Citroën C4 Cactus turbo: potente e econômico

Versão Shine Pack é equipada com o motor 1.6 THP capaz de render até 173 cv

Amintas Vidal*  (Publicado no Diário do Comércio – Edição: 12/08/2022)

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Invariavelmente, os carros da Citroën se destacam pelo design. Nada óbvios, eles não são confundidos com os modelos das outras marcas. Belos, em sua maioria, vez ou outra eles dividem o salão de vendas com algum carro estranho.

O C4 Cactus transitou por esses dois adjetivos. A primeira geração, não comercializada no Brasil, era estranha. Dotada de Airbumps no meio das portas, espécie de protetores semelhantes a bolsas de ar, o modelo mais parecia um brinquedo de criança, de tão caricaturado que era o seu visual.

Coube à equipe de designers da Citroën do Brasil desenvolver a sua primeira reestilização, mudança que marcou a estreia do C4 Cactus no País, em agosto de 2018.

Basicamente, os exageros foram eliminados e os traços apáticos foram substituídos por formas mais agressivas e dinâmicas, conferindo beleza e presença ao antigo SUV esquisito.

O DC Auto recebeu o Citroën C4 Cactus 1.6 THP Shine Pack para avaliação. Versão de topo da gama, ela é a única equipada com o motor turbo. No site da montadora, seu preço sugerido é R$ 142,39 mil. A cor metálica da unidade avaliada acresce R$ 1,37 mil ao seu valor final.

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Ofertada completa, sem opcionais, os principais equipamentos de série desta versão são: ar-condicionado digital e automático; quadro de instrumentos digital; chave presencial; central multimídia touchscreen de 7 polegadas com espelhamento por Android Auto e Apple Car Play; volante multifuncional com regulagem em altura e profundidade; direção elétrica com assistência variável; computador de bordo; barras de teto longitudinais funcionais; volante e bancos revestidos em material sintético que imita o couro e rodas de 17 polegadas diamantadas com pneus 205/55 R17.

Em segurança, a versão é bem equipada. Os principais sistemas são: seis airbags; ESP (controle eletrônico de estabilidade) e ASR (controle de tração); grip control (seletor de programação do controle de tração); alertas ao condutor sobre saída de faixa e de colisão eminente e sistema de frenagem automática de emergência; indicador de descanso para o motorista; regulador e limitador de velocidade; assinatura luminosa em LED nos faróis e lanternas; faróis de neblina; ITPMS (sensor de pressão de pneus); hill assist (assistente de partida em rampa); limpador do para-brisa automático com detector de chuva e câmera de marcha à ré.

Motor e Câmbio – Seu motor tem bloco com quatro cilindros, 1.6 litro, turbo alimentado, bicombustível e conta com injeção direta.  Acionado por corrente, seu comando é duplo no cabeçote e tem 16 válvulas. Este sistema permite variação de abertura apenas na admissão.

Ele rende 173/166 cv às 6.000 rpm com etanol e gasolina, respectivamente, e tem torque de 24,5 kgfm às 1.400 rpm com ambos os combustíveis. A relação peso/potência é de 7 kg/cv e a peso/torque é de 49,6 kg/kgmf.

O câmbio é automático convencional com seis (6) marchas. Ele permite trocas manuais por meio da própria alavanca. Seu acoplamento ao motor é feito por conversor de torque.

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O C4 Cactus, realmente, não segue a cartilha dos SUVs compactos oriundos de hatches. A sua plataforma é a mesma do antigo C3, mas ele não tem um traço deste modelo que já saiu de linha, algo que acontece entre os VW Nivus e Polo, ou os Fiat Pulse e Argo, por exemplo.

Nestes concorrentes, diversas peças das suas carrocerias são compartilhadas e suas dimensões foram mantidas. No C4 Cactus, todo o design é original e as medidas foram aumentadas, ampliando o seu tamanho externo e, principalmente, o espaço na cabine.

A distância entre-eixos, medida mais importante para este espaço, é generosa no C4 Cactus (2,60 metros). Comparando com o C3, ela foi ampliada em 140 mm. Em relação à concorrência, são 68 mm de vantagem sobre o Pulse e 34 mm a mais que no Nivus.

Suas outras medidas são: 1,71 metro de largura; 1,56 metro de altura e 4,17 metros de comprimento.

Contudo, quatro adultos têm espaço de sobra para suas pernas e ombros. Um quinto passageiro fica incomodado com o túnel central alto, mas o banco traseiro tem ótimo aproveitamento do espaço lateral, entregando conforto razoável ao mesmo.

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Pessoas mais altas podem encostar suas cabeças no forro, pois a distância entre o piso e o teto não foi tão alterada como as outras medidas, uma característica de hatch que o C4 Cactus, assim como os seus concorrentes, manteve nessa transição para SUV.

