velocidades entre 40 e 60 km/h, fazemos 20 paradas simuladas em semáforos com tempos cronometrados entre 5s e 50s e vencemos 152 m de desnível entre o ponto mais baixo e o mais alto do circuito. Neste severo teste, o Pulse atingiu a média de 7,6 km/l, também com etanol. Se fosse equipado com o stop/start, sistema que desliga o motor em semáforos, o consumo seria melhor.

Vendido em quatro versões e cinco configurações, o Pulse oferece câmbio manual ou CVT e motores 1.3 aspirado ou 1.0 turbo, partindo de R$ 86,05 mil. Todas as opções são muito bem equipadas, principalmente em itens de segurança, os mais importantes. Sistemas sofisticados como faróis em LED, ar- condicionado digital e multimídia com espelhamento sem fio são equipamentos de série desde a versão de entrada, tornando o modelo muito competitivo em uma ampla faixa de preço.

A versão Impetus com o pacote opcional Fiat Connect-Me tem o melhor sistema de conectividade do mercado, além de importantes tecnologias de auxílio à condução, itens de série. Ela atinge a faixa de preço de SUVs maiores, é certo, mas entrega mais recursos que a maioria destes concorrentes.

20220217_175148Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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