No porta-malas cabem 320 litros e o tanque de combustíveis comporta 55 litros. Essa versão do C4 Cactus pesa 1.214 kg, sua carga útil é de 400 kg e a capacidade de reboque é de 350 kg, independentemente de o equipamento contar com sistema de freio ou não.

Acabamento – A qualidade dos materiais de acabamento, a construção das peças internas e seus encaixes são muito bons, mas não são requintados. Apenas os apoios dos braços são acolchoados mas, ao menos, isso ocorre nas quatro portas, algo pouco comum na categoria.

Essa versão tem um revestimento macio ao toque no painel principal e detalhes em tecido nos bancos que melhoram o visual, mas o conjunto está bem abaixo dos outros modelos da marca que ostentam o C4 no nome.

Na verdade, o C4 Cactus herdou, além da plataforma, o nível de acabamento da linha C3, que é mais básico.

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Sua ergonomia geral é acertada. Todos os controles são alcançados sem grandes movimentos dos braços. Os botões dos vidros traseiros, que ficam na porta do motorista, estão mais recuados que o ideal, o único detalhe negativo de posicionamento que observamos. Outro porém é que a Citroën concentrou muitos comandos na tela do multimídia, suprimindo diversos botões físicos que fazem falta no dia a dia.

O ar-condicionado tem quatro teclas de atalho, mas elas são insuficientes para operá-lo. Regular temperatura e fluxo do ar, só entrando no multimídia.

Uma dessas teclas abre a janela dedicada ao sistema, mas essa mesma tecla não retorna à ultima tela, como o mapa do GPS, por exemplo, obrigando acessar a home e abrir novamente o aplicativo de espelhamento do celular, um processo inadequado.

Na tela, a operação é feita em toques e, não, deslizando o dedo, o que seria melhor. Dificuldades de uso à parte, o ar-condicionado é eficiente em tempo de resfriamento, manutenção da temperatura e silêncio ao ventilar.

Não existem saídas de ar para o banco traseiro, duto que melhoraria a sua circulação. Também não existem tomadas USB ou 12V para o carregamento de celulares.

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Multimídia – O sistema multimídia é o mesmo deste o lançamento do C4 Cactus. Atualmente, sua tela é pequena frente às da concorrência, mas o seu funcionamento não está tão defasado em velocidade de processamento e definição de imagem.

A sensibilidade ao toque não é das melhores, denota a idade do equipamento, assim como o espelhamento por cabo. Porém, essa conexão foi estável ao utilizarmos os principais aplicativos do Android Auto.

A potência e a distribuição do som na cabine são melhores que o esperado para um sistema sem assinatura por marca especializada em áudio, reproduzindo músicas por streaming em volume mais alto que o usual. Mas, a definição das frequências não é tão apurada e ocorrem pequenas distorções nos limites da amplificação sonora.

O volante multifuncional compensa, um pouco, a falta de botões. O som, o telefone e o computador de bordo podem ser operados por seus controles. Eles são agrupados em linha e, não, em cada raio do volante, como é o padrão.

Com o tempo de uso, se acostuma, assim como o controlador e limitador de velocidade que é acionado em uma haste satélite e de uso cego, o mais seguro por não desviar o olhar do motorista da estrada.

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O quadro de instrumentos digital é dos mais simples. Não é configurável, algumas informações têm números e letras pequenas, e outras são tão imprecisas que se tornam quase inúteis, como o conta-giros.

Ele varia de 500 em 500 rpm, marcação insuficiente para sinalizar o regime de trabalho do motor. A velocidade destacada em números grandes é o maior acerto gráfico deste dispositivo.

Sistemas de Auxílio – São poucos os sistemas de auxílio à direção, mas eles estão entre os mais relevantes. A frenagem automática de emergência é o recurso mais importante. Além dele, o C4 Cactus conta com os avisos de saída de faixa e de colisão eminente.

O primeiro, corretamente sinalizado por alerta sonoro e visual, por meio de luz no painel de instrumentos.  Já o segundo, utiliza a tela do multimídia para indicar visualmente, uma posição pouco adequada. O sistema conta, também, com aviso sonoro, o ideal.

O indicador de descanso para o motorista e os sensores de chuva e de pressão dos pneus são recursos que completam o pacote de equipamentos que facilitam a condução e torna essa versão do modelo uma das mais seguras entre os SUVs compactos.

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Importante, mas insuficiente, a câmera de marcha à ré ajuda amenizar o amplo ponto cego criado pelas largas colunas “C”. Além disso, como o carro é alto e as janelas são estreitas, o ideal seriam sensores de aproximação traseiros e guias dinâmicas na imagem da câmera para auxiliar em manobras de estacionamento.

Modelo é bastante confortável e oferece ótimo comportamento dinâmico

A direção elétrica é extremamente leve e facilita bastante o trabalho. Destaque do modelo, ela ganha peso bem progressivamente, garantido conforto e segurança em todas as velocidades.

Outra qualidade é a sua resposta direta ao esterço do volante, característica que combina com o acerto mais rígido das suspensões e o surpreendente desempenho deste motor turbo.

O C4 Cactus tem um bom condicionamento acústico. Os ruídos do motor, do arrasto aerodinâmico e do atrito dos pneus são equilibrados, nenhum se destaca em velocidade de cruzeiro. Em acelerações fortes, o motor invade a cabine, mas, dentro do aceitável, e condizente com a sua performance.

Rodando sobre asfalto liso ou remendado, o modelo entrega muito conforto aos seus ocupantes, pois as suspensões conseguem trabalhar nas ondulações sem transferir muita vibração para a cabine.

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Além deste ótimo comportamento em retas, nas curvas, este sistema mais rígido não deixa a carroceria inclinar em demasia, passando segurança ao condutor.

Principalmente com o motor turbo, é preciso moderação ao fazer as curvas. Antes do limite da aderência, os pneus cantam, sinalizando que o carro é leve para tamanho torque. Se o motorista não alivia o pé direito, a frente tende a sair, sendo essa uma reação previsível.

O seletor de programações para o controle de tração sugere que o modelo tem mais aptidão para o fora de estrada. Realmente, este recurso ajuda superar lama, areia e neve, além de permitir o seu desligamento em situações específicas.

Mas, o acerto das suspensões não combina com buracos e grandes desníveis do piso, situação que diminui bastante o conforto de marcha e aparenta castigar as partes que compõe este sistema.

Por outro lado, os números que homologam o C4 Cactus como um SUV no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) são generosos: 22° de ângulo de ataque; 32° de ângulo de saída e 225 mm de altura livre do solo.

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Essas medidas garantem ao modelo capacidade de superar lombadas e rampas na cidade, ou circular por estrada de terra, sem raspar os seus para-choques ou o seu fundo nessas empreitadas.

Desempenho – Conhecido como o “caracol da alegria”, no caso do C4 Cactus, o turbo compressor é responsável por duas felicidades: alto desempenho e baixo consumo.

A Citroën declara que o modelo atinge os 100 km/h em apenas 7,3 segundos e alcança 212 km/h de velocidade final, números muito bons para um SUV.

Devagar, ele também arranca sorriso do seu dono. O torque alto a baixas 1.400 rpm garante deslocamento forte e linear. O câmbio é bom, sem ser brilhante. Em Drive (D), quase sempre ele faz trocas nos momentos corretos. Algumas vezes, demora um pouco.

Quando no modo ECO, ele antecipa todas as trocas, deixando a rotação do motor o mais baixa possível, atingido ótimo consumo, ao mesmo tempo em que o silêncio a bordo impera.

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Na opção Sport, as marchas são esticadas em busca da potência, atingindo 6.000 rpm e garantindo a diversão ao volante.

No modo manual, operando pela alavanca, as marchas são reduzidas para frente e elevadas para trás. Este é o acerto mais correto fisicamente, pois segue o movimento de reação do corpo do “piloto” a essas ações opostas.

Com uma programação relativamente permissiva às trocas manuais, o câmbio merecia as aletas atrás do volante, recurso que casaria perfeitamente com o desempenho esportivo.

Consumo – Em nossos testes padronizados de consumo, abastecido com gasolina, o Citroën C4 Cactus turbo foi muito econômico para um carro tão potente.

No circuito rodoviário, realizamos duas voltas no percurso de 38,7 km, uma mantendo 90 km/h e outra os 110 km/h, sempre conduzindo economicamente. Na volta mais lenta atingimos 17,5 km/l. Na mais rápida, 14,9 km/l.

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No nosso circuito urbano de 6,3 km realizamos quatro voltas, totalizando 25,2 km. Simulamos 20 paradas em semáforos com tempos entre 5 e 50 segundos. Vencemos 152 metros entre o ponto mais alto e o mais baixo deste acidentado percurso.

O modelo finalizou o teste com 9,4 km/l. Essa média poderia ser ainda melhor se o C4 Cactus fosse equipado com o sistema stop/start.

A fórmula do desempenho do Citroën C4 Cactus não é segredo. Mais importante que ter um motor turbo, a relação peso/potência é crucial. No caso, seus 7 kg/cv é melhor do que os 8 kg/cv, número “mágico” almejado e raramente alcançado pelas montadoras.

Por menos que R$ 150 mil, essa versão tem um desempenho que diversos modelos mais caros não têm. E o feliz proprietário ainda leva um ótimo consumo de combustível. São dois argumentos que destacam essa versão de todos os seus concorrentes.

20220731_172623Fotos: Amintas Vidal

*Colaborador

Acesse o nosso site: http://www.diariodocomercio.com.br

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